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Braga

2019-11-17 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Ao todo são quatro grandes murais, entre os quais um fresco de grandes dimensões alusivo ao Bom Jesus do Monte, que foram salvaguardados na reabilitação do edifício 66 na Rua Andrade Corvo.

O número 66 da Rua Andrade Corvo é a porta de entrada para uma viagem aos murais artísticos de J. P. Oliveira, entre os quais se pode apreciar uma pintura do Bom Jesus do Monte, que data de 1 de Junho 1895. Os frescos foram, ontem, dados a conhecer publicamente pelo promotor da reabilitação do edifício antigo e foram muitos os bracarenses que quiseram ver de perto a revelação. Miguel Bandeira, vereador da Regeneração Urbana e do Património da Câmara Municipal de Braga, diz que este “é um exemplo de reabilitação urbana que deve ser replicado”.

Ao todo eram sete os murais que adornavam o antigo edifício devoluto há mais de uma década na Rua Andrade Corvo, mas destes, apenas quatro puderam ser recuperados nesta intervenção urbanística levada a cabo pela ‘Memórias e Conteúdos’ de António Silva Fernandes, cujo projecto contou, ainda, com o apoio do arquitecto Fernando Jorge - cujo nome e trabalho foram também homenageados nesta apresentação pública.
Um dos quatro murais e também o maior de todos (com 3,5 m de altura x 5 m de largura) é alusivo ao Bom Jesus do Monte, que, hoje, é Património Mundial da UNESCO. Nessa imensa imagem pintada por J. P. Oliveira é possível ver inúmeros pormenores do então dia-a-dia da cidade de Braga, como, por exemplo, a ‘chocolateira de Braga’ - um trem que fazia à época a ligação entre a Estação dos Caminhos-de-Ferro e a base do funicular do Bom Jesus e que o vereador Miguel Bandeira aponta como “o início dos transportes urbanos da cidade de Braga”.

Nos outros três murais figuram um apeadeiro da Linha do Douro, Moinhos do Minho e, ainda, a Torre de Belém, todos também com grandes dimensões (com 2m X 3,5 m).
Os murais encontravam-se no primeiro piso do edifício antigo que agora está a ser recuperado para futura habitação (T3 e T2) e, mediante, uma delicada operação de engenharia, foram trasladados para o piso do rés-do-chão, onde estão a ser tratados cuidadosamente pela mão de conservadores e restauradores para que no futuro ali possam ser admirados, seja um restaurante, um banco ou negócio que ali venha a ter lugar.

Destacando a “visão de futuro” do promotor, o vereador da Regeneração Urbana e do Património do Município de Braga chamou a atenção para o trabalho e cuidado que se teve nesta obra de reabilitação ao preservar os murais e frisou que “este deve ser um exemplo para outros investidores” no que toca à reabilitação urbana e que este trabalho realizado “é um incentivo”.
“A incorporação destes valores patrimoniais dão personalidade ao edifício e potenciam por mais tempo o próprio investimento e não tenho dúvidas que daqui a 30 ou 40 anos o promotor vai dizer que valeu a pena ter preservado estes murais porque vão fazer a diferença no mercado”, referiu Miguel Bandeira, considerando esta reabilitação como “um belo exemplar entre a conciliação da modernidade e a conservação da alma do edifício e da cidade, pois estes murais são isso mesmo: um testemunho da história e do passado de Braga”.

Miguel Bandeira valorizou, ainda, o facto de este tipo de reabilitação possibilitar “mais trabalho e mais emprego a muitas jovens empresas como a Signinum, que realizam este tipo de conservação e restauração”.
“Tenho que felicitar António da Silva Fernandes por ter esta vontade de preservar estes murais, acima de tudo, porque muita da reabilitação que se fez até agora é baseada apenas na manutenção das fachadas dos edifícios, mas que não considera os valores internos do património existente como a pintura, pedra, ferro, cal, etc. e a preservação deste género de património personaliza o edifício, potencia por mais tempo o valor do edifício e possibilita emprego a jovens empresas nas áreas do ‘saber fazer’”, sublinhou o autarca.

António da Silva Fernandes, empreendedor da obra, indicou que o prédio estava em ruína e a precisar de reabilitação. “O edifício foi adquirido há dois anos e, na altura, nem sabíamos da existência destes murais, mas assim que soubemos, decidimos desde logo que seria um património a preservar e o projecto do arquitecto Fernando Jorge e juntamente com a Câmara Municipal foi nesse sentido, adaptando-o também à realidade local”. “Estamos orgulhosos por ter recuperado estas memórias”, assinalou.

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