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“Temos ambição e capacidade para sermos dos melhores clubes da Europa”
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“Temos ambição e capacidade para sermos dos melhores clubes da Europa”

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“Temos ambição e capacidade para sermos dos melhores clubes da Europa”

Desporto

2020-04-04 às 06h00

Ricardo Anselmo Ricardo Anselmo

A secção de Kickboxing, Boxe e Muay Thai vem registando uma evidente ascensão ao longos dos últimos anos, tanto no crescente número de praticantes como de resultados desportivos. Na opinião de Paulo Carvalho, director da secção, tudo se vem conjugando para, que no futuro, o clubes possa, nestas modalidades, ser reconhecido como um dos melhore no panorama europeu. Covid-19 só veio atrasar esse crescimento, que é inevitável.

É uma situação ímpar, aquela que se vive por estes dias na secção de Kickboxing, Boxe e Muay Thai do SC Braga. Tudo está parado em função da propagação do novo coronavírus e, para além disso, todas as provas em que a secção iria participar ou até mesmo organizar, foram canceladas, pelo menos até ao verão, altura em que se fará uma avaliação dos estragos - caso a fase crítica já tenha passado - e logo se verá se o que está previsto até ao final do ano se mantém ou se terá, também, de ser riscado do calendário.
Paulo Carvalho, 34 anos, é o director da secção e conta, na primeira pessoa, como se tem vivido as últimas semanas.

“Isto surgiu de repente e parou-nos os treinos. A nossa secção está completamente parada e as competições foram todas suspensas. Não sabemos quando poderemos voltar. É um bocado complicado gerir esta ansiedade com os atletas e com os treinadores. Esta interrogação de não sabermos quando poderemos voltar está a ficar complicada de gerir”, lamentou, garantindo que vai mantendo contacto com todos.
“Como responsável da secção falo com eles todos os dias. Procuro saber se está tudo bem com eles e com as famílias”, assegurou.
No ano passado, o clube organizou a primeira edição do ‘Braga Pro Boxing’, em evento que se revelou um sucesso e que poderia voltar a sê-lo em 2020, mas tal não será possível. Aliás, muitos dos combates e provas agendadas no calendário foram cancelados e, veremos, se o que está programado para o final do ano ainda se manterá...

“Tínhamos preparado três eventos até ao final de Julho, que neste momento estão cancelados. Tínhamos preparado o Braga Pro Boxing e uma Gala de centenário de boxe no dia 21 de Março e também esses foram cancelados. Um torneio internacional nos dias 3, 4 e 5 de Julho que também foi cancelado. No final do mês de Julho teríamos uma gala de kickboxing e também está tudo cancelado derivado a este vírus. Foram cancelados e não adiados porque não sabemos quando poderemos retomar a actividade normal”, frisou, sem esconder uma apreensão pelos ‘danos’ que esta situação poderá causar.
Não podemos prever datas porque não sabemos o evoluir desta situação. Estamos apreensivos em relação ao que pode acontecer na actividade desportiva, não só nas nossas mas em todas as modalidades”, sublinhou.
Ainda assim, ao longo dos últimos anos, o crescimento destas modalidades de combate tem sido uma evidência no SC Braga, e Paulo Carvalho fala, com orgulho, desse facto incontestável.

“Estamos numa fase ascendente. Temos cada vez mais praticantes e cada vez melhores resultados. Temos percorrido vários torneios e vários eventos a nível europeu e mundial. Procuramos sempre que os nossos atletas evoluam”, disse, lamentado apenas as limitações do espaço, ainda que isso, por outro lado, seja um bom sinal.
“O sítio onde treinamos é um pouco limitado. Na altura, quando o executamos, pareceu-nos adequado mas, felizmente para nós, as pessoas têm vindo a interessar-se pela nossa modalidade - também derivado ao sucesso que os nossos atletas têm tido e à exposição mediática disso - e o espaço começa a ser pouco”, reconheceu, ao mesmo tempo em que se mostra esperançoso num futuro (ainda mais) risonho.
“Esperamos continuar assim durante muitos anos e agora, com a segunda fase de construção da cidade desportiva, com um espaço novo, teremos possivelmente, a capacidade e a ambição para sermos um dos melhores clubes a nível nacional e europeu de Boxe e Kickboxing”, concluiu.


Luciano Machado: “Os atletas têm mantido condição física”

Trabalha(va) diariamente com cerca de 70 atletas, mas neste momento “está tudo praticamente em ‘stand-by’”, sendo que o que preocupa é, também, a preparação dos atletas em casa. “Ainda estamos numa fase de avaliação porque o nosso tipo de treino, se não houver combate, é mais dedicado à condição física em geral. Se tivermos alguma competição prevista para daqui a um ou dois meses é que os preparamos para estarem no pico de forma na altura do combate. Os atletas não podem andar sempre no pico de forma. Basicamente os atletas têm seguido um plano geral para irem mantendo a condição física”, disse. Depois de alguma resistência, o Comité Olímpico Internacional acabou por adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio, decisão que Luciano Machado vê como a mais sensata. “Espero estar enganado mas isto tão cedo não estará resolvido. Vai ser uma batalha dura e estar em pôr em risco a saúde dos atletas - quando muitos estão em países com situações críticas da pandemia - acho que era um erro”, frisou, aproveitando para deixar uma mensagem a quem está, por estes dias, em casa. “Mantenham a saúde psicológica. Se vos apetecer bater em alguma coisa aproveitem para dar uma corrida na rua ou batam numa parede (risos). Que ninguém entre em pânico porque tudo vai passar”.

Federação reconhece “que o trabalho que está a ser feito no SC Braga é de qualidade”

Distinguido recentemente pela Federação Portuguesa de Kickboxing e Muay Thai, Zenga vê no galardão que recebeu “o reconhecimento de que o que está a ser feito no SC Braga representa qualidade”, ressalvou, ao mesmo tempo em que dá conta das limitações para treinar por estes dias. “Eu treino em casa, os meus treinos são limitados. Felizmente tenho uma passadeira e dá para correr um pouco e fazer exercício físico. Mas o que o meu corpo pede não é corrida, é um exercício mais explosivo e neste momento não tenho essa oportunidade”, disse, já perspectivando um possível regresso, seja lá quando isso for possível. “Vai ser preciso restabelecer as condições físicas. O que acredito é que o peso e a altura são factores determinantes para termos uma vantagem inicial no combate. Se formos mais altos e tivermos o peso bem distribuído temos alguma vantagem sobre quem tem menos altura por causa do alongamento do braço e a distância. Não queremos que ninguém passe fome mas primeiro temos de perceber em que patamar eles estão e qual foi o tamanho do estrago”, explicou.
Zenga falou ainda dos combates mais marcantes de que se recorda. “Os dois combates do Robert Baltaru com grandes atletas, mas na Strickers League, em Lisboa, contra o Otávio Vasconcelos, num combate onde nos mudaram as regras à ultima da hora (de repente já podiam atirar para o chão mas não podiam bater; os rounds, em vez de três minutos, passaram a ser de cinco). Isso faz com que tenhamos de alterar toda a estratégia que tínhamos preparada de gestão de esforço. De repente foi tudo alterado. Depois, o Alexandre Cunha e o João Carvalho, quando foram campeões no Mundial da Argentina. Este último campeonato da Europa, em que o Alexandre foi vice-campeão. Os combates profissionais que fizeram em Espanha. Marcou-me o combate que o 'Paulinho' (Carvalho) fez no campeonato nacional de Muay Thai e perde na final com um sobrolho cortado, mas ele aí mostrou mesmo que iria ser um guerreiro”, concluiu.

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