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Presépio de Priscos “dá mais dignidade  à vida dos reclusos”

Braga

2019-10-08 às 11h38

Redacção Redacção

Há cinco anos que a paróquia de Priscos dá trabalho a reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga, num projecto de reintegração único.

Classificado como um “projecto inovador”, o Presépio ao Vivo de Priscos dá trabalho a reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga há cinco anos, no âmbito de um protocolo estabelecido entre a paróquia e a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.
A paróquia de Priscos já gastou mais de 125 mil euros neste projecto sendo a única em Portugal a realizar esta missão.
“Este é um projecto que dá mais dignidade à vida dos reclusos”, assume o padre João Torres, pároco de Priscos e responsável pelo projecto ‘Mais Natal Priscos’.

João Torres sublinha que a reintegração social dos reclusos necessita de mais recursos humanos, tecnológicos, mais programas e, sobretudo, mais financiamento “para que os reclusos consigam reflectir sobre a vida no geral, mas essencialmente acerca dos motivos que os levaram a cometer crimes e repensar nos objectivos para o futuro”.
Pelo Presépio ao Vivo de Priscos já passaram 32 reclusos que apesar de cumprir a sua pena de prisão entraram, de acordo com o pároco, também num processo de humanização. “Acredito que estas pessoas se possam reintegrar na sociedade. E não há melhor forma de integração do que o trabalho”, enfatiza João Torres, acrescentando que os reclusos desenvolvem competências pessoais e sociais, nomeadamente ao nível da aquisição de hábitos de trabalho, cumprimento de horários e regras e gestão das relações laborais.

“Os reclusos podem sair assim em liberdade com mais expectativas, com algum poder económico, com perspectivas de futuro e a probabilidade de reincidir é mínima. A taxa de sucesso em Priscos é de 95%”, assegura o prelado.
No Presépio ao Vivo de Priscos os reclusos cumprem um horário de trabalho entre as 8.30 e as 17 horas, com intervalo de 60 minutos para almoço. São acompanhados por um guarda prisional.
João Torres afirma que os dividendos retirados da solidariedade dos visitantes do Presépio ao Vivo e “a ajuda preciosa” da câmara de Braga, através do Orçamento Participativo, suportam o pagamento aos reclusos, para compensar o trabalho prestado por cada um, na proporção do esforço despendido e em função do número de dias de trabalho.

Segundo o também coordenador da Pastoral Penitenciária na Arquidiocese de Braga, “a espiritualidade poderia também ajudar muito os reclusos na sua reabilitação, mas está muito mal tratada nas prisões. A dimensão da espiritualidade não cabe nos esquemas daqueles que acham que o sistema é para reprimir. Se uma pessoa não faz as pazes com o seu crime, com a sua atitude incorrecta, se não se habitua a viver com o seu passado e com o que fez, está permanentemente revoltada. Nem se cura a si mesma, nem ajuda a que a sua convivência com os outros”.

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