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Sandra Cardoso: “Necessário aumentar salários para combater custo de vida”
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Entrevistas

2024-02-20 às 06h00

Fábio Moreira Fábio Moreira

As entrevistas aos cabeças-de-lista dos partidos com assento parlamentar na antecâmara das eleições de 10 de Março seguem com a CDU. Sandra Cardoso é a número um pelo círculo de Braga e dá a conhecer as prioridades do partido no distrito. Aumento do salário mínimo para mil euros já este ano é uma das grandes bandeiras apresentadas pela representante da CDU.

Citação

Dois anos prejudiciais para Portugal. É desta forma que Sandra Cardoso, cabeça-de-lista da CDU por Braga, analisa os últimos dois anos da maioria absoluta socialista, com António Costa a primeiro-ministro.
“Estes últimos dois anos falam por si. As dificuldades agravaram-se. A maioria absoluta do PS foi prejudicial para o país. Há estudos com base no INE que mostram que o custo de vida subiu 25 por cento, enquanto que os salários só aumentaram 11,9 por cento e as reformas apenas 7,8 por cento. O aumento do custo de vida sem o acompanhamento dos salários resulta sempre numa qualidade de vida pior para as pessoas. É urgente mudar as opções políticas. Na minha opinião, durante estes dois anos, foram tomadas várias decisões que não foram correctas. É necessário aumentar os salários, reformas e pensões para fazer face ao aumento do custo de vida. A nossa proposta é, para 2024, uma subida do salário mínimo para mil euros. Já o salário médio também deveria acompanhar esta subida, aumentando na ordem dos 15 por cento”, apontou Sandra Cardoso.

A representante da CDU ainda lançou um ataque às palavras de Pedro Nuno Santos, acusando o candidato socialista a primeiro-ministro de não ter noção das dificuldades que o povo português atravessa.
“O salário médio está estagnado e perigosamente próximo do salário mínimo. Recentemente, ouvimos Pedro Nuno Santos, o secretário-geral do PS, a dizer que o salário mínimo tem de ser aumentado para mil euros até 2028. Isto é de quem não tem noção das dificuldades que as pessoas têm para viver com menos de mil euros”, atacou a candidata da CDU.
Sandra Cardoso relembrou ainda que Portugal já tem dois milhões de pessoas abaixo do limiar da pobreza e que, para combater o aumento destes números, os aumentos dos salários e das pensões assumem-se como uma importante necessidade para o país.

“Temos, cada vez mais, uma classe média/baixa. Uma classe que está cada vez mais pobre. Já são dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza. A nossa proposta para combater este aumento é muito simples: aumentar os salários e as pensões, o que permitiria às pessoas ter mais poder de compra. Enquanto que estes aumentos não acontecerem, nada vai mudar”, garantiu a candidata.
Sandra Cardoso relembrou também as eleições de 2022, notando que muita gente votou no PS por medo de ver partidos de direita com grande crescimento.
“Sinto que, nas últimas eleições, muita gente votou no PS por sentir que esse era o voto útil para combater a direita. O voto útil não é o PS e o exemplo disso está à vista de todos. O voto útil é à esquerda, o voto útil é numa CDU com mais deputados, com mais força no parlamento, com maior capacidade para se ouvir nas propostas que apresenta na Assembleia da República”, assegurou Sandra Cardoso.

“Área da saúde necessitada de um grande investimento”

A área da saúde é outro aspecto central do programa da CDU, uma área que, segundo Sandra Cardoso, está carenciada de um enorme investimento.
“Temos um raio-x bastante complicado. O diagnóstico está feito, mas é preciso soluções para a cura. Há uma necessidade enorme de investimento em áreas que são centrais para nós, sendo a saúde uma delas. O Hospital de Barcelos está à espera de novas instalações à 20 anos. São 20 anos de espera por um projecto que ainda só existe no papel e estamos a fazer de um hospital que serve Barcelos, um dos maiores concelhos do país, e o concelho de Esposende. A administração desse hospital vai fazendo o que pode com o que têm, mas não se fazem omeletes sem ovos”, aludiu Sandra Cardoso.
A representante da CDU notou também que os deputados eleitos pelo círculo de Braga têm ido contra os interesses locais da região.
“Temos grávidas obrigadas a fazer quilómetros para ter os filhos. Em pleno século XXI parece que estamos a voltar para trás. É preciso reforçar o investimento na saúde. Nenhum dos deputados eleitos pelo círculo de Braga defende aquilo que é defendido no capítulo local. Não se tem votado em função dos interesses locais e nós queremos devolver a voz à região”, apontou.

“Ferrovia no quadrilátero potenciaria a região”

Sandra Cardoso abordou também a questão da mobilidade, classificando a ligação ferroviária entre o quadrilátero (Braga, Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão) como essencial para as populações.
“A ferrovia entre as quatro cidades do quadrilátero (Braga, Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão) potenciaria muito a região. Esta é uma aposta nossa, acreditamos que se deve investir nesta ligação. Estamos a falar de um universo de 600 mil pessoas. O quarilátero é um ponto de grande afluência, com muita gente a trabalhar num concelho e a viver noutro. Uma construção ferroviária entre estes concelhos é vital para o desenvolvimento económico e para facilitar a mobilidade da população”, garantiu Sandra Cardoso.
A cabeça-de-lista pela CDU ao círculo de Braga deixou ainda a garantia que um projecto deste âmbito não iria requerer um valor irrealista, relembrando que os quatro concelhos estão todos “relativamente próximo”.
“O investimento para este projecto não seria de um valor irrealista, até porque, sem trânsito, os quatro concelhos estão todos relativamente próximos de carro. Contudo, as opções políticas não deram prioridade a essa ligação”, apontou a representante da CDU.

Porto e Lisboa são exemplos a ser replicados

A falta de mobilidade no mundo rural é um dos factores que contribuem para o seu próprio isolamento. E para combater esse isolamento do mundo rural, Sandra Cardoso aponta para os já comprovados exemplos de Porto e Lisboa, notando que o distrito bracarense deveria replicar esses exemplos, criando um passe intermodal que permitsse às populações rurais sentirem-se ligadas à cidade ou cidades do quadrilátero.
“O mundo rural está, efectivamente, esquecido. Há uma clara falta de mobilidade nas zonas rurais, sendo este um grande problema. Não há um investimento sério. Nós defendemos que deveríamos seguir os exemplos de Porto e Lisboa e implementar um passe intermodal. Um passe que não excedesse um custo de 20 euros e que permitia ligar o mundo rural à cidade e até fazer a ligação entre os diferentes concelhos do quadrilátero”, comentou Sandra Cardoso, que ainda salientou que a CDU está “solidária para com os protestos dos agricultores”.

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