Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Serviços públicos essenciais delapidados nos últimos anos
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Serviços públicos essenciais delapidados nos últimos anos

“Árbitro fraco, sem categoria e, acima de tudo, sem coragem”

Braga

2019-01-13 às 06h00

José Paulo Silva

Federação Nacional da Educação promoveu ontem debate sobre educação e formação. Secretário-geral da UGT censurou descuido dos últimos governos com os sectores da educação e saúde.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, denunciou ontem, em Braga, “a delapidação dos serviços públicos” fundamentais como a Educação e a Saúde, em parte pela “desvalorização do factor trabalho”. Na abertura da conferência ‘Educação e Formação para um desenvolvimento sem desigualdades’, promovida pela Federação Nacional de Educação (FNE), o líder daquela central sindical considerou que, “se o factor trabalho for desvalorizado, se as carreiras não forem reconhecidas”, não haverá garantias de qualidade na educação e na formação. A conferência realizada no Altice Fórum Braga foi a penúltima de um ciclo, iniciado há cerca de um ano e que encerra este mês, com o objectivo de, segundo o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, apresentar ao Governo “contributos para um melhor sistema de educação e formação”, que seja “mais equitativo”.
Carlos Silva aproveitou a conferência para acusar os últimos governos em Portugal de “governarem para cumprir regras orçamentais”, alterando, na área da Educação, carreiras do pessoal docente e não docente, prejudicando a “paz social”.

O secretário-geral da UGT apontou a enorme carência de assistentes operacionais nas escolas como exemplo da “delapidação dos serviços públicos a que assistimos nos últimos anos”.
Numa altura em que os professores prometem novas formas de luta pela reposição do tempo de serviço, Carlos Silva declarou que “não desistir e uma forma de reivindicar a democracia”.
João Dias da Silva reconheceu também que "o tempo não tem sido fácil para os trabalhadores da Educação, docentes e não docentes”.
O secretário-geral da FNE defendeu que “para termos qualidade na Educação é fundamental que os trabalhadores sejam reconhecidos e valorizados”, adiantando que “em muitas circunstâncias não se têm tomado medidas adequadas à qualidade das condições de trabalho de docentes e não docentes”.

O dirigente sindical dos professores referiu a recente paralisação de assistentes operacionais do Agrupamento de Escolas de Maximinos” como sinal da “insuficiência muito grande” deste tipo de funcionários, situação que se junta à “insatisfação dos professores a quem não é reconhecida recuperação do tempo de serviço”.
Sobre a discussão que tem vindo a ser feita no ciclo de seminários, João Dias da Silva afirmou que a mesma tem concluído que “a Escola pode fazer a diferença, pode atenuar a desigualdades de acesso ao conhecimento”. O dirigente da FNE entende que “a oferta formativa do país é excessivamente ligada às questões da empregabilidade e da economia”, não estando a ser atendidas preocupações como a equidade de acesso ao sistema de ensino e de formação.
“As preocupações sindicais com o conhecimento e a investigação que se vai fazendo são fundamentais para tomar boas decisões”, acrescentou.

Crise da evidência e o politicamente correcto são obstáculos à cidadania crítica

A “crise da evidência” e o “politicamente correcto” são dois obstáculos a uma educação e cidadania críticas, defendeu ontem Rui Estrada, da Universidade Fernando Pessoa, na con- ferência ‘Educação e Formação para um desenvolvimento sem desigualdades’. Sobre a a crise da evidência, apontou o fenómeno da sobreinformação , as ‘fake news’ e os factos alternativos como obstáculos à necessidade de “transformar informação em conhecimento crítico”.
Segundo Rui Estrada, “apenas alguns sabem lidar com a sobreinformação, daí que surja a crise da evidência” que origina as ‘fake news’ e a realidade alternativa.
“Não há uma educação politicamente correcta”, admitiu, por outro lado, aquele professor catedrático, que apontou os perigos da tentativa de criação de “um mundo asséptico e isento”.
“Todos somos ofendidos profissionais, peticionários profissionais”, constatou Rui Estrada, crítico de um clima instalado de “ofensa generalizada, censura e de ‘no platform’ que está a matar a liberdade de expressão e de pensamento”.
Aquele académico entende que há actualmente “um acesso desmedido à informação”, confundida com conhecimento por uma excessiva inflação da tecnologia em detrimento do pensamento crítico e da reflexão.

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