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Turmas ‘bolha’ é regra de ouro para minorar risco de contágio
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Turmas ‘bolha’ é regra de ouro para minorar risco de contágio

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Turmas ‘bolha’ é regra de ouro para minorar risco de contágio

Entrevistas

2020-09-11 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Direcção do Agrupamento Alberto Sampaio prepara um novo ano lectivo “em condições muito particulares”. Para além de ensinar, escolas têm agora a missão de proteger a saúde dos seus.

Aa actividades lectivas no Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio iniciam no dia 17 de Setembro “em condições muito particulares” que obrigam os estabelecimentos de ensino, a par do cumprimento da sua missa?o pedagógica, a assegurar também “o desígnio de protecção da saúde dos seus, bem como a do meio em que se integra”.
A mensagem da direcção, já transmitida aos encarregados de educação dos 3 500 alunos que vão frequentar, em 2020-2021, os 12 estabelecimentos de ensino que formam o Agrupamento, é acompanhada de um conjunto vasto de regras e procedimentos para evitar ao máximo o risco de infecção por Covid-19.

João Manuel Andrade, director do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, deseja que “a situação que vamos viver não se prolongue”, porque “uma das grandes riquezas da Escola é o contacto interpessoal”.
O docente reconhece que “a Escola não deveria ser isto”, sendo que a definição de regras restritivas para enfrentar a pandemia “não nos deixa realizados como educadores”.
João Manuel Andrade, dando voz ao sentimento que será o de toda a comunidade educativa, espera “que este seja um ano transitório” e que, quanto antes, se possa “dar ênfase a outros projectos , nomeadamente a adesão ao Plano Nacional de Artes”.
No ano lectivo prestes a iniciar, o Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio regista um aumento de alunos inscritos, pelo que, apesar das restrições actualmente impostas pelas autoridades de saúde, “não haverá diminuição da carga lectiva”.

João Manuel Andrade assume que a comunidade educativa Alberto Sampaio está melhor preparada para lidar com a pandemia, depois de um ano lectivo que foi de reacção a uma situação inesperada de saúde pública.
“A Escola teve de se reinventar várias vezes: quando teve de se adaptar ao ensino online, quando teve de voltar ao ensino presencial com os alunos do Ensino Secundário e do Pré-Escolar e está a reinventar-se este ano”, declara o director, salientando que, “durante o mês de Agosto cada escola do Agrupamento procurou criar as melhores condições para a sua realidade”
Nesta como noutras comunidades escolares está-se “a trabalhar agora para que os contágios sejam o mais contidos possíveis e que, caso aconteçam, tenham o menor impacto”.
E o que acontecerá se as infecções por covid-19 surgirem? João Manuel Andrade responde sem qualquer hesitação: “Cumpriremos as decisões da autoridade local de saúde. A defesa da saúde dos alunos é o princípio a seguir”.
Na mensagem enviada aos encarregados de educação, o director do Agrupamento afirma ser “expectável a emissão, pelas autoridades de saúde, de instruções mais detalhadas” sobre como lidar com infecções por covid-19 dentro das escolas.

Neste arranque de ano escolar, as aulas presenciais são regra geral, mas João Manuel Andrade garante que está “tudo preparado para o modo digital”, cenário que ninguém deseja.
“O ensino à distância não é uma solução para ser usada em exclusivo, o contacto presencial faz imensa falta”, alega o director do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, adiantando que o funcionamento de actividades extracurriculares será avaliado nas próximas semanas, tendo em atenção a evolução da situação epidemiológica, sendo já certo que “o desporto escolar não vai arrancar no início do ano lectivo” e que outro tipo de dinâmicas, como os clubes temáticos, só funcionarão desde que permitam o necessário distanciamento social entre alunos.
A dias do arranque de um ano lectivo carregado de incertezas, a direcção do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio acredita “que se iniciou um período crucial, que exigirà a maior atenção de todos na luta contra uma eventual segunda vaga de infecções”, porque “muitas famílias estiveram em contextos e com contactos diferentes dos habituais, voltando agora ao local de origem e aos seus empregos” e porque, “a partir do início das aulas, surgira? um novo momento em que ira? ocorrer um vasto conjunto de contactos desconhecidos.

Apelo ao cumprimento estrito das normas dentro e fora da escola

O isolamento das turmas, na maior parte do tempo, e a utilização pelas mesmas do menor número de espaços possível são
regras a seguir este ano lectivo nas escolas do Agrupamento Alberto Sampaio, adiantando o director que o objectivo é que as turmas funcionem como ‘bolhas’, reduzindo ao indispensável os contactos com a restante comunidade educativa.
Nesse sentido, os horários foram elaborados para conseguir um equilíbrio, entre a manha? e a tarde, do número de alunos nas escolas, contribuindo também para a diminuição da aglomeração de alunos e encarregados de educação nas entradas dos recintos escolares.

Especial atenção vai ser dada este ano lectivo ao serviço de refeições, sobretudo na Escola Secundária Alberto Sampaio e na EB 2,3 de Nogueira, as de maior dimensão.
Dada a limitação do espaço dos bufetes destes dois estabelecimentos, estão pensadas soluções que facilitem o acesso dos alunos a alimentos e a bebidas embalados, a par da instalação de pontos de carregamento auto- ma?tico de cartões.
João Manuel Andrade está ainda expectante sobre a procura do serviço de refeições nas cantinas, sendo certo que, caso a mesma não diminua, terão de ser alargados os espaços para servir o almoço.

O funcionamento das aulas de Educação Física está a ser analisado “com bastante cuidado”, alegando o director do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio que “o problema não é a realização das aulas em si”, já que há espaços cobertos e ao ar livre suficientes para tal, mas a limitação dos balneários. As aulas práticas desta disciplina diminuirão, por isso, de 25 para 8 a 10 por dia.
Na comunicação com os alunos e famílias, bem como no apoio ao funcionamento das disciplinas, a regra é a utilização de meios digitais. “Evitar ao máximo o papel” nesta fase facilitará, em caso de necessidade, uma transic?a?o imediata para o ensino à distância.

As escolas Secundária Alberto Sampaio e EB 2,3 de Nogueira estarão equipadas como câmaras web oferecidas pelas associações de pais para um eventual acompanhamento das aulas a partir de casa.
No último ano lectivo mais de uma centena de computadores e tablets foram emprestados a alunos do Agrupamento de Escolas, aguardando a direcção por indicações do Ministério da Educação relativamente ao prometido fornecimento de equipamentos informáticos a todos os alunos no ano lectivo prestes a iniciar.
Se “o respeito pelas regras definidas para cada espaço, bem como pelos hora?rios, devera? ser o mais estrito possível, permitindo o funcionamento articulado das escolas” do Agrupamento, a direcção alerta que esses procedimentos de nada servira?o se todos, nas escolas e fora delas, “na?o cumprirmos escrupulosamente os cuidados de saúde previstos para a pandemia”.

Aumentaram as tarefas, mas funcionários não docentes são os mesmos

O director do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio lamenta que o Ministério da Educação não tenha avançado pelo aumento dos quadros de pessoal não docente das escolas num quadro de aumento de tarefas dos funcionários para fazer face à pandemia covid-19.
“A tutela permitiu apenas às escolas secundárias o acesso a uma bolsa de recrutamento para a substituição de funcionários com maior rapidez”, adianta João Manuel Andrade, ressalvando o aumento da carga de trabalho do pessoal docente envolvido em tarefas de desinfecção de instalações e de vigilância do cumprimento de procedimentos de protecção individual e colectiva
“As tarefas aumentaram mas não os funcionários”, lamenta o director do Agrupamento de Escolas, referindo que estão a ser “cumpridos apenas os racios de funcionários por alunos”.

Quanto ao corpo docente, João Manuel Andrade regista especial preocupação “com o elevado número de patologias” num grupo profissional envelhecido. Mais de uma centena de professores do Agrupamento, isto é, cerca de um terço do total, têm mais de 60 anos de idade
A par do pessoal não docente, o director assinala “a grande generosidade do corpo docente”, a sua “vontade de trabalhar” num contexto difícil, com salas de aulas que, apesar das regras de distanciamento social, funcionarão com lotação esgotada.

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