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Entrevistas

2018-02-05 às 06h00

Isabel Vilhena

Os três filhos de Fernando Carlos, Vítor e Moisés partilham da mesma paixão e arte. Hoje são os Irmãos Baraça, Vítor e Moisés, a dar continuidade à obra iniciada pela avó Ana Baraça.

Nasceram no meio do barro e cedo despertaram para a arte de o moldar. Netos de Ana Baraça, figura tutelar do artesanato barcelense, Vítor Gonçalves e Moisés Gonçalves, os Irmãos Baraça têm no ADN a mestria de trabalhar o barro.
Oriundos de Galegos Santa Maria - o berço do figurado de Barcelos - Vítor e Moisés sentem-se profundamente orgulhosos da herança artística da sua avó Ana e convivendo no trabalho diário, lado a lado, com o seu pai Fernando, os mais jovens barristas da família Baraça dão continuidade à arte de modelar o barro.

Herdeiros de tão importante legado, os dois irmãos dedicam-se de corpo e alma ao fabrico de artigos em barro, utilizando a métodos totalmente artesanais. Das suas mãos saem peças que que aliam a tradição e inovação, resultando em obras únicas de artesanato assinadas com uma marca inconfundível: as caras dos Baraças. As caras são a nossa assinatura. Com o simples toque de dois dedos, fazemos a cara que é a nossa marca, explicou Moisés Gonçalves. Uma marca que começou a ser utilizada por Ana Baraça que assim marcava a exclusividade das suas peças.

Moisés lembra que a sua avó e Rosa Ramalho foram as grandes impulsionadoras do figurado de Barcelos. Esta arte começou pela mão de mulheres. Começou com um tipo de peças baseadas no que era representativo da região: trabalhos de campo, peças relacionadas com a religião, os coretos, os galos. Nós tentamos dar continuidade a este tipo de trabalho.
Moisés e Vítor estavam a ultimar uma encomenda de galos que apelidam de galo elegante.Este é um estilo de galo completamente diferente.

"Nós quisemos com esta abordagem fazer com que o galo não tivesse sempre aquela linha do galo tradicional. Quisemos pôr um galo mais elegante, explicou Moisés, salientando que todo o processo é feito à mão. Nós e a Júlia Cota somos das poucas famílias que fazemos este tipo de galo todo manual. Hoje os galos são todos feitos com recurso a moldes.

Abertos à cultura e ao mundo, os Irmãos Baraça continuam fiéis às suas origens, porém, seguem uma corrente mais criativa que alia a tradição e a inovação. Nas suas mãos, a criatividade não tem limites e hoje é reconhecida nacional e internacionalmente. Aliás, esta dupla de mestres na arte do barro pode gabar-se de escolher o seus clientes. Só trabalhamos por encomenda, Temos uma parte de clientes de loja espalhados pelo país e temos os coleccionadores que nos pedem peças personalizadas ou não. Procuramos ter o nosso produto em boas lojas de artesanato. Temos a sorte de podermos escolher as lojas. Encomendas há todo o ano.

O galo é das peças mais procuradas. O nosso galo tem uma procura muito grande. Cada vez mais nos apercebemos que as pessoas querem um galo diferente. O galo comercial está um bocadinho gasto, contou Vítor Gonçalves. A par do galo, os presépios são igualmente procurados. É uma peça que trabalhamos todo o ano. Há muitos coleccionadores de presépios. Devemos ser o país que mais coleccionadores tem desta figuras.
Os irmãos Baraça reconhecem que o artesanato está a atravessar uma boa fase, mas nem sempre foi assim. O artesanato tem altos e baixos e nunca teve numa fase tão alta durante tanto tempo. Em tempos, o artesanato era pouco reconhecido. Era visto como uma arte menor, mas neste momento está numa boa fase, afirmou Vítor Gonçalves, recordando que no nosso tempo de infância não havia muitos jovens a seguir o artesanato. Houve alturas difíceis viver do artesanato, mas hoje as coisas mudaram e o trabalho é reconhecido.

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