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Nova técnica desperta memória das testemunhas de crimes
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Nova técnica desperta memória das testemunhas de crimes

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Ensino

2018-05-24 às 10h12

Redacção

Técnica pioneira concebida na Universidade do Minho promete ajudar as testemunhas a recordarem com maior precisão o sucedido no local do crime.

Um investigador da Universidade do Minho (UMinho) criou uma técnica pioneira para ajudar as testemunhas a recordarem com maior precisão o sucedido no local do crime, tendo a eficácia daquela técnica sido já testada.
Em comunicado, a UMinho explica que o método desenvolvido por Rui Paulo, no âmbito da sua tese de doutoramento em Psicologia, denominado Recordação por Categorias, permite aumentar as memórias relatadas pelas vítimas durante o interrogatório, despertando a sua atenção para pormenores esquecidos.

A aplicação do modelo passa por, nas entrevistas, solicitar às testemunhas que, após um primeiro relato, descrevam isoladamente as pessoas envolvidas na cena do crime, depois as acções, os locais, os objectos, os diálogos e os sons, explica a UMinho.
Segundo o texto, verificou-se que mais de 90% da informação relatada nos estudos de caso analisados estava correcta, o que evidencia uma elevada precisão no relato.

Nenhuma estratégia permite alcançar uma representação exacta da realidade. A memória não é perfeita, por isso é natural que surjam falhas quando alguém descreve um acontecimento. O nosso método mostrou ser mais eficaz do que alguns já usados na prática forense, pois possibilita a obtenção de mais informação sem que as imprecisões aumentem, explica o psicólogo forense de 28 anos, agora a dar aulas na Universidade de Bath Spa, no Reino Unido.
A UMinho explana que na ausência de provas conclusivas, como o ADN e as impressões digitais, as testemunhas assumem um papel fundamental na resolução dos casos, cabendo ao inspector policial adoptar técnicas que permitam relatos mais próximos da realidade, ajudando a vítima a recordar o máximo de detalhes possível sobre o delito, sem interferir em demasia na entrevista e induzir as respostas.
Muitos dos erros cometidos pelas testemunhas no interrogatório estão associados a procedimentos desajustados ainda hoje usados pelas autoridades, salienta no texto Rui Paulo.

A academia minhota refere que o sucesso do método deve-se ao facto de ter sido construído tendo como base o funcionamento da memória humana e o modo como a informação é codificada e armazenada.
O modelo aponta que pedir à testemunha que descreva o crime focando categorias de informação, como objectos (sofá, cadeira, mesa), tende a activar memórias associadas que não seriam provavelmente recordadas se a história fosse contada cronologicamente.
É extremamente gratificante ver outros cientistas a testar a nossa técnica. Este é o primeiro passo para que possa ser implementada na prática forense, refere ainda Rui Paulo, que contou com a orientação dos professores Pedro Albuquerque e Ray Bull, respetivamente das universidades do Minho e de Leicester (Reino Unido).

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