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Rigor e uma “pontinha de sorte” tem afastado Montalegre da rota do Covid-19
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Rigor e uma “pontinha de sorte” tem afastado Montalegre da rota do Covid-19

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Rigor e uma “pontinha de sorte” tem  afastado Montalegre da rota do Covid-19

Cávado

2020-04-09 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

É um dos municípios onde, até agora, não se regista nenhum caso de infecção. Com uma população maioritariamente envelhecida, tem acatado “escrupulosamente” as directivas da DGS. Mas também não foram realizados testes de despiste.

Montalegre é um dos municípios nacionais que se tem destacado no mapa de registos da Covid-19 pelos melhores motivos. O concelho barrosão, composto por 25 freguesias e uniões de freguesias, não regista, até à data, nenhum caso de infecção pelo novo coronavírus.
Talvez por isso - ou talvez não - ainda não tenham sido feitos testes de despistagem à população. “Não fizemos porque ainda não chegaram cá”, revela ao Correio do Minho Orlando Alves, autarca de Montalegre, adiantando que a CIM do Alto Tâmega, ao qual o município pertence, implementou um centro de diagnóstico em Chaves que está já a fazer recolhas, embora de uma forma “muito limitadíssima, com 20 recolhas por dia, de acordo com a priorização das situações”, trabalho que está a ser feito em articulação com as autoridades da saúde.

Sem conhecimento de qualquer teste entre a sua população, o autarca revela que os mesmos já começaram em outros locais “mais prioritários” onde foram detectados casos de infecção, adiantando, no entanto, que Montalegre deverá receber os primeiros kits “nos próximos quinze dias”.
Orlando Alves diz que poderão ser vários os factores que justificam, até agora, a inexistência de casos confirmados no concelho que preside. “Se por um lado a população está a ser escrupulosa no cumprimento das normas emanadas pela Direcção-Geral de Saúde, a verdade é que também poderá haver aqui uma ‘pontinha’ de sorte”, revela o edil, admitindo, no entanto, que não há nenhuma estratégia “infalível” a esta pandemia. “Por mais medidas que se tomem, o êxito terá de estar associado a muitas coisas”, diz.

Com uma população maioritariamente envelhecida, com pouca capacidade de mobilidade e pouco acesso a informação digital, o Município desdobrou-se no desenvolvimento de iniciativas que visassem proteger os barrosões da actual pandemia. A estes factores de risco associa-se também o facto de parte concelho confluir com a fronteira espanhola, país fortemente afectado pelo Covid-19. “Este factor desperta também uma maior consciencialização junto dos nossos”, diz a propósito Orlando Alves.
“Temos desenvolvido campanhas de sensibilização com altifalante que percorrem todos os dias as diferentes localidades para que haja a possibilidade, em ambiente rural, de ter os recursos que as novas tecnologias potenciam”, continua o edil.

Muitos presidentes de junta lançaram há algumas semanas o apelo para que se evitassem visitas às suas localidades, chamando a atenção para a vulnerabilidade das suas gentes, maioritariamente idosas.
Pitões das Júnias, uma das aldeias mais emblemáticas do concelho, é exemplo disso. “A nossa população, querida e maravilhosa, encontra-se numa classe etária dos seus 60, 70 e 80 anos e como sabem mais exposta a possíveis infecções pelo novo Coronavírus. Queremos cuidar dos nossos idosos que são realmente nossos familiares e amigos”, refere em comunicado a junta de freguesia local, desaconselhando visitas nesta altura. “Gostamos muitos de vos receber, a nossa terra não seria a mesma sem todos os que nos habituamos a receber e que de alguma maneira já fazem parte de nós, mas agora é um momento para estarmos sós cooperando assim como a nossa comunidade”, prossegue o comunicado da junta de Pitões das Júnias.

Os lares têm merecido também a preocupação da autarquia de Montalegre que não descura as medidas de protecção para estas instituições. Actualmente com 260 cidadãos institucionalizados, Orlando Alves diz que as directorias das diferentes instituições têm feito um “esforço notável” para acautelar esta população, apostando, por exemplo, na rotatividade dos funcionários. “A maior parte das instituições está a trabalhar em espelho, de 15 em 15 dias. Isso tem também contribuído para o êxito que temos obtido”, garante Orlando Alves, admitindo que esta “é a maior preocupação” do edil.

Autarquia garante cabrito à mesa dos barrosões

É iniciativa inédita que se apropria a tempos de pandemia. De forma a fomentar a economia local e, ao mesmo tempo, evitar que as pessoas se desloquem, a Câmara Municipal de Montalegre decidiu levar as encomendas de cabrito/anho a casa dos barrosões. “O cidadão faz a encomenda no seu talho e este comunica à câmara o endereço onde terá de ser levada”, diz Orlando Alves, explicando que desta forma evita-se que as pessoas se exponham, permitindo também, sobretudo os cidadãos com mobilidade mais reduzida, que saboreiem um dos produtos de grande qualidade do concelho.
O preço, pagamento e as encomendas são agilizadas directamente entre o produtor e talho e este com o consumidor.

O município comunica ainda que só distribui para fora do concelho se a encomenda foi superior a três animais. A distribuição terá lugar até sábado ao meio dia.
Orlando Alves afirma que a autarquia vai mobilizar para esta campanha “todo os meios que forem necessários”. O autarca barrosão argumenta ainda que esta é “a única forma que temos para apoiar os nossos produtores locais” que habitualmente nesta altura do ano costumavam ver o volume dos seus negócios aumentar. “Estamos perante uma acção que fomenta o consumo daquilo que produzimos criando, desta forma, uma cadeia de solidariedade e de sustentabilidade do território”, prossegue Orlando Alves, dando conta que até segunda-feira já tinham sido abatidos três centenas de cabritos/anhos.

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