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Braga, terça-feira

Paredes de Coura: Idosos recebem cuidados de saúde com amor e muita conversa à mistura
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Paredes de Coura: Idosos recebem cuidados de saúde com amor e muita conversa à mistura

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Cávado

2018-07-15 às 06h00

Patrícia Sousa

ALDEIA FELIZ, projecto promovido há cinco anos pelo curso de Medicina da Universidade do Minho, chegou por estes dias ao concelho de Paredes de Coura. Vinte e cinco alunos levaram cuidados de saúde, amor e muita conversa aos idosos mais isolados.

Silvino tem 86 anos. Norberto conta já 95 anos. Os dois vivem em Linhares, uma das freguesias Paredes de Coura, que acolheu esta semana o projecto ‘Aldeia Feliz’, promovido, pela quinta vez consecutiva, pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM). Os dois receberam de braços abertos e sorrisos rasgados os alunos, que levavam na bagagem cuidados de saúde, mas também muito amor e conversa à mistura.
Augusta, filha de Norberto, abriu a porta de casa às jovens alunas. “Fomos apanhados de surpresa pelo presidente de junta, mas claro que é uma excelente iniciativa e o meu pai está a adorar”, confidenciou Augusta, com um sorriso ternurento, enquanto olhava para o pai. “Hoje tenho uma sardinhada cá em casa com a família e tenho de arrumar tudo, mas ele gosta destas coisas, por isso, abri a porta de boa vontade”, admitiu.
Entre perguntas e conselhos das futuras médicas, Norberto respondeu sempre com um sorriso, como quem estava a receber “um verdadeiro presente”.
Depois de ter sido operado ao estômago há muitos anos, Norberto toma muitos medicamentos, mas está bem. “Até recuperar da operação segui a dieta e não bebi durante três meses”, contou o idoso. Hoje, come pouco, mas gosta de beber “vários copinhos” ao longo do dia. As estudantes lá chamaram a atenção de Norberto, que reagiu com um sorriso e sempre com a garrafa e a tijela ali ao lado.
“Agora é muito difícil encontrar comida para ele. Não quer peixe cozido e já nem a sopa come, só quando é bacalhau com batata é que lá faz um esforço”, queixava-se a filha.
E depois de medir a glicemia, Norberto apresentou os valores “muito baixos”. Logo as estudantes tentaram incentivar Norberto a comer mais. “Não quer chegar aos 100 anos? Então, tem de comer mais”, atiravam as jovens em jeito de brincadeira.
Sempre gostou de tomar cáfe e ainda hoje toma. “Até aos 90 anos ia ao café de mota, agora vai de vez enquando quando o levamos a cortar o cabelo ou vamos ao médico”, revelou a filha, que sempre viveu com os pais.
Como nunca foi “pobre de moças”, Norberto lá foi ao quarto buscar fotografias da mulher da sua vida. À filha Augusta, as jovens aconselharam a ter o menos tapetes possíveis em casa para evitar quedas. A despedida foi, como não podia deixar de ser, cheia de amor e sorrisos.
O períplo pela aldeia continuou e depois do presidente da União de Freguesias de Cossourado e Linhares, Laurentino Alves, “convencer” Silvino Sousa, os estudantes lá entraram na casa e ficaram à conversa, literalmente debaixo da ramada.
Silvino Sousa lá contou que vive com a esposa e tem três filhos, uma delas quase vizinha que vai a casa “muitas vezes”. “É o meu braço direito”, atirou. Com vontade de conversar, Silvino revelou que estudou até à 4.ª classe e que gostava muito de História e de Geografia. “Quero sempre saber mais”, assumiu aquele verdadeiro contador de histórias. Silvino lá continuava a contar histórias dos tempos idos, lembrando que as pessoas “antigamente eram mais sociáveis e cozinhavam o pão e partilhavam o vinho”. E aquele idoso foi mais longe: “Erámos todos mais amigos, hoje acabou tudo, agora é casa um na sua casa”.
E entre as histórias de vida, os estudantes lá questionavam Silvino sobre os hábitos alimentares e os medicamentos que toma. Silvino garantiu que come pouco, mas com qualidade. Depois mediu a tensão e os valores estavam altos. Por isso, os alunos deixaram alguns conselhos e partilharam algumas preocupações, já que Silvino teve um tumor na próstata.
A viagem continuou pelas ruas da freguesia até chegar à casa de mais idosos, dispostos a receber conselhos, mas também a dar um pouco de si àqueles jovens.

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