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Braga, segunda-feira

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Braga

2020-11-27 às 09h00

Isabel Vilhena Isabel Vilhena

'A Nova Normalidade' no Serviço Nacional de Saúde foi o mote de mais um webinar promovido pela Comissão Política do CDS Braga. O planeamento atempado, a vacinação e o surgimento de uma terceira vaga foram alguns dos temas em debate.

Apesar do esforço colectivo, nós perdemos algumas oportunidades de fazer bem melhor do que aquilo que fizemos. Há assimetrias muito grandes na preparação e antecipação da segunda vaga da pandemia”, afirmou André Santos Luís, presidente do Conselho Sub-Regional de Braga da Ordem dos Médicos, no Webinar subordinado ao tema ‘SNS e a Nova Normalidade’, moderado pelo director do Correio do Minho, Paulo Monteiro, numa organização da Comissão Política do CDS de Braga, no âmbito da rubrica ‘Conversas com Rosto’.
Para André Santos Luís “é incompreensível que no momento em que temos mais de 500 pessoas nos cuidados intensivos, só agora se autorize a contratação de especialistas de medicina interna e anestesiologistas para os cuidados intensivos”, realçando que “era expectável e que já deveria ter sido pensado antes”.
O médico reforça a ideia de que “devíamos ter aproveitado o período baixo de casos para pensar nas medidas de contenção e agora andamos a correr atrás do prejuízo”, defendendo “uma mensagem de serenidade e assertividade”.
Para Francisco George, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, “estamos perante um problema de comunicação que não é consistente e há que ter em conta o ruído que é provocado por outras vozes que se juntam sem qualquer base científica”, deixando um apelo “à união de todos”.
O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa afirma que “há um problema em Portugal que é cultural de impreparação genérica para este tipo de ameaças. O que é estranho num país que teve o terramoto de 1755 e foi devastador. Apesar das medidas do Estado terem sido muito inovadoras na altura, essa cultura não fez escola e os sucessivos governos não deram a devida importância à saúde pública”, apontando graves lacunas na lei de saúde pública em Portugal. “A saúde pública tem sido colocada em segundo plano. A última lei de saúde pública ficou esquecida na especialidade porque alterava radicalmente a sua estrutura em Portugal”.
Quanto ao retrato da segunda vaga no concelho de Braga, Rui Macedo, presidente do Conselho Clínico e de Saúde do ACES Braga, assegura que “o planeamento foi feito a tempo e horas, de modo a tentar dar as melhores respostas, contando com o envolvimento de todos os parceiros sociais, nomeadamente município, igreja, hospital, segurança social”. Rui Macedo deu nota da “ necessidade acrescida de profissionais aquando do início da pandemia, tendo sido sempre garantidos recursos humanos para dar resposta às necessidades prementes”, lembrando que “há profissionais que devido a contágio ou burnout têm que se ausentar e (mediante estas baixas) torna-se mais difícil gerir os recursos”
Os oradores convergiram na ideia da coabitação entre o serviço de saúde público e privado com o desidrato de fazer mais e melhor pela saúde dos portugueses. “Sou adepto da complementaridade, de cooperação de todos os sectores público, social, privado e forças armadas. Temos que actuar em harmonia”, defendeu Francisco George.
André Santos Luís alerta que “a máquina ainda não está bem oleada. Houve acordos com o privado que já deveriam ter acontecido”, defendendo “uma gestão centralizada das vagas de internamento e aqui, mais uma vez, perdemos uma oportunidade de nos organizar”.
À pergunta sobre se estaremos preparados para receber a vacina, André Santos Luís afirmou que “estamos preparados para receber a vacina, não estando certo se estamos preparados para a distribuir. Neste ponto todos concordam que a vacinação tem que ser muito bem planeada e a acção célere, vacinando o maior número de pessoas num curto espaço de tempo.
Por sua vez, Rui Macedo diz acreditar que, “quando a vacina chegar, as várias estruturas de suporte estarão aptas para dar resposta”.
Para Francisco George “estamos perante uma realização extraordinária que conseguiu produzir uma vacina em tão pouco tempo. Devemos ter confiança e aguentar mais dois meses, mas mantendo sempre os cuidados necessários, como a utilização da máscara, distanciamento social, lavagem das mãos e o arejamento dos espaços”.
Quanto à terceira vaga, Francisco George foi peremptório a afirmar que “não há ninguém que possa dizer, com base científica, de que vamos ter uma terceira vaga. Nas pandemias anteriores, como foi o caso da SARS não houve sequer segunda vaga. Só podemos antecipar a situação 3 a 4 semanas. Para antecipar mais tempo teríamos de ter um bola de cristal”, vincou.

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