Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Sessenta por cento dos doentes não reconhece os sintomas de um enfarte
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Sessenta por cento dos doentes não reconhece os sintomas de um enfarte

Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima

Braga

2018-02-14 às 06h00

Paula Maia

Conhecer e compreender os sinais de um enfarte permite agir rapidamente e procurar ajuda médica, através do 112. Conselhos que podem salvar vidas e que constituem a principal mensagem neste Dia Nacional do Doente Coronário.

São mais de quatro mil os portugueses que, em 2017, morreram devido a Enfarte de Miocárdio Agudo. Na Europa, Portugal ocupa o quarto lugar em termos de mortes por esta condição.

A exposição a factores de risco, como o tabaco, dieta rica em gorduras, o colesterol elevado, a hipertensão arterial, diabetes, o sendentarismo ou stress - sem esquecer a componente hereditária - explicam o número de casos que afectam sobretudo os homens acima dos 60 anos, mas que tem atingido também faixas etárias mais baixas.

O factor tempo é o mais importante para o doente.?Dele depende, em primeiro lugar, a própria vida, e as sequelas que vão desde a insuficiência cardíaca, às arritmias, entre outras. Para isso é fundamental que os cidadãos saibam o que é um enfarte, identiquem os sintomas e tenham conhecimento a quem ligar quando os sentem.

A campanha Não perca Tempo, Salve uma Vida, lançada a nível europeu e desenvolvido a nível nacional pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) tem como objectivo de reduzir o número de mortes causadas por um enfarte Agudo do Miocárdio, vulgarmente conhecido por ataque cardíaco. Conhecer e compreender os sinais de um enfarte permite agir rapidamente e procurar ajuda médica, através do número europeu de emergência, o 112.

Quando mais tempo passar menores serão as possibilidades de recuperação. A cada minuto que passa o risco de morte aumenta.

Somos muito bons a tratar, mas não a prevenir, referia o presidente da APIC, João Brum Silveira, que acompanhou, na passada semana, um cateterismo de diagnóstico no Hospital de Braga, frisando não só a importância de prevenir, mas, principalmente, de capacitar a população sobre os procedimentos a seguir quando se deparam com sintomas de um enfarte.

Sessenta por cento dos doentes não reconhecem os sintomas. É fundamental que perante uma dor no peito, um peso, uma ardência que muitas vezes vai para o pescoço, a mandíbula, para as costas ou braço, acompanhado de suores, nauseas ou vómitos, o doente ligue o 112 para, através desse serviço, entrar na Via Verde Coronária, alerta o responsável, avançando que apenas 1/3 dos doentes liga para este número demergência. A maioria vai para um hospital que não tem capacidades para efectuar o tratamento, continua João Brum Silveira.

Com meios necessários para efectuar o diganóstico diferenciado e estabilizar o doente, a equipa de emergência médica encaminha o doente para o hospital de referência nesta área onde poderá ser tratado por uma equipa especializada que tem como principal objectivo desobstruir a(s) artéria (s) e restabelecer o fluxo sanguíneo interrompido, de modo a preservar o mais possível o músculo cardíaco e a sua função. A maioria dos doentes chega fora da janela dourada em que podem obter o maior benefício do tratamento e voltar a ter uma vida normal, continua o presidente da APIC.

A causa mais comum para esse bloqueio é a asterosclerose, uma placa que se forma no interior da artéria devido a gorduras e outros elementos que se vão depositando na veia e que, a determinada altura, rompe formando um coágulo que impede a circulação do sangue.

A artéria é desobstruída através de um fio guia que se faz avançar através do braço. Insufla-se um pequeno balão e, seguidamente, procede-se à implantação de uma pequena rede matálica - stent - que funciona como uma espécie de remendo que mantém a artéria desobstruída de forma permanente , continua João Brum Silveira, ao descrever o que na prática médica se designa angioplastia coronária.
Com este procedimento, a probabilidade da artéria voltar a entupir é, segundo o cardiologista, de 5% e a probilidade de se formar um novo coágulo é de 1% ao fim de um ano. Estamos a falar de algo que é altamente eficaz e extremamente seguro, ecvitando mortes, remata.

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