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Selfies e redes sociais massificaram auto-representação e formas de retratar
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Selfies e redes sociais massificaram auto-representação e formas de retratar

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Selfies e redes sociais massificaram auto-representação e formas de retratar

Ensino

2021-03-25 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

A forma como hoje em dia as pessoas se retratam e se auto-representam no mundo digital por via das selfies e das redes sociais não é uma novidade. Já Francisco de Holanda, tido como um dos maiores artistas do Renascimento, o fazia na sua pintura.

A arte de tirar selfies, que está tão em voga hoje em dia, impulsionada pelas redes sociais e pela digitalização da sociedade, não é uma ideia apenas do mundo actual. Já Francisco de Holanda, considerado, a par de Camões, um dos maiores vultos artísticos renascentistas, praticava amiúde o auto-retrato e a auto-representação na sua pintura. O tema foi, ontem, alvo de um debate online, no âmbito das ‘Portrait Talks’ mensais entre o Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (UMinho) e o Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa (UNL).
O presidente da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Fernando Pereira, foi o convidado desta sessão especialmente dedicada ao ‘retrato’ e à arte de retratar, numa abordagem a vários aspectos da obra do artista Francisco de Holanda, tido como o pioneiro no retrato em Portugal, cujo tratado tentava “retirar do natural a individualidade de uma pessoa” através de poses específicas em retratos frontais, de perfil ou de três quartos da figura retratada na pintura, onde a iluminação do rosto - hoje uma técnica muito utilizada através dos filtros que as aplicações das redes sociais possibilitam aos utilizadores para melhorar a sua imagem - era já também uma técnica vulgarmente usada pelo artista renascentista.
Na sua época foi chamado inúmeras vezes para retratar as figuras da Coroa e da Corte Real e em várias pinturas célebres que deixou no seu legado é possível ver-se o próprio artista Francisco de Holanda também retratado.
“É o nosso maior artista do séc. XVI e está ao nível de Camões”, defendeu Fernando Baptista Pereira, apontando, com lamento, o facto de “parte substancial” da sua obra estar na Espanha.
“Penso que a questão das selfies de hoje não está tão relacionada com o que Francisco de Holanda teorizou, mas sim com o que não teorizou, ou seja, com a auto-representação, sem dúvida nenhuma, dada a sua obsessão de colocar figuras a fazer a escala dos edifícios ou a auto-retratar-se a ver paisagens e objectos e obras de arte não há dúvida nenhuma de que é o mesmo do que hoje em dia caracteriza a selfie”, afirmou o presidente da Faculdade de Belas-Artes da UL. “Mas ainda está para aparecer o artista que tire partido da selfie e a transforme numa expressão superior, pelo menos isso ainda não chegou aos nossos olhos”, atirou. Refira-se, a propósito, que o tema do ‘Retrato’ é também uma linha de investigação do Centro de Estudos Humanísticos da UMinho, através da pesquisa de Eunice Ribeiro.

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