Correio do Minho

Braga, quarta-feira

“Vale de Lamaçães é zona de fragilidade que pode agravar-se com a dinâmica climática”
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“Vale de Lamaçães é zona de fragilidade que pode agravar-se com a dinâmica climática”

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As Nossas Escolas

2018-11-14 às 06h00

Isabel Vilhena

A dinâmica climática pode agravar algumas “ameaças” existentes na cidade de Braga e em concelhos vizinhos como Arcos de Valdevez e Póvoa de Lanhoso. O alerta deixado ontem por Renato Henriques, do Departamento de Ciências da Terra da UMinho.

A dinâmica climática pode agravar algumas “ameaças” existentes na cidade de Braga e em concelhos vizinhos como Arcos de Valdevez e Póvoa de Lanhoso. A afirmação de Renato Henriques, docente do Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho, no final de uma sessão dirigida aos jovens da Escola Secundária de Maximinos que se insere no Parlamento Jovem que, este ano, tem como tema as ‘Alterações climáticas, reverter o aquecimento global’.
“O Vale de Lamaçães é uma zona de profunda fragilidade da cidade da cidade. Em geologia chamamos-lhe uma planície de inundação. É um local onde se irão disseminar as águas se houver uma chuva acima do normal”, explicou o docente da UMinho, acrescentando que, “idealmente, devia ser uma zona não ocupada”.

Renato Henriques apontou ainda “problemas na maioria das encostas com a possibilidade de movimentos de massa”, alertando que “temos construções em algumas zonas da cidade que estão nessas zonas de fragilidade, nomeadamente nas zonas da encosta. Há problemas que podem ser potenciados no futuro com a dinâmica climática decorrentes destes movimentos de massa”.
Para o geólogo “as cidades expõem-se, muitas vezes, a este tipo de fragilidades de construção nas linhas de água que fragilizam as populações a resistirem às alterações climáticas”.

Como medida preventiva, a solução apontada por Renato Henriques passa pela “criação de algumas almofadas de resistência, criando possibilidades de escoar a água de forma mais eficaz; retirar a construção de algum ponto onde não devia estar; promover a limpeza e renaturalização das linhas de água que, ocasionalmente, em Braga, já tem sido feito com a melhoria do problema”. Noutros casos, alerta o o investigador “a situação pode ser dramática porque antes de acontecer desgraça, esta deve ser corrigida com obras de engenharia ou devem ser retiradas as pessoas e relocalizadas, como vamos fazer na costa de Esposende”.
Para Renato Henriques “o planeamento do território assume um papel preponderante porque é o melhor instrumento para se anteciparem os problemas. Se pensarmos o território, correctamente, integrando esta valência da dinâmica climática nós certamente teremos um território melhor e mais resiliente”, rematou.

“Um telemóvel tem uma profunda pegada ecológica”

“Vemos uma torre eólica no monte acabada e um telemóvel no bolso e é preciso saber que há uma pegada enorme atrás que começa logo na procura de materiais que são necessários recolher da natureza para fazer estes equipamentos”. O alerta é de Renato Henriques, docente e investigador no departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho.
O investigador afirma que o impacto global dos nossos hábitos de consumo “está pouco contabilizado e colocam-se as fichas todas no dióxido de carbono (CO2) como o grande responsável pelas alterações climáticas”.

Para Renato Henriques este é um mito que importa desmistificar. “O CO2 é apenas uma porção do problema relacionado com as alterações climáticas”, mas há “outros comportamentos que podem ter um profundo impacto climático que é o caso da utilização que damos aos solos, os produtos que usamos no dia-a-dia ou até aquilo que comemos. É o somatório dos impactos locais da utilização do solo que faz mudar localmente o clima e, consequentemente, o clima globalmente.”

O especialista alerta ainda que, contrariamente, aquilo que se possa pensar, “os carros eléctricos tem uma grande pegada que começa, desde logo, na etapa da produção. O carro eléctrico tem dramaticamente um impacto no planeta, que por exemplo tem um carro a diesel, porque são usados elementos raros como o cobalto que são necessários retirar do planeta e que tem impacto profundo na sustentabilidade”, acrescentando que “durante a utilização não tem emissões, mas tem o problema da fonte da energia, se a electricidade não for produzida, maioritariamente, por fontes renováveis, mas se tiver que ser produzida numa central termoeléctrica um carro eléctrico é uma espécie de carro a diesel indirectamente. E no desmantelamento, o carro eléctrico tem problemas graves e com impacto no planeta.”

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