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Registados 102 casos de violência sobre profissionais no Hospital de Braga
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Registados 102 casos de violência sobre profissionais no Hospital de Braga

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Registados 102 casos de violência sobre profissionais no Hospital de Braga

Braga

2022-10-04 às 06h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Em 2021, os números apontam para um aumento de 25 por cento dos casos de violência sobre profissionais, no Hospital de Braga. Incidentes superam as notificações registadas no período pré-pandemia. Balcões agora dotados de botões de pânico.

Citação

Em 2021, o Hospital de Braga registou 102 situações de violência sobre profissionais de saúde, traduzindo-se num aumento de 25 por cento em relação ao ano anterior. Os números - que superaram as notificações registadas no período pré-pandemia - foram apresentados por João Porfírio Oliveira, presidente do Conselho de Administração, durante a apresentação da campanha de sensibilização ‘Braga respeita quem cuida’.
“Este estudo foi iniciativa do Gabinete de Risco e tivemos um número de incidentes que ultrapassou o que esperávamos”, sublinhou o responsável, lembrando que “esta é uma situação grave para os profissionais e constrangedora”, que leva “a perda de horas de trabalho, a baixas médicas e a uma instabilidade dos profissionais que não é, minimamente, desejável”.

“A violência no sector da saúde tem um elevado impacto e provoca importantes repercussões nas instituições hospitalares, afectando o desempenho dos profissionais de saúde e a qualidade da prestação de cuidados, pelo que a sua diminuição revela-se um desafio, não só em Portugal, mas em todo o mundo”, frisou João Porfírio Oliveira.
Os balcões de atendimento dos internamentos e as consultas externas são, segundo o relatório, dos locais mais sensíveis, pelo que foram dotados de botões de pânico, entre outras medidas implementadas “que visam prevenir a violência, física e psicológica, dos profissionais”.

Perante os números da violência no sector da saúde, o Hospital de Braga tem vindo a implementar diversas medidas que visam prevenir a violência, física e psicológica, no local de trabalho e apoiar as vítimas. Destaque para a criação do código de boa conduta, prevenção e combate ao assédio no trabalho, a optimização da plataforma de registo de eventos adversos e a promoção da notificação por parte dos profissionais de saúde, assim como a colocação de botões de pânico em todos os balcões de atendimento dos internamentos e consultas externas, a reformulação de gabinetes de consulta de forma a assegurar que existe sempre um ponto de fuga para o profissional e a colocação de acrílicos nos balcões de atendimento das consultas externas. Foi ainda implementado um botão de pânico portátil nos serviços de psiquiatria e serviço de urgência de obstetrícia - um projecto piloto que se pretende que seja alargado para todos os outros serviços - e a criação do gabinete de apoio ao profissional.

Campanha sensibiliza para impactos da violência no sector da saúde

Sabia que há pelo menos quatro agressões por dia a profissionais de saúde, em Portugal? É esta a pergunta que se espera que consciencialize a população para os números da violência no sector da saúde, que dão conta de que 50 por cento dos profissionais de saúde são vítimas, por ano, de violência física ou psicológica. ‘Braga respeita quem Cuida’ é o mote da campanha de sensibilização promovida pelo Hospital de Braga, numa iniciativa que conta com a parceria do Município de Braga, Polícia de Segurança Pública, SC Braga, ACES Cávado I, Transportes Urbanos de Braga e Autoridade para as Condições de Trabalho.

Considerando a importância deste fenómeno, o Hospital de Braga tem vindo a implementar diversas medidas que visam prevenir a violência no local de trabalho e apoiar as vítimas da mesma - ver página 4 -, “não obstante, sentimos que é necessária uma ampla consciencialização da comunidade para os impactos da violência no sector da saúde, a sensibilização da sociedade para prevenção deste fenómeno e o incentivo da notificação de eventos adversos por parte dos profissionais de saúde”, realçou o presidente do Conselho de Administração, João Porfírio Oliveira, revelando que serão promovidas, “nos próximos meses, “diversas iniciativas”.

Entre elas, a colocação de cartazes de sensibilização em diversos espaços do hospital e em todos os ecrãs dos autocarros dos TUB, assim como a colocação de outdoors e mupis por toda a cidade de Braga, a realização de uma formação da PSP para os profissionais de saúde do hospital e uma acção conjunta, em dia de jogo, com o SC Braga.
Na apresentação da campanha, foram também revelados números do ACES Cávado 1 e de um inquérito realizado há cerca de dois meses, que concluiu que 56 por cento dos profissionais que ali exercem funções já foi vítima de violência no local de trabalho. Em 53 por cento dos casos, tratou-se de violência verbal, havendo ainda assédio moral (24 por cento), violência física (10 por cento) e assédio sexual (4 por cento).

“Começa a ser uma situação avassaladora, os números são elevadíssimos e preocupa-nos muito, porque isto tem impacto depois no absentismo, na confiança que é quebrada e começa até a ser complicada a própria gestão de recursos”, revelou Domingos Sousa, director do ACES Cávado I, acrescentando que, entre as razões que podem levar a estes episódios de violência, estão a “baixa literacia em saúde, problemas no acesso e solicitações dos utentes não respondidas”. “Percebemos que, nos últimos tempos, tem havido uma maior agressividade por parte dos utentes”, alertou.

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