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Problema da escassez de água no futuro resolve-se com as “cinco torneiras”
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Problema da escassez de água no futuro resolve-se com as “cinco torneiras”

Entrevistas

2022-10-03 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Poças Martins, ex-secretário dom Ambiente alerta para necessidade de mudança de políticas e de comportamentos para enfrentar desafio da escassez de água. No futuro, avisa, os períodos de seca vai ser cada vez mais frequentes.

Citação

Joaquim Poças Martins, ex-secretário de Estado do Ambiente e consultor do sector da água para a União Europeia, NATO e Banco Mundial, alertou que “sempre houve e haverá secas”, mas que os problemas de abastecimento não podem continuar a ser enfrentados com “as soluções do passado”. Convidado do programa ‘Da Europa para o?Minho’, da Rádio Antena Minho, Poças Martins avisou que, num contexto de alterações climáticas, as situações de seca vão “repetir-se muitas vezes”, pelo que temos de nos preparar, em termos técnicos e políticos, “para esta nova normalidade”.
Segundo o também secretário-geral do Conselho Nacional da Água, “felizmente temos soluções” para enfrentar futuros momentos de escassez de água para consumo humano e para a agro- indústria, como o que vivemos em Portugal desde 2017.

Deve-se “ventrar a questão nas cinco torneiras”, advogou Poças Martins no programa moderado pelo jornalista Paulo Monteiro e com a participação habitual do eurodeputado José Manuel Fernandes.
A água da chuva constitui, na linguagem usada por Poças Martins, uma dessas cinco torneiras, mas “será cada vez menos”
A segunda torneira é a da água que vem de Espanha pelos rios internacionais e, também por essa via, “dificilmente teremos mais água do que aquela que temos”.
A terceira torneira a ter em conta no futuro, segundo este especialista da gestão hídrica, é da “água virtual”, exemplificando que “quando importamos um quilo de arroz, estamos a importar duas ou três toneladas de água para o produzir”. Ou seja, com a importação de cereais, Portugal está a evitar “gastar quatro ou cinco barragens do Alqueva”.
A água reutilizada constitui outra das torneiras apontadas por Poças Martins, relevando que “cada um de nós gasta entre 100 e 150 litros de água por dia”, o que quer dizer que o que gastam todos os portugueses corresponde a 600 milhões de metros cúbicos, quantidade de água que “dava para regar aquilo que rega Alqueva”

Afirmou Poças Martins que, “sem construir barragens, teríamos a possibilidade de ter um regadio semelhante ao Alqueva espalhado pelo país’ e que “estamos literalmente a atirar ao mar” cerca de 400 milhões de euros por ano com a água que não reutilizamos.“Essa água posta ao serviço de uma agricultura de alto valor acrescentado e optimizada daria para terminar com a dependência alimentar do exterior”, sinalizou.
“A última torneira é a dessanalização. Termos mil quilómetros de costa e uma quantidade infinita de água do mar. Hoje em dia já é possível dessanalizar ao preço a que as câmaras compram a água às empresas do grupo Águas de Portugal”, apontou o ex-secretário de Estado do Ambiente, concluindo que se há problema futuro de escassez de água, há também soluções para o resolver.

“No passado, tínhamos só praticamente duas torneiras: chuva e água de Espanha. Há quem tenha a cabeça formatada para o passado. Quem não pensar nas outras três torneiras, não tem soluções”, avisou
A questão da gestão dos caudais dos rios internacionais entre Portugal e Espanha foi outra questão abordada por Poças Martins, que fez parte do Governo que, em meados da década de 90, começou a discutir com Espanha a Convenção de Albufeira
“Sentíamos uma grande crispação no diálogo com Espanha”, confessou este especialista, segundo o qual, com a integração na União Europeia, “Portugal e Espanha passaram a ter que negociar certas matérias e a água é uma delas”.

Recordou que “foram encontrados patamares possíveis de equilíbrio”, mas adverte que quando a situação de escassez de água “é levada ao extremo, a Convenção de Albufeira não oferece as soluções adequadas”.?Isto é, “se Espanha não tiver água de acordo com os artigos da Convenção, simplesmente não dá”.
Poças Martins adverte que “os rios têm de existir como entidade, independentemente de as suas águas serem usadas pelas pessoas”, ou seja, “tem de haver biodiversidade e continuidade hidráulica”, cenário que “está a ser difícil” de conseguir actualmente na Península Ibérica
“Espanha seguiu um modelo de desenvolvimento de colonização do país. Construiram barragens para armazenar a água largamente subsidiada no século XIX e essa situação mantém-se’, referiu, para explicar que “Espanha está, de facto, a gastar água de mais, a levar o consumo até á última gota”.

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