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Zet Gallery inaugura projecto com assinatura no feminino

Braga

2021-06-11 às 21h00

Redacção Redacção

Zet Gallery inaugura projecto “2 ou 3 choses que je sais d´elle” com colectivo de artistas mulheres. Visitas guiadas permitidas nos dias 12 e 19 de Junho, a partir das 14 horas.

A Zet Gallery inaugura, amanhã, às 14 horas, “2 ou 3 choses que je sais d'elle”, uma exposição com assinatura artística exclusivamente feminina que reúne obras de Inês Osório, Helena Cardoso, Teresa TAF, Elizabeth Leite, Liliana Velho, Márcia Ruberti e Xana Abreu. A abertura da exposição será ainda assinalada no dia 19, entre as 14 e as 19 horas, também com visita guiada com as várias artistas e com a curadora da exposição, Helena Mendes Pereira.

A exposição, cujo nome é inspirado no filme homónimo que Jean-Luc Godard realizou em 1966 sobre a condição social da mulher, integra um ciclo de exposições e de programação, através do qual a Zet Gallery destacará artistas mulheres.

“Considerando a urgência social que atravessamos e que torna indelével a discussão e a luta sobre a igualdade de género, decidimos avançar com uma programação que constitui uma acção e um alerta sobre o tema da urgência das igualdades de oportunidades para todos, independentemente do género, credo, raça, condição social de partida ou das circunstâncias que a vida traz”, destaca Helena Mendes Pereira, directora da Zet Gallery. “2 ou 3 choses que je sais d'elle” revela, a partir de cada uma das autoras, “as formas de ver e de sentir delas, desvendando o lugar da tempestade interior que é tantas vezes a força motriz do mundo inteiro”, sublinha a curadora.

É um projecto de curadoria que se escreve no feminino, que revela e esconde o que é ser mulher mas, sobretudo, que tem o desejo do belo e a evidência do tempo e do espaço de cada uma em que cada um se revê ou repele.

A exposição nasce de um repto lançado por Helena Mendes Pereira nas redes sociais no período de pandemia, a partir do qual a curadora desafiou artistas plásticos e visuais a criar um objecto artístico a partir de um excedente de dezenas de pares de sapatos que resultaram das arrumações da própria durante o confinamento.

A resposta à questão “O que fazer agora com aquele corpo desintegrado de estereótipos para pés?” chegou pela escultora Inês Osório que “perseguiu os conceitos e palavras chave que a sua produção vinha explorando, nomeadamente a ideia de liberdade, ou a perda dela que sentimos neste período incrédulo da nossa história comum, e com os sapatos do desconforto e, por isso, da castração, construiu asas para mulheres livres, asas para seres humanos que ousam sonhar”.

Partindo destas asas da liberdade, a directora convidou mais seis artistas mulheres para se juntarem ao projecto artístico que se propõe ser exemplo no combate contra as desigualdades. Liliana Velho, artista que privilegia a cerâmica, integra esta exposição com as instalações “Artefactos para rituais” e “Coração em contramão”, que se complementam na ironia de “Receita para desamar”, com uma mensagem que convoca os iminentes sentimentos femininos.

Helena Cardoso expõe na Zet Gallery a sua produção artística, que tem por base um profundo conhecimento dos processos associados ao têxtil e, nomeadamente, ao trabalho artesanal do linho. Helena Cardoso é, de acordo com a curadora “um daqueles casos paradigmáticos de uma artista que a vida deixou no anonimato. A família, os filhos, a casa tornaram-na invisível, não obstante nunca ter abdicado da sua produção artística e de participar, aqui e ali, em exposições. Mas merece mais, merece uma voz urgente no auge dos seus 80 anos”.

Teresa TAF apresenta dois resultados multidisciplinares em que aborda o processo base da pintura e, sobretudo, a pesquisa pelos pigmentos presentes na natureza e no quotidiano. A partir de diferentes territórios do vinho e da vinha, a artista mergulhou, literalmente, no néctar dos deuses, explorando os processos artesanais e explorando o tingimento do corpo e, também, do têxtil. O vinho, cor de sangue, tem a presença simbólica forte da ritualização que, ancestralmente, se associa à mulher e aos seus mistérios e ciclos.

A pintora Elizabeth Leite, por sua vez, apresenta três sequências narrativas: uma expressa a sua saturação com as funções de mãe e dona de casa, outra conta a história da vizinha Bina que viveu sempre sozinha, assistindo à morte de cada um dos elementos da sua família directa e a terceira é a vida de todas as avós, amas dos netos. “Três mulheres, três tipos, três realidades próximas de nós, três contextos de desigualdade social profunda, provenientes dos escombros do doméstico”, assinala Helena Mendes Pereira.

A exposição conta ainda com trabalhos da escultora brasileira Márcia Ruberti, que escolheu Portugal, mais concretamente Braga, para viver. “Os museus e as galerias devem ser representativos das comunidades em que actuam e, ao mesmo tempo, acompanhar as mudanças e as alterações nessas mesmas comunidades”, defende a directora da Zet Gallery, adiantando ainda que “a Zet Gallery também pretende espelhar o seu contexto local, em diferentes escalas. E, por isso, depois de conhecer o trabalho da Márcia, não tive dúvidas em integrar a sua visão do mundo nestes mundos femininos”.

Xana Abreu ocupa, nesta exposição, “o único convite directo à contemplação e à calma, um convite a olhar devagar e a não ter pressa, a merecer a surpresa de descobrir uma artista que esperou o seu tempo e que é dona de uma riqueza gestual que impressiona. Porque o que nos impressiona, de facto, é a mulher que pinta no seu próprio mundo, isolada do barulho das luzes e confinada na sua própria verdade e pureza”, conclui a curadora.

A Zet Gallery, mais do que uma galeria comercial, pretende afirmar-se como uma estrutura de programação e de incentivo à criação artística, fundamentalmente, no campo das artes plásticas e visuais, tomando para a Arte o poder de ser a alavanca para se pensar o mundo e se actuar a partir do pensamento.

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