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Poesia de Filipa Leal cativa público no Espaço DST da Feira do Livro de Braga

Braga

2019-07-07 às 11h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Numa iniciativa do grupo DST foi apresentado o livro ‘Fósforos e metal sobre imitação do ser humano’, de Filipa Leal. A autora marcou presença e cativou quem acompanhou a sua conversa com José Teixeira, confesso admirador da sua poesia.

“Toma, meu amor, esta escultura
que é a última que sei e posso.
Não desconfies da matéria dada
— também a escola foi de vidro
e te quebrou.”
Filipa Leal

‘Fósforo e metal sobre imitação de ser humano’ foi um dos livros de poesia de Filipa Leal que fascinou José Teixeira, o CEO do grupo DST. A obra, foi apresentada pelo próprio empresário, na presença da autora, anteontem à noite, no Espaço DST da Feira do Livro de Braga.
Ao Correio do Minho, o empresário revelou que conheceu Filipa Leal “primeiro pela voz”, confessando que ouvi-la declamar poesia é “absolutamente terapêutico”.
Resistiu a conhecê-la fisicamente precisamente pelo encantamento que aquela voz lhe provocava. “Resisti, mas quando conheci a sua obra, quando a comecei a ler, fiquei completamente apaixonado também pela sua escrita. Confesso que li quase toda a sua obra, se não toda”, revelou o CEO da DST, amante confesso da cultura nas suas mais variadas formas, mas especialmente da leitura. Um gosto que tenta incutir no seu grupo empresarial, oferecendo livros a todos os colaboradores no dia de aniversário e dando como “tarefa” a leitura de determinada obra que, por gostar, faz questão de partilhar com os seus. “Estamos agora a constituir o nosso clube de leitura na empresa”, contou, lembrando que a divulgação da leitura também é realizada através da oferta de livros às escolas, prática antiga do grupo empresarial com sede em Braga.
Fascinado pelo último livro de Filipa Leal, o empresário faz questão de o partilhar com todos. “Quero que todos usufruam da beleza desta obra”, confessou, vincando ainda que a leitura é uma das mais importantes ferramentas para ser criativo. “Se não formos criativos, não seremos competitivos”, frisou.
Precisamente esta forma de estar, esta ligação que José Teixeira estabelece entre a leitura, os livros, e a cultural em geral, e o seu grupo empresarial, faz com que Filipa Leal considere que o CEO “é muito pouco português”, porque “não é comum encontrarmos pessoas, empresários, com uma postura extre- mamente global”.
“O engenheiro é um homem que olha para o todo e não para a parte. É um exemplo para Portugal”, elogiou a escritora que durante mais de uma hora conversou com José Teixeira, numa sessão intercalada com a leitura de alguns dos seus poemas, momentos muito aplaudidos pela assistência que encheu o espaço DST da Feira do Livro e que ficou cativa da voz e do poder de discurso da autora.
Natural do Porto, onde nasceu em 1979, Filipa Leal formou-se em jornalismo na Universidade de Westminster, em Londres, e concluiu o mestrado em Estudos Portugueses e Brasileiros na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com uma dissertação sobre ‘Aspectos do có- mico na poesia de Alexandre O’Neill, Adília Lopes e Jorge de Sousa Braga’. Em 2007, o jornal Expresso colocou-a entre as 27 novas promessas portuguesas, e em 2010, na lista de 10 talentos para a próxima década - recordou José Teixeira.
No decorrer da tertúlia, Filipa Leal falou um pouco de tudo, desde o voluntariado até às redes sociais, sendo que sobre estas últimas reconhece que “são ferramentas extraordinárias de divulgação, proporcionando o en- contro de muitos que não se viam há muito tempo, mas também geraram um egocentrismo levado ao limite”.
O poetisa revelou ainda quais são os poetas da sua vida. José Teixeira pediu-lhe para referiu cinco, acabou por referir seis pela ordem que entraram na sua vida: “Camões, sobretudo pelos sonetos que são a maior maravilha ; Pessoa (s), porque parece quase um autor de auto-ajuda porque nos seus heterónimos há Pessoas para todas as gerações; Sophia de Mello Breyner; Herberto Helder; Adília Lopes; Adélia Prado, uma autora brasileira a que volto repetidamente... Mas há muitos mais. Sou uma leitora bastante obsessiva de poesia”, confessou.
E a rematar a conversa ficou no ar um desafio lançado a José Teixeira: “E um audiolivro? Já pensou nisso”. A autora mostrou-se entusiasmada com a ideia e ficou prometida a conversa que certamente ditará uma futura colaboração da DST com Filipa Leal.

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