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“Portugal tem todos os activos para conseguir vingar e superar esta crise”
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“Portugal tem todos os activos para conseguir vingar e superar esta crise”

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“Portugal tem todos os activos para conseguir vingar e superar esta crise”

Economia

2020-05-09 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Secretária de Estado do Turismo está confiante que Portugal vai conseguir superar a crise e voltar aos números que faziam do país um dos melhores destinos do mundo. E motivos não faltam. O que falta, para já, é confiança.

Foi uma mensagem de esperança e optimismo aquela que a secretária de Estado do Turismo deixou ontem naquela que foi a primeira de quatro conferências integradas no 3.º Fórum de Turismo Visit Braga, promovida pela Câmara Municipal de Braga, em parceria com a Associação Comercial de Braga e o Visit Braga, dedicado ao tema ‘Os desafios Pós-Pandemia’.
Numa altura de desconfinamento, ainda que de forma muito lenta e faseado, Rita Marques mostra-se confiante quanto à retoma, acreditando que esta é “uma oportunidade para podermos reinventar”, com a introdução de pequenas inovações que não precisam de grandes investimentos, mas que permitem aliviar encargos e gerar confiança.

Rita Marques diz que “há activos” que o Covid-19 não conseguiu infectar, como as praias, as catedrais, as igrejas, as pessoas hospitaleiras que fazem de Portugal o melhor destino turístico do mundo.
A estes, a secretária de Estado junta ainda a “segurança sanitária” que decorreu de uma “resposta de qualidade” por parte dos profissionais de saúde. “Não temos alternativa, vamos ter que superar esta crise”, assume a governante.
Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, e outro dos convidados desta conferência, corrobora as palavras da governante, justificando que além dos activos enunciados, o país, espelhado em todos os seus sectores de actividade, goza de uma boa cotação ao nível da segurança e higiene, facto que ficou reforçada na resposta a esta pandemia e que vai permitir transmitir confiança a quem nos visitar.

“Não podemos perder a responsabilidade sanitária que se desenvolveu”, diz o presidente da Confederação do Turismo dando nota do interesse de vários países pela forma como Portugal lidou com a pandemia.
“Não tenho dúvida que mal se abra seremos, de certeza, os primeiros a ser visitados. Não se pode perder isso”, refere o responsável que aguarda as decisões que a comunidade europeia vai tomar no próximo dia 13 no que diz respeito às condições de reabertura do tráfego aéreo.

“2020 é um ano perdido. 2021 será um ano de retoma e tenho grande esperança que 2022 seja outra vez um óptimo ano”, continua Francisco Calheiros, acrescentando que apesar das alterações que terão de ser feitas, “há turismo que se vai manter igual ao que era quando o problema da vacina estiver resolvido”, apontando os exemplos dos des- tinos de praia, o golfe ou o city break que têm beneficiado a cidade de Braga nos últimos anos.
“Não estou tão pessimista. Acho que vamos continuar a ter grande produto e grande oferta. Temos de esperar que esta crise passe”, remata o responsável do Turismo.

Ricardo Rio: “O mote é resistir”

O presidente da câmara de Braga assume que o concelho é no conjunto do país aquele que, fruto de um potencial endógeno e da dinâmica que vem registando nos últimos anos por força de um conjunto de iniciativas e eventos de diverso cariz, tem um enorme potencial turístico.
Um facto reflectido nos números a todos os títulos, de dormidas, de novos investimentos, de novos postos de trabalho. “O ano de 2019 terá sido um ano para recordar”, disse Ricardo Rio na abertura desta conferência do 3.º Fórum de Turismo Visit Braga. “Foi o ano em que conseguimos ser considerados o segundo melhor destino da Europa, em que vimos ser reconhecido o Bom?Jesus como Património da Humanidade e que ultrapassamos a fasquia das 600 mil dormidas, quase duplicando o que se verifica há seis anos atrás”.
Face à actual situação, Rio diz que o mote “é resistir” e ver como os agentes conseguem manter a sua actividade dentro das actuais circunstâncias, elogiando as medidas de apoio ao sector do turismo emanadas de várias entidades, sem esquecer a responsabilidade que a autarquia tem assumido, dando o exemplo do anúncio feito esta semana relativamente à possibilidade de extensão da actividade por parte dos restaurantes e cafés para as ruas e praças e a isenção de taxas. Ricardo Rio não tem dúvidas de que 2020 será o “ano da reconquista”.
“Temos de estar preparados e saber como podemos continuar a propiciar experiências memoráveis como acontecia até aqui, como os agentes poderão garantir as condições de segurança que todos procuram”, diz a propósito o presidente da câmara de Braga.

Domingos Barbosa: “O objectivo é encontrar soluções que evitem o definhamento da oferta”

O presidente da Associação Comercial de Braga, Domingos Barbosa, reconhece que o comércio foi o primeiro sector a ser fortemente atingido pela crise pandémica. É sobretudo nas micro e pequenas empresas que, segundo o responsável, existem problemas que têm de ser mitigados e superados através da mobilização de apoios e afectação de recursos nacionais e comunitários.
“O objectivo central é encontrar soluções que evitem o definhamento e destruição da nossa oferta turista e respectivo tecido empresarial”, diz Domingos Macedo Barbosa, acreditando que será possível, num curto espaço de tempo, recuperar a trajectória de crescimento no turismo que se verificava no início de 2020.


Governo e empresários unânimes: 2020 é o ano da redescoberta do mercado interno

Nunca o slogan ‘Vá para fora cá Dentro’ fez tanto sentido como o tempo em que vivemos e quando pensamos nas férias de Verão que se aproximam. Sem descurar o mercado externo - de extrema importância para o turismo nacional - Governo e empresários do sector do turismo são unânimes na necessidade de apostar no mercado interno que, segundo a secretária de Estado do Turismo, representou, em 2019 30%, das dormidas.
“Temos de ser solidários com o nosso turismo. Faço um repto para que todos possam fazer férias cá dentro este ano”, diz Rita Marques, adiantando que este foi também um “sector fortemente solidário do combate ao Covid”.
A secretária de Estado considera que o Turismo de Natureza “vai ganhar um novo fôlego”, mas não “faltará procura para várias ofertas turísticas”.

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal afirma que esta é uma oportunidade única para fazer férias no melhor destino do mundo, considerando que esta é uma das melhores a médio prazo para ajudar na retoma da economia. “O mercado português sempre foi o nosso principal mercado. As dormidas de portugueses são superiores aos dos três principais clientes: ingleses, alemães e espanhóis. Este tem de ser o ano da redescoberta de Portugal por parte dos portugueses”, diz o responsável.

A secretária de Estado do Turismo explicou qual tem sido o caminho trilhado pelo governo desde que a pandemia despoletou, indicando que, numa primeira fase o objectivo foi mitigar a contração económica atra- vés de um pacote de medidas que visaram sobretudo ajudar as empresas a superar a crise, apesar de admitir que neste momento muitas “têm ainda rendimentos praticamente nulos”.
A melhoria de liquidez e fluxos de caixa (diferimento de impostos e contribuições para a segurança social), equilíbrio do balanço das empresas com a restrutução de dívidas, empréstimos e garantias (linhas de crédito) e a redução de custos, com destaque para o lay-off simplificado foram as três frentes que o Governo procura “atacar” nesta primeira fase.

A governante falou do “ruído” relativamente aos atrasos no pagamento do lay-off que cobre 1,2 milhões de colaboradores, justificando que os mesmos se verificaram dado o volume de pedidos que deram entrada, que ultrapassou os 90 mil em 30 dias. “Tem sido feito um esforço extraordinário de toda a equipa da segurança social. Rapidamente iremos regularizar a situação”, garante a secretária de Estado, falando deste estímulo a fundo perdido.
Rita Marques diz que as medidas estão em “contínua avaliação”, esperando que muito em breve deixem de fazer sentido para passarmos a outras de retoma à actividade.
A propósito do lay-off, o presidente da Confederação de Turismo de Portugal disse que “o melhor não chega” demonstrando a a falha do governo neste âmbito, assim como do pacote de 6,2 milhões de euros que estavam destinados ao sector e que até segunda-feira entraram apenas 1, 3% desse valor nas empresas.

Choque nas receitas deverá ser superior a 50%

A secretária de Estado do Turismo admitiu nesta conferência que as quebras de tesouraria das empresa do sector do turismo por causa desta pandemia deverá ultrapassar os 50% face ao ano de 2019. “Foi um e exercício que foi feito ao nível da secretária de Estado e, por isso, vale o que vale.?Estimamos que, em média, o choque de receita será um pouco superior a 50%”, diz Rita Marques.
A governante dá conta da heterogeneidade de empresas do sector - 132 no total, que agregam 300 mil trabalhadores. 74% são empresas em nome individual. Isto para justificar, segundo a governante que “as médias são sempre muito difíceis”.

“Podemos dizer que o choque de receitas poderá ser em média de 50%, mas sei bem que há empresas que terão menos e outras que terão muito mais de 50%”, continua Rita Marques que se mostra sobretudo preocupada com alguns subsectores, como é disso exemplo o subsector da Organização de?Eventos que está numa situação muito difícil. “Não sabemos quando é que vamos ter eventos, como vão ser. Temos mais interrogações do que certezas”, assume.

O sector da restauração é outro dos que merece a preocupação da secretária de Estado. Apesar de abrirem portas já no dia 18 fa-lo-ão apenas com metade da sua capacidade, “quer dizer que os muitos modelos de negócio podem não ser viáveis”.
As palavras da governante neste âmbito continuam a ser de esperança, mas também de capacidade de resiliência e de se reinventar como novos modelos de que respondam aos novos desafios.

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