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‘Palhaços na Linha’ escancaram sorrisos no Serviço de Pediatria
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‘Palhaços na Linha’ escancaram sorrisos no Serviço de Pediatria

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‘Palhaços na Linha’ escancaram sorrisos no Serviço de Pediatria

Braga

2021-01-18 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Os ‘Doutores Palhaços’ da Operação Nariz Vermelho fintam o contexto pandémico de Covid-19 com projectos inovadores e virtuais, levando animação e divertimento às pediatrias hospitalares.

“O riso é atemporal, a imaginação não tem idade e os sonhos são para sempre.”
Walt Disney

Há um provérbio antigo que diz que ‘rir é o melhor remédio!’, sobretudo quando se está a lidar com um problema, seja ele qual for. Há mesmo estudos científicos que apontam para os muitos benefícios que apenas alguns minutos de riso trazem ao nível da saúde, a começar pelo relaxamento e sensação de bem-estar que despoleta. É precisamente com esta missão, que os ‘doutores palhaços’, da ‘Operação Nariz Vermelho’, continuam a marcar presença nos hospitais, levando a sua alegria às crianças internadas, mas agora de uma forma virtual.
Com a pandemia de Covid-19, as visitas semanais dos ‘doutores palhaços’ deixaram de poder realizar-se presencialmente, mas as crianças e jovens hospitalizados continuaram a ser contagiados pela sua alegria, através de vídeos transmitidos via canal Youtube - TV ONV (Operação Nariz Vermelho) e cujos conteúdos ainda estão online.

O projecto voltou a ser repensado e foi rebaptizado. Agora são os ‘Palhaços na Linha’ que divertem os pacientes mais novos dos hospitais. As visitas dos ‘doutores palhaços’ continuam a fazer-se, de forma virtual, mas em directo, com a dupla de palhaços a passar de quarto em quarto, paciente a paciente, numa transmissão exibida num tablet e sob as rodas de um carrinho de soro.
Fernando Escrich, director artístico da ONV, foi “importado” do Brasil, onde também desempenhava as funções de ‘doutor palhaço’ em unidades hospitalares, e especificamente para animar o projecto português. É ele que, juntamente com a equipa de artistas profissionais com quem trabalha, tem repensado novas formas para continuar a alimentar o sorriso das crianças e jovens internados nas alas pediátricas dos hospitais.
“Logo em Março, quando a pandemia de Covid-19 se instalou, decidimos avançar imediatamente com a criação de vídeos caseiros, com os nossos ‘doutores palhaços’ cada qual em sua casa. Mas entendemos todos que era essencial manter o projecto activo e continuar a levar alegria aos nossos doentes mais novos”.

Foi assim que surgiu a TV ONV no canal Youtube, onde os vídeos gravados pelos ‘doutores palhaços’ eram depositados para serem visionados pelos pacientes dos hospitais - mas o projecto acabou por ser ampliado, uma vez que o acesso é permitido a qualquer utilizador. Estão disponíveis mais de 300 vídeos no Youtube.
“Em Setembro passado pensámos num possível retorno aos hospitais e houve até uma reaproximação às equipas hospitalares que trabalham connosco neste projecto, mas acabou por não ser possível devido à situação pandémica, daí que pensámos em implementar um novo projecto - os ‘Palhaços na Linha’ - através do qual realizados uma espécie de ‘teleconsulta’ à criança/jovem que está hospitalizado”, refere Fernando Escrich. Os ensaios começaram logo em Outubro e neste início de ano de 2021 já está implementado em seis hospitais da região de Lisboa e em cinco hospitais da região Norte, entre os quais o Hospital de Braga, mas o objectivo “é chegar a todos os hospitais”.

O director artístico da ONV destaca também todas as “parcerias” que possibilitam a realização do projecto, quer ao nível dos profissionais de saúde dos hospitais; quer ao nível dos apoios de empresas como a a Teleperformance, a Cisco, a NOS, ou Sam Singh, que ofereceram o material informático e a respectiva higienização.
Uma das formas de apoiar a ONV é através de donativos e/ou da consignação do respectivo IRS; mas há também há também uma loja virtual solidária no site oficial - www.narizvermelho.pt - onde é dada toda a informação sobre o projecto e formas de o apoiar.

“A nossa arte do palhaço é a arte da relação, da arte de alterar os outros com aquilo que faça, de influenciar os outros, de mudar o seu dia, de transformar o ambiente para algo mais leve, mais belo, mais alegre”.
Há quase 10 anos que o ‘Dr. Faísca que Pisca’ - personagem interpretada por Janela Magalhães, actor de profissão, diverte as crianças dos hospitais. “Adoro o que faço, tenho paixão pela arte do palhaço e colocá-la ao serviço dos outros e de uma instituição de prestígio e confiança como a ONV é uma maravilha”, confessa. “Ser ‘doutor Palhaço’ é oferecer tudo o que tenho de mais parvo, idiota e brincalhão de forma segura, vestido pelo meu palhaço e entregá-lo às crianças do hospital”.

Julieta Rodrigues é a ‘doutora Foguete’. Iniciou a sua formação em Psicologia, mas as Artes Performativas roubaram-lhe o coração. Realizou o curso de ‘Interpretação’ na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo e há cerca de 13 anos que integra o projecto ‘Nariz Vermelho’. Quis-se ‘palhaço’ “para desenvolver a arte mais maravilhosa de todas: a de fazer rir os outros”.
Tanto o ‘Dr. Faísca que Pisca’ como a ‘Dra. Foguete’ são presença assídua no Hospital de Braga, todas as terças-feiras. A pandemia veio trocar-lhes as voltas, mas as visitas, embora à distância, mantêm-se regulares e o sorriso dos jovens pacientes do Hospital de Braga escancaram-se sempre que os ‘doutores palhaços’ surgem no seu quarto, no pequeno ecrã de um tablet que os teletransporta à alegria da vida.

Presença de palhaços no hospital tem vários benefícios na saúde dos pacientes

É com “entusiasmo” que o Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, liderado pela médica Almerinda Pereira, recebe os ‘doutores palhaços’ da ‘Operação Nariz Vermelho’ (ONV). Com uma média de ocupação anual na ordem dos 80 por cento, a alegria contagiante que os ‘doutores palhaços’ levam às crianças e jovens internados ‘não tem preço’, mas tem resultados positivos na saúde dos pacientes.

Sem dúvidas quanto à “excelência” do trabalho que os ‘doutores palhaços’ realizam no Hospital de Braga, a directora do Serviço de Pediatria assinala a “interacção empática” que se estabelece entre estes e os pacientes reais, com doença crónica e aguda. É essa interacção que se mantém agora com os ‘Palhaços na Linha’, projecto da ONV, que visa manter as visitas dos ‘doutores palhaços’ activas através de videochamadas, através das quais comunicam directamente com cada paciente, dada a impossibilidade de, neste momento, não se poderem realizar as visitas presenciais habituais.
“A aceitação tem sido boa”, garante Almerinda Pereira, indicando que esta “é uma forma de as crianças e jovens internados terem um contacto com o exterior”.

Cada directo é “personalizado”, ou seja, os ‘doutores palhaços’ sabem quais são as patologias de cada paciente que vão visitar, mediante a autorização dos pais e a sua disposição. O humor é ‘prato do dia’ e a música, partidas e performances teatrais criam um clima propício à boa-disposição.
Uma sensação de bem-estar, de diminuição de stress e de dor são alguns dos principais benefícios para a saúde trazidos pelo riso que chega através dos ‘doutores palhaços’.

“Embora o projecto ‘Palhaços na Linha’ seja recente, os ‘doutores palhaços’ já colaboram com o Hospital de Braga desde 2009 e há vários estudos realizados, inclusivamente teses de mestrado e até um doutoramento com a Escola de Psicologia da Universidade do Minho, comprovando o impacto positivo do projecto quer junto das crianças e jovens internados, quer junto dos pais e dos profissionais de saúde também, tornando os seus dias um pouco mais ‘leves’”, garante a directora do Serviço de Pediatria, onde estão internadas todas as crianças e adolescentes até aos 17 anos com todo o tipo de patologias, durante 365 dias.

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