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Entrevistas

2021-10-04 às 06h00

Juliana Martins Juliana Martins

A pandemia teve o condão de permitir “descobrir Braga” a Afonso Dorido. Com o alter-ego de Homem de Catarse criou um retrato sonoro cuja inspiração são pedaços da capital do Minho. Os locais deram nome aos sete temas do disco.

O gosto pela música surgiu desde cedo na sua vida. Na pré-adolescência, Afonso Dorido imaginava em qualquer objecto comum um instrumento, passando rapidamente da vassoura para a guitarra clássica. Com 13 anos começou a aprender a tocar guitarra, com o passar do tempo começou a tocar com amigos, integrou algumas bandas e, hoje, assume a música como principal ocupação.
Já participou em vários projectos, actualmente integra a ‘Indignu’, banda formada em Barcelos em 2004. Mais recen- temente, em 2015, estreou-se a solo com o alter-ego ‘Homem em Catarse’, tendo já lançado alguns discos e álbuns, como o ‘Guarda-Rios (2015)’, ‘Viagem Interior’, ‘Homem em Catarse - ao vivo na Porta 253’ (2018), ‘sem palavras/cem palavras’ (2020) e o seu mais recente trabalho, o disco ‘Sete Fontes’.
O ‘Homem em Catarse’ “é um projecto mais pessoal”, que surge com a necessidade de deitar “cá para fora aquilo que sinto”, admite o multi-instrumentalista. Para Afonso Dorido este projecto a solo “é um elogio e uma personificação da catarse humana”, representando a sua identidade e a sua forma de fazer arte.

A palavra homem pretende transmitir o valor de humanidade, a ideia de que “que as músicas são orgânicas e que são feitas por uma pessoa, não sendo ”demasiadas correctas, nem pré-formatadas”. Por sua vez, a palavra catarse surge inerente à ideia de “arte enquanto forma de mandar para o mundo aquilo que queremos reciclar, que queremos purificar”, explica o artista.
A música para Afonso Dorido é acima de tudo “partilha de emoções e sentimentos”. Já produziu inúmeros temas, mas destaca os discos ‘Viagem interior’ e ‘Sete Fontes’ como uma parte importante no trajeto do ‘Homem em Catarse’. Afonso Dorido explica que estes dois trabalhos estão relacionados pela vertente geográfica que apresentam e por “olharem os dois para os territórios”. No entanto, refere que são “olhares completamente diferentes”. O ‘Viagem Interior'', álbum lançado em 2015, foi, segundo o artista ,“uma viagem” que se predispôs a fazer. Contrariamente, o ‘Sete Fontes’ não surgiu de forma propositada, foi um álbum “impulsionado pelas circunstâncias da pandemia”, confessa Afonso Dorido.

2020 foi para todos um ano marcado por confinamentos e privações a vários níveis. O ‘Homem em Catarse' também acabou por sofrer com as limitações inerentes ao periodo de pandemia, perdendo “em poucos dias o trabalho que tinha para meses”. Todavia, Afonso Dorido afirma que “mesmo nas alturas mais difíceis, há sempre algo que nos pode salvar”. No seu caso, a boia de salvação “foi o piano, foi compor Sete Fontes”.
Esta fase mais parada permitiu, assim, que o artista descobrisse Braga. O multi-instrumentalista confessa que acabou “por sentir a cidade de uma outra forma”, revelando que ficou a conhecer locais que desconhecia na sua cidade e mesmo, os locais que já conhecia “ganharam um significado diferente”.

Os locais por onde deambulando deram nome aos 7 temas do ‘Sete Fontes’, nomeadamente o Pêndulo da Sé, Santa Marta das Cortiças, Rua do Souto Deserta, Valsa dos Biscainhos, Pastor da Serra dos Picos, Moinhos de Portuguediz e, por fim, a Nascente do Este. Estes espaços serviram “como inspiração e como retrato sonoro” afirma o artista, acrescentando que o objectivo foi transmitir a energia de cada um dos locais, “é um disco muito sensorial, para que quem ouça consiga absorver a energia do local”. Para transmitir essa energia a base foi “aquilo que vi, vivi e senti no local”, refere.

Apesar da privação de liberdade sentida na pandemia, Afonso Dorido salienta que nesse período “conseguimos estar com as pessoas mais próximas, apercebemos que na nossa cidade há sítios bonitos, passamos a ter tempo”. Tempo que o autor considera um bem valioso, reiterando a necessidade de “parar e respirar e ter qualidade de vida em vez de velocidade na vida”.
O ‘Sete Fontes’ representa, assim, para o autor “essa tranquilidade”, definindo-o como “uma pausa para respirar”. Para além de cada um dos temas transmitir a energia de cada um dos locais, este disco também tem uma “mensagem para o futuro”, um futuro que para Afonso deve ser “mais ligado à natureza”.

Este álbum surge, deste modo, como um elogio à natureza e o seu nome ‘Sete Fontes’ não foi escolhido ao acaso. Pretende precisamente realçar que “é urgente apostar num parque na cidade de Braga, um espaço para fugir ao frenesim”, destaca o artista. Afonso Dorido defende, assim, a necessidade de uma zona natural, onde “as pessoas possam respirar”, referindo que o disco para além de evocar locais naturais, também evoca “um caminho para o futuro”.

Para além desta perspectiva para o futuro, o autor considera este álbum especial por ser o seu primeiro trabalho inteiramente a piano, algo que destaca como uma “superação”. No disco teve a sorte de “gravar num piano vertical acústico”, algo que só foi possível com o apoio do Gnration. Este espaço de criação, performance e exposição no domínio da música desenvolveu um projecto “Trabalho da casa” que ajuda e proporciona a criação artística de pessoas naturais ou residentes em Braga. Neste contexto, o artista afirma que o Gneration desde cedo mostrou “um grande entusiasmo” face ao ‘Sete Fontes’, revelando que “houve uma sinergia em torno de Braga” que começou pelo gnration, mas que passou por todos os que colaboraram no disco, concluindo que o objetivo foi fazer “um disco sobre Braga, mas que tivesse Braga dentro dele”.

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