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Entrevistas

2020-04-01 às 06h00

Rui Alberto Sequeira Rui Alberto Sequeira

Responsável executivo do Eixo Atlântico analisou a actual situação provocada pela pandemia Covid-19.

“Uma das primeiras coisas que vamos aprender com esta crise é que os sistemas públicos de saúde vão ter de ficar blindados”, considera o secretário geral da associação Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, que aponta também para a necessidade de se investir na investigação.
“Toda a gente está à espera de uma vacina. Uma vacina é investigação”, refere o responsável executivo do Eixo Atlântico, acrescentando que as novas políticas públicas vão ter de ser “marcadas pelos cidadãos e pelo social”.
Exemplificou que é isso que “estão a fazer as câmaras municipais para resolver o problema da alimentação dos carenciados, ou para fazer com que ninguém fique sem casa”.
Xoan Mao insiste que, debelada a emergência sanitária provocada pela Covid-19, “a prioridade é a economia, a investigação, a saúde e a acção social”.
Essa “agenda social e de investimento” terá de contar com “uma Comissão Europeia mais executiva”, ou seja, “radicalmente distinta” da actual.
“Vai ser muito duro, mas sou optimista. Se calhar, 2021 vai ter um crescimento económico maior do que o esperado”, refere Xoan Mao, confiante que a crise económica e social que se antevê “não vai ser o fim do mundo”, mas vai obrigar a “corresponsabilidade entre empresas e trabalhadores”.

“Não deixar o FMI falar”
“Uma das coisas satisfatórias desta crise é que o FMI está calado”, afirma o secretário geral do Eixo Atlântico. “Temos de ter a preocupação de não deixar o FMI falar”, insiste, sublinhando que a pandemia da Covid-19 e as suas consequências afectam o mundo inteiro.?Assim, “não dá para uns especularem com a crise dos outros”. Segundo Xoan Mao, o facto de “estarmos todos na mesma situação vai-nos ajudar muito”, já que as economias “estão muito entrelaçadas”.
Nos tempos que se avizinham, é fundamental que “o dinheiro não vá mais para financiar bancos” e que os cidadãos não sejam “espectadores passivos, sim actores activos que decidem políticas”. Entende o secretário geral do Eixo que, “depois da disciplina”, esperança será a nova palavra de ordem, até porque Portugal e Espanha já saíram de “crises muito maiores do que esta”. A nossa guerra colonial e guerra civil espanhola, por exemplo.

Capital da Cultura com financiamento assegurado
Xóan Maio garantiu ontem todo o financiado à Câmara Municipal de Braga para a realização da programação da Capital da Cultura do Eixo Atlântico, a qual foi suspensa por causa da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. O secretário geral do Eixo Atlântico adiantou que está já a negociar com a entidade gestora de fundos comunitários para a cooperação transfronteiriça o reforço do envelope financeiro para o evento.
A associação atribui um apoio directo de 25 mil euros à realização da Capital da Cultura, mas o grosso do investimento vem de fundos comunitários.
Xóan Mao esclareceu que a programação da VI Capital da Cultura do Eixo Atlântico, atribuída este ano à cidade de Braga não foi cancelada, antes adiada por um período de mínimo de três meses.
Está garantido que os eventos que já não se realizaram ou não o vão ser no calendário inicial serã recalendarizados, prolongando-se a Capital da Cultura do Eixo Atlântico até Abril ou Junho de 2021.
“Vamos continuar com todas as actividades programadas. Está garantido o financiamento, inclusivé dos fundos comunitários, e está a ser negociado um adicional ao orçamento”, declarou o secretário geral do Eixo Atlântico.

Braga e Viana do Castelo na primeira linha de combate
O secretário geral da associação de municípios Eixo Atlântico do Noroste Peninsular apontou ontem as câmaras de Braga e Viana do Castelo como exemplos de autarquias que “estão na primeira linha de combate” à pandemia da Covid-19. Em entrevista à Rádio Antena Minho, Xoan Mao elogiou também Lugo e Santiago de Compostela, do lado da Galiza, como municípios em que “peso das lideranças autárquicas” revela-se na resposta à crise sanitária. O secretário geral do Eixo Atlântico destacou também o Governo português que declarou o estado de emergência face à propagação do novo coronavírus, em contraponto com o Governo espanhol que, na sua opinião, está a ser vítima de “inexperiência” no ataque à pandemia.
“Onde temos líderes é onde se nota a diferença”, constata Xoan Mao, satisfeito igualmente com as medidas impostas pelo governo autonómico da Galiza para fazer face à expansão da Covid-19.
“A comunidade autonómica está com uma atitude óptima, com bom senso, as estruturas sanitárias estão a responder bem”, atesta o secretário geral da associação que agrega municípios do Norte de Portugal e da Galiza.
“Estamos a perceber a importância que têm as regiões, as que têm dado um contributo importante para a saída desta crise”, adiantou. No meio da crise pandémica, Xoan Mao constata que se estão “a identificar lideranças inesperadas”, referindo o presidente da Xunta da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, como alguém que “nesta crise está a ser um autêntico líder”.
Sobre as perspectivas da cooperação transfronteiriça entre o Norte de Portugal e a Galiza neste quadro de crise, o secretário geral do Eixo Atlântico não duvida que ela deve manter-se, reforçar-se até.
“A nossa força está na cooperação. Somos uma massa crítica de sete milhões de habitantes e a porta de entrada de mercadoria”, alega, defendendo um reforço do investimento público em infraestruturas “no dia a seguir” à crise pandémica.
“Estamos a trabalhar todos os dias para preparar uma bateria de medidas para o dia depois. Estamos a fazer todos os estudos e relatórios para negociar com os governos de Portugal e Espanha”, declara, apontando como crucial para o desenvolvimento próximo da euroregião a criação de uma linha ferroviária moderna e competitiva no eixo atlântico entre Lisboa e Corunha.
Xoan Mao entende que as câmaras municipais “vão ser muito importantes” no momento de relançamento que se seguirá a um período de “cinco meses perdidos na economia”.


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