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UMinho transforma-se em bosque de aventuras para crianças
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UMinho transforma-se em bosque de aventuras para crianças

Vieira do Minho promove transferência de competências para as juntas

Braga

2019-06-11 às 17h08

Redacção

Projeto do Município de Valongo parte de um livro infantil para desenvolver competências de autorregulação nos menores e combater o insucesso escolar

Seiscentos alunos de 28 escolas de Valongo, Ermesinde e Maia, no distrito do Porto, vêm à Universidade do Minho esta quarta-feira, dia 12, para participar na "Aventura no Bosque-sem-fim", que inclui várias atividades lúdico-científicas. As crianças frequentam o 4º ano e, inspiradas no livro infantojuvenil “Sarilhos do Amarelo”, vêm organizadas em pelotões de formigas, cada qual com a sua bandeira, grito, pintura facial e cédula. A iniciativa quer combater o insucesso escolar e apoiar na transição do 1º para o 2º ciclo do ensino básico.
 
O programa inicia às 10h30, no Pavilhão Desportivo do campus de Gualtar, em Braga, com as intervenções do presidente do Município de Valongo, José Manuel Ribeiro, do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, do presidente da Escola de Psicologia da UMinho (EPsi), e do coordenador do projeto, Pedro Rosário, que é também professor da EPsi, autor do referido livro e deve surgir mais tarde de barba e bengala, como a personagem Tio Jarbinhas. Seguem-se coreografias e momentos de convívio.
 
Após o almoço, os mais novos vão para a área verde junto da EPsi, transformada no “Bosque-sem-fim” do livro, para participarem numpeddy-paper com seis missões. Por exemplo, vão abordar a reciclagem no “perigo do rio dos soluços”, visitar o “ninho da águia sorridente”, usar uma bola de râguebi na “revolta das galinhas” e andar de olhos vendados ou de sacos de serapilheira. As provas testam a mente e o físico, havendo no final (16h30) prémios para os vencedores e a construção de uma fita coletiva gigante.
 
Projeto científico de três anos
 
Os estudantes vêm ao abrigo do projeto "Aprender a Aprender", criado pelo Município de Valongo, com a parceria da UMinho, através da suaspin-off Edy&Co e do Grupo Universitário de Investigação em Autorregulação da EPsi. Ao longo do ano letivo, os alunos envolveram-se no imaginário do livro "Sarilhos do Amarelo", onde a cor amarela está a ser procurada pelas outras seis cores do arco-íris, cada qual com as suas características, como se fosse uma criança. A ideia é promover as competências e abordagens psicológicas escondidas na narrativa e analisar os problemas como as cores os vivem. Por exemplo, a formiga general exige que o grupo consiga recolher a comida necessária para o inverno; dito de outra forma, é como o aluno conseguir fazer autonomamente os exercícios de matemática.
 
“Com esta vinda à universidade queremos que as crianças comecem a atirar o coração para mais longe, inclusive as de meios mais desfavorecidos, percebendo por exemplo que podem um dia chegar ao ensino superior e que isso vai trazer-lhes uma mudança grande. Acreditamos que todas conseguem os objetivos, dependem do seu trabalho”, refere a investigadora Armanda Pereira, que dedica o pós-doutoramento na EPsi ao projeto “Aprender a Aprender”. Aliás, Valongo quer alargar este projeto até 2021 e para mais anos do ensino básico, por isso prevê-se várias teses de mestrado e doutoramento face ao volume de abordagens e dados produzidos.
 
O trabalho conta com 60 mil euros, com apoio do programa Norte 2020. A cada semana, a equipa de investigação está com as crianças, em contexto de aula com o professor, aferindo competências como saber avaliar, antecipar consequências, ter impacto no outro, ser persistente, obter uma aprendizagem transversal à vida pessoal ou ganhar o sentimento de pertença à escola. “É possível perceber coisas simples ao pedir-lhes para pintarem uma gota para saber de que cor se sentem”, diz Armanda Pereira. Espera-se que esta iniciativa permita aumentar as competências e a motivação dos menores, além de reduzir o absentismo e o abandono escolar. Este modelo educativo tem despertado a atenção de instituições do Grande Porto e em alguns pontos da América Latina.

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