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‘Trapos’ que fazem a diferença na vida de pessoas especiais
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‘Trapos’ que fazem a diferença na vida de pessoas especiais

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‘Trapos’ que fazem a diferença na vida de pessoas especiais

Braga

2019-08-25 às 08h00

Paula Maia Paula Maia

O ‘Papa Trapos’ é um atelier de costura muito original e único. Cristina Abreu inspirou-se na sua própria vida para dar asas à sua maior paixão, confeccionado, entre outros artigos, roupas e acessórios para pessoas portadoras de deficiência.

Cristina Abreu é uma modista de mão cheia. A transbordar de talento e sensibilidade, decidiu há alguns a anos criar o ‘Papa Trapos’, um atelier de costura que quebra com todas as regras de um espaço convencional deste género. Quem conhece a história de Cristina percebe muito bem porquê. Mãe de uma criança portadora de uma deficiência rara, percebe muito bem as dificuldades que os pais destas crianças com necessidades especiais enfrentam no dia-a-dia. O vestuário é apenas uma dessas pequenas dificuldades, ma que não deixa por isso de ser também muito importante.
Comprar ou adaptar uma peça de roupa ou um acessório às necessidades específicas de crianças e adultos com deficiência nem sempre é fácil e/ou económico. Bem pelo contrário. Há pais que se vêem obrigados a comprar artigos no estrangeiro a preços exorbitantes, muitas de vezes incomportáveis para uma família já de si fragilizada. “Arriscaria a dizer que sou a única modista em Braga que fez este tipo de trabalhos. Para já porque ‘sinto na pele’ a necessidade de obter certos produtos que não se encontram no mercado. Depois porque os que se encontram não são propriamente para a carteira de qualquer pessoa”, argumenta Cristina. “Sei muito bem o que os pais sofrem por precisarem de um cinto que pode custar 200 euros”, continua a modista.
No ‘Papa Trapos’ suavizam-se os preços de muitos artigos que são fundamentais para a qualidade de vida dos portadores de deficiência- sejam criança e adultos - sobretudo no que à roupa diz respeito. “Temos crianças com cateteres centrais, ligados ao coração, e com mobilidade. Conseguem facilmente arrancar os cateteres. Se não tiverem uma roupa justa, fácil de vestir e despir, podem arrancá-lo. Temos crianças com botão gástrico que precisam também de ter um acesso fácil e um body que aperte entre pernas não facilita nada a vida aos pais.?Temos crianças com sondas nasogástricas que exigem uma camisola adaptada que aperte atrás ou à frente”, explica a modista.
A peça pode ser adaptada ou criada de raiz.
Dada a especificidade e importância do seu trabalho, Cristina recebe no seu atelier centenas de clientes oriundos de vários pontos do distrito e fora dele. “Tenho clientes de?Famalicão, Barcelos, Guimarães, Vigo, Madrid (Espanha).
A página que criou nas redes sociais (Papa Trapos) ajudou a levar o seu projecto bem longe. Tem participado em várias feiras temáticas e até foi convidada pela autarquia bracarense para participar na Feira de Empreendedorismo.
O atelier de Cristina é, pelos factos apresentados, muito mais do que um local de trabalho. Há muito tempo que se transformou numa verdadeira rede de inter-ajuda onde os problemas e dificuldades das famílias são partilhados, assim como as soluções.

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