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Polícia Judiciária devolveu moeda romana
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Polícia Judiciária devolveu moeda romana

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Casos do Dia

2018-01-23 às 14h29

Redacção

Antiga moeda romana, considerada peça única, foi recuperada pela Polícia Judiciária do Norte em Espanha e entregue ontem ao Museu D. Diogo de Sousa que a irá devolver, este ano, à fruição do público.

Foi entregue ontem ao Museu Arqueológico D. Diogo de Sousa, em Braga, uma moeda romana em prata do ano 68/69 d.C., considerada peça da antiguidade clássica única no mundo e que foi recuperada pela Polícia Judiciária, através da Directoria do Norte, num leilão em Espanha.
É um denário [antiga moeda romana] de prata, do período das guerras civis, dos anos 68/69 [do tempo do imperador romano Galba], e portanto é uma peça única (), emitida na Península Ibérica, na Hispânia, explicou à agência Lusa, Rui Centeno, historiador português e especialista com doutoramento sobre O furto e o comércio de património numismático - O caso do tesouro de denários do monte da Nossa Senhora da Piedade, em Alijó.
A moeda romana que apareceu num leilão em Madrid (Espanha), em Outubro de 2016, com uma base de licitação de sete mil euros, foi descoberta e reportada por Rui Centeno à Polícia Judiciária, que accionou os trâmites necessários para que se conseguisse transferir aquele espólio de Espanha para Portugal.

O denário e o resto da colecção de moedas romanas desapareceram do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, no concelho de Alijó, e segundo a Polícia Judiciária, são património português. Foram furtadas em 1985 do santuário, depois de terem sido descobertas dentro de um pote durante umas escavações arqueológicas.
A apreensão das moedas romanas e a sua entrega, ontem, ao Estado português é o culminar de uma investigação da Judiciária, cujo inquérito foi aberto em 2016 no Departamento de Investigação e Acção Penal, explicou à Lusa fonte daquela polícia.
O director da Judiciária do Norte, Batista Romão, afirma que o trabalho da pequena, mas especializada e muito dedicada brigada da Polícia Judiciária é um bom exemplo de como a Judiciária está atenta a este fenómeno do contrabando e dos furtos do património português, seja das moedas, seja na pintura, seja noutras áreas.

Desde que efectivamente tenha elementos para trabalhar, rapidamente se põe no terreno e consegue os bons resultados nesta área, considerou Batista Romão, referindo que as moedas vão agora ser entregues ao Estado português, ficando na posse do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa como museu regional da zona Norte.
A directora do Museu D. Diogo de Sousa, Isabel Silva, avançou que o denário, tal como o resto da colecção recuperada, poderá ser vista pelo público ao longo deste ano de 2018.
Acabam por reentrar no museu e ser fruídas pelo público tantos anos depois. Isto significa que, por um lado, há uma polícia que está atenta e empenhada nestes processos de recuperação de obras de arte e, por outro, vem realçar a importância das coleções serem inventariadas e estudadas, observou Isabel Silva, considerando extraordinário que a brigada da Judiciária tenha conseguido recuperar cerca de 20 anos depois as moedas romanas desaparecidas de Alijó.

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