Correio do Minho

Braga, terça-feira

Rota dos Descobrimentos parte de Viana do Castelo para o Alto Minho
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Alto Minho

2018-11-19 às 21h12

Redacção

Há 500 anos, Viana do Castelos foi a porta do Alto Minho para o mundo, graças ao seu porto de mar, que muito influenciou o desenvolvimento da região. No sábado passado, a cidade portuária recuou no tempo para apresentar a Porta dos Descobrimentos do projeto “Alto Minho 4D-Viagem no Tempo”.

Uma viagem que nos faz recuar ao século XVI, em pleno período áureo de Viana, no qual, segundo a arquiteta Margarida Valla, “Viana do Castelo vive uma revolução urbana, graças à importância do seu porto de mar e ao investimento de D. Manuel na qualificação e expansão da própria vila”. Com esta expansão urbana, explicou a investigadora, “a praça central de Viana passou do Largo da Sé para o Campo do Forno, o terreiro onde se realizava as feiras”. Mais tarde, aí se instala uma fonte, a Misericórdia e a Câmara Municipal, que marcam até aos dias de hoje o espaço urbano da cidade de Viana do Castelo.
Também o investigador António Matos Reis, na conferência “Dos Descobrimentos”, que decorreu no passado sábado, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, afirmou que a “expansão urbana de Viana foi impulsionada pelos Descobrimentos”, uma época que marcou profundamente a história desta localidade e do país, em geral. “Este foi um período marcado pela prosperidade, resultante dos Descobrimentos, que levou à construção de uma série de edifícios e obras, que marcam essa época”. No Alto Minho, os concelhos mais beneficiados por esta prosperidade foram Viana do Castelo, Caminha, Arcos de Valdevez e Ponte de Lima. Aliás, segundo Matos Reis, “a maior presença da arte manuelina em Viana do Castelo e Caminha está diretamente ligada à existência de portos de mar, através dos quais afluíam as riquezas provenientes da expansão portuguesa”. Além disso, a região beneficia da fronteira terrestre e da vinda de artistas do estrangeiro, nomeadamente de Espanha, que entram no nosso país pelo norte.
 
“O Alto Minho oferece aos turistas uma riqueza e uma diversidade cultural, mais do que qualquer outra região do país”
Esta viagem no tempo insere-se no projeto da CIM Alto Minho “Alto Minho 4D - Viagem no Tempo”, que irá criar 10 rotas cronológicas, desde o megalitismo e arte rupestre até ao contemporâneo. Um trabalho em rede que segundo a vereadora da Cultura do município de Viana do Castelo, Maria José Guerreiro, “só é possível através da união de esforços, que a CIM Alto Minho tem sabido proporcionar”. Para a responsável autárquica, a diversidade dos municípios do Alto Minho é enorme: “O que nós temos aqui em Viana do Castelo não é igual ao que têm os concelhos de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Monção ou Melgaço; mas tudo isto faz parte de uma realidade única”. Maria José Guerreiro não tem dúvidas que o Alto Minho oferece aos turistas “uma riqueza e uma diversidade cultural, mais do que qualquer outra região do país”. E exemplifica com este projeto: “Nós podemos oferecer viagens no tempo, desde os castros até à modernidade. Dentro da nossa diversidade, acabamos por constituir uma unidade muito interessante para quem nos visita”, conclui.
A porta física desta viagem estará pronta até ao final do próximo ano e a de Viana do Castelo ficará instalada em pleno centro histórico, no edifício do antigo hospital. Segundo a vereadora da Cultura, a estação do tempo proporcionará uma viagem interativa de grande valor pedagógico e didático, adaptada às novas gerações e que, além dos turistas, irá permitir “aproximar ainda mais a população da realidade local”, dando a conhecer partes da história muitas vezes desconhecida.
Também com o objetivo de dar a conhecer a região do Alto Minho, o projeto da Viagem no Tempo integra o ciclo “Sketching com História”. No sábado, em Viana do Castelo, mais de três dezenas de sketchers urbanos percorreram a cidade-mar à descoberta de segredos por revelar. Para Maria Freitas, que veio do Porto, a vertente marítima do mar e o rio foi a eleita para retratar Viana do Castelo. Já Eduardo Salavisa, dos Urban Sketchers Portugal, que veio de Lisboa, explica que no Alto Minho “qualquer esquina dá um bom desenho”.
Para Viana, Eduardo Salavisa retratou a sua imagem preferida: “a cidade, mas sempre com o monte e a catedral de Santa Luzia lá em cima”.
Pedro Alegria, dos Urban Sketchers Portugal Norte, e coordenador da iniciativa, explicou que, no final dos 10 concelhos, será editado um livro com 100 desenhos, que dará ainda lugar a uma exposição itinerante. O urban skecher defende que o desenho é uma forma diferente e original de promover a região do Alto Minho. “O desenho tem algo em si do skecther, ele representa a forma como a pessoa que desenhou viu a realidade, aquilo que ela captou e que lhe chamou a atenção”. Em termos de técnicas, estas passam, essencialmente, pela aguarela, lápis de grafite e caneta.
Ainda no sábado, no período da tarde, teve lugar uma visita performativa, com uma viagem no tempo à época dos Descobrimentos, dinamizada pelas Comédias do Minho e Teatro do Noroeste, que contou com a participação da comunidade local de Ribeira de Viana.
O projeto “Alto Minho 4D – Viagem no Tempo”, que foi aprovado no Programa Operacional Regional do Norte – Norte 2020, no domínio do “Património Cultural”, viaja no dia 8 do próximo mês até Arcos de Valdevez, com a Porta do Barroco.

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