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UMinho cria vírus que ataca bactérias para tratar infecções

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UMinho cria vírus que ataca  bactérias para tratar infecções

Ensino

2019-10-30 às 12h00

Redacção Redacção

Investigadores do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho anunciaram ontem que estão a criar vírus que atacam bactérias para tratar infecções.

O Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho está a desenvolver um “novo tipo de fagos sintéticos”, vírus capazes de matar bactérias, para tratar infecções provocadas por organismos resistentes aos antibióticos, anunciou ontem aquele instituto.
O CEB explica — em comunicado — que a utilização em terapia daqueles bacteriófagos, “que apresentam um melhor desempenho”, vão agora ser testados em laboratórios, para depois poderem ser utilizados na “chamada terapia fágica”.

Segundo explica o texto, aquele tipo de organismos tem “apresentando uma resposta promissora para um dos maiores problemas de saúde mundial - a resistência das bactérias aos antibióticos - e uma forma alternativa de tratamento, sobretudo em casos muito graves, incuráveis ou com risco de vida”.

Os resultados, refere o texto, obtidos a partir da investigação realizada “à volta da terapia fágica são promissores”, referindo um artigo cientifico na Revista Nature que descreve como uma equipa de investigadores americanos conseguiu salvar um paciente recorrendo a um fago e países como a Alemanha, França, Suíça e Bélgica têm vindo a intensificar a sua utilização.
“No caso de Portugal, no entanto, este tipo de terapia ainda não está a ser utilizada no tratamento de doentes”, aponta.

A investigação que está a ser desenvolvida no CEB “poderá também ser útil no tratamento de feridas crónicas, infecções sistémicas e urinárias”, sendo que “os investigadores estão a terminar a construção dos primeiros fagos sintéticos e vão agora avançar para testes em animais de laboratório”.

“Uma das principais limitações da terapia fágica é o facto de as bactérias desenvolverem rapidamente resistência ao fago que está a ser usado no tratamento, sendo habitualmente necessária a utilização de uma mistura de fagos ou a administração sequencial de fagos diferentes. Este projecto procura minimizar esta limitação, uma vez que os fagos desenvolvidos, por terem espextros de acção mais alargados, reduzem a probabilidade de ocorrência de resistências”, explica no texto a investigadora responsável por este projecto, Joana Azevedo.

A investigadora do CEB acrescenta ainda que “embora estudos in vivo apontem para a inocuidade dos fagos, a verdade é que uma grande percentagem da informação genética que codificam é desconhecida e, por isso, levanta questões relativas à segurança”.

Os fagos geneticamente modificados que o CEB está a desenvolver “têm quase a totalidade do genoma conhecido”, sendo, por isso, “possível garantir uma maior segurança”.
Portugal é o quarto país da Europa que apresenta as mais altas taxas de mortalidade por infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos.

A utilização excessiva de antibióticos leva à eliminação das estirpes mais sensíveis e, consequentemente, à seleção das mais resistentes, que sobrevivem na presença do antibiótico e continuam a multiplicar-se, causando uma doença mais prolongada ao paciente ou, mesmo, levá-lo à morte.

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