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Residências de Transição arrancam em Março

Braga

2011-02-21 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

No início do próximo mês vão começar as obras de construção das Residências de Transição do Instituto Monsenhor Airosa. A criação de sete apartamentos vai permitir alojar jovens sem retaguarda, após o período de acolhimento em lares.

Citação

O Instituto Monsenhor Airosa (IMA) vai avançar, no início de Março, com as obras de construção das a Residências de Transição. “Depois de vencidas as enormes vicissitudes e contrariedades surgidas finalmente assinamos contrato com a nova empreiteira para iniciar as obras, um passo absolutamente decisivo para aumentar o sucesso efectivo da integração social das nossas jovens”, adiantou o presidente do instituto, Gonzaga Dinis.

Esta nova valência tem como objectivo proporcionar uma transição progressiva das utentes da institucionalização para a vida autónoma. Dos sete apartamentos destinados a alojar jovens “encontra-se em apreciação pelos serviços oficiais competentes o pedido de autorização de funcionamento para três apartamentos, podendo os restantes ser afectos à mesma finalidade se essa necessidade se vier a verificar”, explicou o presidente.

As Residências de Transição “são um conjunto de sete apartamentos destinados a alojar jovens, sem retaguarda ou em situação de carência sócio-familiar, que após o período de acolhimento em lares de crianças e jovens, necessitam de treinar progressivamente a autonomia de vida”, justificou aquele responsável.

Jovens deixam de ter apoio da Segurança Social

A existir a possibilidade “remota” do seu regresso ao contexto familiar, o IMA “realiza sempre o acompanhamento à família de origem. No entanto, nestes casos, a reintegração familiar é raramente exequível, sendo sempre uma excepção à regra, pois trata-se na generalidade de jovens provenientes de famílias desestruturadas e disfuncionais”, sublinhou.

Nesta etapa crucial da vida, estas jovens são confrontadas, de acordo com Gonzaga Dinis, “com a cessação da medida de apoio por parte da Segurança Social quando conquistaram pelo seu esforço e empenho um lugar na universidade, ou, mais vulgarmente, ainda não conseguiram completar a sua formação técnico profissional, ou ainda, se encontram em situação muito frágil no mercado de trabalho (com emprego muito precário e insuficientemente ou mesmo não remunerado)”.

As jovens ao atingirem os 18 anos ou, no máximo e em casos excepcionais e fundamentados os 21 anos, “ficam excluídas dos programas de apoio infanto-juvenil da Segurança Social passando, se for o caso, à situação de adultos, eventualmente beneficiários de apoio para autonomia de vida, do RSI ou algo semelhante”.
É justamente, perante este dilema, que o IMA “encontra novamente espaço para a sua missão de ajuda, prosseguindo a tradição de dedicação a esta faixa etária, independentemente de se enquadrarem em apoios oficiais existentes”, salientou, ainda, o responsável da instituição.

IMA tem 61 utentes em três lares distintos

O IMA conta actualmente com um total de 61 utentes, em três lares distintos.
No lar para jovens vivem 30 raparigas com 13 e 14 anos, tendo alguns prolongamentos até aos 21 anos, provenientes de todo o país e frequentemente das ex-colónias portuguesas. No lar para mulheres adultas vivem 21 utentes. Aqui são acolhidas mulheres com deficiência, sem retaguarda familiar, incapazes de prosseguirem vidas autónomas. Por último no lar residencial para idosas vivem dez mulheres maiores de 65 anos, na sua maioria provenientes do lar ou directamente do exterior, sempre sem retaguarda familiar.

‘Pela Religião, pela Instrução e pelo Trabalho’

O Instituto Monsenhor Airosa (IMA) foi fundado pelo padre João Ferreira Airosa, em 1869, mantendo a actividade ininterruptamente até aos nossos dias. Hoje, usufruindo de estatuto de utilidade pública, dedica-se ao acolhimento de pessoas do sexo feminino, em situação de grande carência e dificuldade e sem qualquer retaguarda familiar).
E cumprindo o lema do fundador ‘Pela Religião, pela Instrução e pelo Trabalho’, continuam no IMA a funcionar algumas unidades produtivas (oficinas): tecelagem artesanal, o fabrico de hóstias, a confecção de biscoitos, a criação de ‘pica no chão’, o cultivo de hortícolas e frutícolas na cerca conventual.

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