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Ventura Tamba: um guineense que ajuda outros a entrar no IPCA

Ensino

2021-04-05 às 06h00

Redacção Redacção

Jovem criou programa de integração para estudantes internacionais em que apoia outros, desde o aeroporto à abertura de conta bancária.

Ventura Tamba é um dos jovens guineenses a estudar no IPCA. Chegou em 2018 para frequentar a licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e, passados três anos, faz um balanço “muito positivo” da experiência.
O ex-aluno do Liceu Padre António Grilo, onde foi presidente da Associação de Estudantes, viajou desde Bambadinca, na muito carenciada região de Bafatá, em busca do sonho de uma formação superior que seria impossível no país-natal.

“Não é fácil para uma pessoa como eu, que saiu de uma família tão pobre, ter a possibilidade de vir estudar para Barcelos, tirar uma licenciatura e fazer um mestrado”, sublinha Ventura Tamba, agora com 25 anos de idade.
Foi graças à Associação Padrinhos de África e à parceria que esta tem com o IPCA que se tornou possível abrir portas de um futuro diferente para o jovem guineense. “Estudar representa algo muito bom, que já está a mudar a minha vida. Estou muito contente por ter esta possibilidade de estudar, por estar cá em Portugal e por estar no IPCA”, diz Ventura Tamba.
A oportunidade de estudar em Portugal levou Ventura Tamba a desenvolver um projecto destinado a ajudar outros jovens a cumprirem o sonho de tirarem um curso no IPCA.

Chamou-lhe Programa de Integração para Estudantes Internacionais e a ideia valeu-lhe em Dezembro de 2020, o Prémio Valor IPCA/Santander Universidades, no valor de 1700 euros.
O projecto arrancou logo em 2018, pouco depois de chegar a Portugal, e conta agora com a colaboração da Associação Académica do IPCA (AAIPCA).
Segundo Ventura Tamba, tem quatro eixos de intervenção. “O primeiro eixo foca o problema das candidaturas, pois muitos estudantes internacionais têm dificuldades neste processo”, explica. Desde logo porque o acesso à internet é muito limitado em várias regiões de África e até do Brasil.

Através deste programa de integração, Ventura Tampa e a AAIPCA ajudam outros jovens a ultrapassarem as dificuldades que ele próprio sentiu. Nomeadamente, recebendo a documentação necessária e tratando ele próprio de todo o processo de candidatura. “Ontem à noite já fiz 16, hoje vou fazer mais umas 30”, diz.
A ajuda estende-se ao processo de obtenção do visto de residência em Portugal e ao acolhimento, quando os estudantes internacionais chegam ao nosso país. Ventura Tamba realça que, “na maioria dos casos, é a primeira vez que estes jovens viajam para fora do seu país, e alguns deles até para fora da região onde sempre residiram”.

“Nós vamos buscá-los ao aeroporto, seja no Porto ou em Lisboa, e acompanhamo-los até Barcelos. Mas antes disso já tratámos do seu alojamento, seja num quatro ou num apartamento”, explica. O apoio visa, ainda, a integração académica e cultural dos es tudantes internacionais. “Mostramos a cidade, onde é o supermercado, ajudamos a abrir a conta bancária, enfim, tudo aquilo de que vão precisar. Arranjamos sempre um estudante do mesmo curso, que esteja no 2.º ou 3.º ano, para acompanhar e orientar o estudante internacional”, explica.
Ventura Tamba confessa que este projecto lhe ocupa muito tempo, mas a vontade de ajudar é maior do que o cansaço.

“Eu gosto mesmo de fazer isto. Gosto de ajudar as pessoas”, conclui.
A brasileira de 22 anos Caroline Soares, natural do Rio de Janeiro, também faz um balanço positivo da experiência. Veio para o IPCA estudar Design Industrial e destaca que “a maior oportunidade que um curso em Portugal dá a um estudante brasileiro é ter mais facilidade no acesso ao mercado europeu”.
“Como já vou no meu quinto ano de estudos e já passei por três universidades diferentes a estudar Design, posso dizer que gosto da troca de conhecimentos e vivências com professores. Sempre encontramos pessoas com percepções muito diferentes sobre determinados assuntos e professores com diferentes metodologias para os mesmos conteúdos”, sublinha.
Além disso, refere, “gosto imenso de estudar no IPCA, é um local muito acolhedor e receptivo”.

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