Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +
UMinho: Media são decisivos no combate ao tráfico humano
Milhares de peças do espólio do fotógrafo José Manuel Dias entregue à Câmara Municipal de Viana do Castelo

UMinho: Media são decisivos no combate ao tráfico humano

Noite de apoteose em Amares na antestreia de “Variações

UMinho: Media são decisivos no combate ao tráfico humano

Braga

2013-10-17 às 23h30

Redacção Redacção

“Os media podem ter um papel fulcral no combate contra o tráfico humano, nomeadamente através da publicação de informação dirigida a potenciais vítimas e da divulgação do trabalho promovido pelas ONG”. Quem o diz é Júlia Tomás, investigadora da Universidade do Minho que está a desenvolver o estudo “O tráfico de seres humanos para exploração sexual: Discursos mediáticos e ética jornalística”.

“Os media podem ter um papel fulcral no combate contra o tráfico humano, nomeadamente através da publicação de informação dirigida a potenciais vítimas e da divulgação do trabalho promovido pelas ONG”. Quem o diz é Júlia Tomás, investigadora da Universidade do Minho que está a desenvolver o estudo “O tráfico de seres humanos para exploração sexual: Discursos mediáticos e ética jornalística”.

Em 2012, foram sinalizadas 125 vítimas em Portugal, 40% a mais do que em 2009. Esta sexta-feira assinala-se o Dia Europeu Contra o Tráfico de Seres Humanos.
Embora os órgãos de comunicação levem a uma certa desmitificação do fenómeno, a análise pormenorizada dos discursos mediáticos portugueses revela a existência de “alguma negligência” no que diz respeito ao jornalismo de investigação. “A quantidade de notícias é, de modo geral, baixa, pontual e superficial”, salienta a pós-doutoranda, que promove a 23 de maio de 2014 um congresso internacional sobre a temática.

A investigadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da UMinho considera que há uma estereotipização mediática do tráfico humano. Defende que, para além de focarem “quase sempre” estrangeiros (as prostitutas brasileiras, as redes chinesas, as crianças ciganas), os media tendem em associar o tráfico humano à prostituição, omitindo as restantes formas de exploração, tais como a exploração laboral e extração de órgãos. A utilização de linguagem incorreta, bem como a exposição de fotografias de “mulheres seminuas” ou a descrição de “vestuário provocante” são também alguns dos fatores de peso que conduzem a uma discriminação das vítimas por parte da sociedade. “Os jornalistas deveriam direcionar a atenção para outras questões relacionadas, por exemplo, com redes criminosas, pessoas que beneficiam deste mercado e riscos de saúde para as vítimas”, adverte.

Traficar pessoas para exploração laboral

Relatórios da Segurança Interna e do Observatório do Tráfico de Seres Humanos mostram que, de 2009 a 2012, o tráfico de seres humanos passou de 89 para 125 casos. Se em 2009 a maioria das vítimas terá sido traficada para fins de exploração sexual, o mesmo já não se verificou no ano seguinte com um aumento dos casos ligados à exploração laboral (agricultura, coação para prática de furtos e de mendicidade e outros). Esta tendência mantém-se quer no panorama nacional, quer em situações que envolvam portugueses no estrangeiro. Júlia Tomás, que tinha dedicado a sua tese de doutoramento à invisibilidade social, salienta ainda que as vítimas foram, em 2009, maioritariamente do sexo feminino ao invés dos três anos seguintes.

No contexto europeu, os Estados-membros da União Europeia mostram-se especialmente preocupados com os movimentos migratórios da Europa de Leste. “A abertura recente das fronteiras, juntamente com a situação económica precária destes países, teve um efeito direto sobre o fluxo de tráfico de pessoas no continente”, contextualiza a investigadora. De acordo com o relatório do Eurostat de 2013, 61% das vítimas identificadas provém dos Estados-membros, sendo a maioria de origem romena e búlgara. Oito em cada dez são do sexo feminino e 15% são crianças. A exploração sexual é o motivo mais recorrente (62%), seguindo-se a exploração laboral (25%). Muitos países, principalmente no continente africano, demostram lacunas nos instrumentos legais, “sendo impossível obter condenações apropriadas. Por conseguinte, a proteção das vítimas e a investigação nesta área são inexistentes nesses locais”, denuncia Júlia Tomás.

*** Nota da Uminho ***

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.