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Desporto

2019-02-11 às 06h00

Joana Russo Belo

SC Braga sofreu para vencer o Chaves, por 2-1, numa reviravolta com golos de Dyego Sousa e Claudemir. Guerreiros aproximam-se do líder FC Porto, agora a dois pontos. Adeptos rendidos à equipa: ‘nós só queremos o Braga campeão’, ouviu-se na Pedreira.

Vamos fazer o que ainda não foi feito. A música de Pedro Abrunhosa que se fez ouvir no Estádio Municipal antes da entrada das equipas em campo é uma espécie de mote para o que falta deste campeonato, à imagem do discurso de Abel Ferreira a cada jornada. O triunfo na muralha da Pedreira - único palco invencível na I Liga - diante do Desportivo de Chaves deixa o SC Braga a dois pontos do líder FC Porto e espelha a raça guerreira de uma equipa, claramente, na rota do título nacional. Num jogo sofrido, foi preciso estar a perder depois de um Chaves atrevido marcar como já não fazia há 27 anos e ganhar força pelos mais de 17 mil adeptos nas bancadas para a reviravolta. É um sonho que começa a ser cada vez mais real...

Numa tarde solarenga de futebol à antiga, os guerreiros entraram determinados e embalados pela excelente moldura humana e só não houve explosão dos adeptos logo aos 80 segundos, porque Ricardo Horta atirou ao poste, na recarga a uma defesa incompleta de António Filipe a remate de Esgaio.
Os primeiros minutos foram uma espécie de duelo entre Horta e o guardião António Filipe, já que foram os grandes protagonistas da primeira parte, com o extremo a servir depois Sequeira para um remate à figura e a brilhar com um passe em ruptura para Esgaio, que só não conseguiu fazer melhor à boca da baliza, porque o guarda-redes antecipou-se e agarrou o esférico.

O jogo acabou por baixar de ritmo perante duas equipas encaixadas tacticamente num 4x4x2, com destaque para a organização defensiva dos flavienses, a complicar a tarefa aos guerreiros e a anular as incursões ofensivas. O meio-campo a quatro do Chaves criou grandes dificuldades ao SC Braga com linhas bloqueadas e poucas linhas de passe, com pouco espaço para os arsenalistas jogarem. Apesar da boa réplica dos visitantes, faltou intensidade nas tentativas de saída em contra- ataque, com Rúben Macedo a colocar à prova a defesa e Bruno Viana a travar a jogada. Resultado: até ao intervalo os guerreiros esbarraram na muralha defensiva dos flavienes e o marcador manteve-se a zero.

O balde de água fria surgiu logo aos cinco minutos após o reatamento. Trabalho de William na esquerda, a servir Niltinho. Tiago Sá fez a mancha com uma grande defesa, mas, na recarga, a bola sobrou para Luís Martins, que atirou para o fundo das redes. Há 27 anos que o Chaves não marcava em Braga...
Abel respondeu ao golo com uma dupla alteração, lançando João Novais e Wilson Eduardo, para agitar a equipa. E os frutos foram imediatos. Já do lado do Chaves, a entrada do central Calasan quebrou a boa organização e abriu caminho aos guerreiros. Dyego Sousa falhou por milímetros o desvio após cruzamento de Paulinho. Mas não falhou o alvo aos 64 minutos. O lance parecia perdido, mas Sequeira - o líder das assistências - acreditou e cruzou para o cabeceamento letal do brasileiro.
Com o golo, intensificou-se o assédio e pressão do SC Braga. E a reviravolta surgiu a dez minutos do final. Livre de Sequeira, desvio de Paulinho e Claudemir a surgir ao segundo poste a desviar para o golo do triunfo. Explosão nas bancadas e cânticos que dão força ao sonho. ‘Nós só queremos o Braga campeão’, cantaram os adeptos.

Abel Ferreira: “É fantástico poder jogar com a casa com mais de 17 mil pessoas”

A direcção do SC Braga tinha apelado aos adeptos e a resposta ficou expressa nas bancadas, com 17.362 espectadores no duelo da 21.ª jornada. Apoio que mereceu elogios do técnico Abel Ferreira, logo no arranque do comentário à vitória.
“Parabéns aos nossos adeptos, para nós é fantástico poder jogar com a casa muito bem composta, com 17 mil pessoas, logicamente que nos ajuda muito. Hoje [ontem], passámos por dificuldades e vamos ver as equipas que vão marcar golos a este Chaves, que é uma equipa muito bem organizada e orientada”, começou por dizer o treinador, lembrando que é “cada vez é mais difícil” ganharem.

“O Chaves veio à procura de pontos, de um erro nosso, e o primeiro golo surge de uma perda de bola nossa. Se a um minuto do jogo a bola do Horta entra o jogo ia ser completamente diferente. Também preparámos a equipa para um cenário de desvantagem, sabíamos que iam recuar para uma linha defensiva de cinco, como fizeram nos dois últimos jogos. A grande capacidade desta equipa é a de se adaptar ao contexto, ajustar as velas consoante o vento. Não se fazem bons marinheiros em mares calmos e hoje [ontem] foi agitado”, destacou Abel Ferreira.

No final do jogo, os adeptos pediram o SC Braga campeão, mas Abel lembra que falta ainda muito campeonato: “os objectivos estão muito bem definidos. Dissemos que íamos lutar pelos quatro primeiros lugares, tudo o que eu disser agora não vai ser muito relevante, há muito ponto por disputar. Em Maio vamos ter o que fizermos por merecer e hoje [ontem] merecemos inteiramente esta vitória pela capacidade física, técnica, táctica e, sobretudo, mental”. Realçando que o “momento do SC Braga é aqui e agora”, Abel desafiou ainda aos adeptos a manterem o apoio, “seja 17 mil ou 15 mil, a que horas for”, e elogiou Dyego Sousa. “Parece estranho ser um jogador do SC Braga o melhor marcador, mas é fruto de um trabalho colectivo. É um jogador que está comprometido, a ultrapassar recordes dele próprio e cresceu muito mentalmente”.

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