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“Não temos igualdade em treino”, lamenta presidente da APD/Braga
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“Não temos igualdade em treino”, lamenta presidente da APD/Braga

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“Não temos igualdade em treino”, lamenta presidente da APD/Braga

Entrevistas

2022-05-27 às 06h00

Rui Serapicos Rui Serapicos

Manuel Vieira afirma, em entrevista ao Correio do Minho, que a APD/Braga é no panorama nacional “a única equipa de basquetebol em cadeira de rodas do que só treina duas vezes por semana”.

Citação

No jogo da final, nos últimos dez minutos a APD Lisboa conseguiu novamente aproximar-se, mas a turma bracarense nunca perdeu a liderança. A partida terminou com 58-46 favorável à APD Braga que, desta forma, levantou pela sétima vez consecutiva o título de vencedor da Taça de Portugal. No cinco ideal da final destacou-se, entre outros, o jogador mais valioso, Márcio Dias.
Após a conquista, em Barcelos, da sétima Taça de Portugal consecutiva, pela equipa de basquetebol em cadeira de rodas da delegação de Braga da Associação Portuguesa de Deficientes, Manuel Vieira, o presidente desta colectividade, lamenta em entrevista ao Correio do Minho que a equipa que — com excepção desta época —, tem ganho todos os troféus nacionais, esteja em risco de perder competitividade, por não poder acompanhar em horas de treino as concorrentes.

P — Conquistar a sétima Taça de Portugal teve um significado mais acentuado por ser em Barcelos, onde reside?
R — Verdade! Ficamos na história do BCR Nacional com essa conquista pela sétima vez consecutiva. O facto de ser na cidade onde resido e trabalho sem dúvida alguma teve um sabor muito especial, ver o envolvimento dos barcelenses, do Município de Barcelos, Basquete Clube de Barcelos serem reconhecidos por todos os envolvidos como uma das, senão a melhor organização de uma Final Four da prova rainha da Federação Portuguesa de Basquetebol deixou-me cheio de orgulho e finalmente, conseguir diante do nosso público (num período pós-pandémico) em que podemos ter novamente público, diante dos barcelenses, conseguir conquistar o troféu deixou-nos bastante emocionados.

 P — Face ao domínio que a vossa equipa tem exercido na modalidade durante anos consecutivos, sempre a conquistar em todas as temporadas os títulos nacionais, ainda não estão cansados de vencer?
 R — É verdade, temos conseguido com maior ou menor dificuldade conquistar títulos nacionais consecutivos. Durante cinco anos vencemos todas as provas nacionais – supertaça, campeonato e Taça de Portugal —, esta época 2021-2022, o BC Gaia conseguiu conquistar a supertaça e o campeonato, quebrando assim uma hegemonia bracarense nos últimos anos, que é fruto de um belíssimo trabalho que desenvolve com os mais novos, a recuperação de atletas mais antigos do BCR Nacional e dos internacionais, Pedro Bártolo e Luís Domingos, ambos com provas dadas no BCR Europeu.
Cansados de vencer não estamos, mas que cansa um pouco e as épocas começam a pesar nos nossos braços isso é verdade, principalmente quando não temos igualdade em quantidade de treino em relação às outras equipas. Além disso, foi um época atípica, onde fomos assoberbados por lesões graves (inclusive nesta final com a ausência do Filipe Carneiro na final four), inúmeros casos Covid em alturas cruciais da época, perder jogos por 1 e 2 pontos justamente por essas questões. O nosso treinador foi submetido a uma cirurgia no início do ano que o levou a parar dois meses.
Mais recentemente na fase mais crucial do Campeonato teve Covid e não conseguiu estar no banco na final do campeonato nacional. Se juntarmos a isto tudo a diferença ao nível de apoios que as outras equipas têm ao nível de treino, efectivamente começa a cansar e cada vez mais a ser mais exigente.

 P — A APD Braga tem procurado aumentar a carga semanal de treinos, de modo a acompanhar as equipas concorrentes, que passaram também a treinar mais. Como é que está esse processo? Qual é o ponto da situação em termos de infra-estruturas, materiais e equipamentos?
 R Actualmente com o orçamento que temos não temos capacidade para aumentar a carga de treinos. Somos a única equipa em Portugal que só treina duas vezes por semana. Todas as outras treinam no mínimo três a quatro vezes e há casos que treinam todos os dias! O processo é simples, ou temos mais apoio financeiro para pagarmos mais um treino por semana de pavilhão e apoiar os atletas nas deslocações ou então não temos qualquer hipótese de o fazer, isso implicaria, no mínimo um aumento no orçamento de mais 7.000,00€ ano em relação aos apoios que temos. Por incrível que pareça e após inúmeros contactos com empresas privadas e públicas temos recebido “não” como resposta ou não temos sequer resposta ao pedido. Temos um bom pavilhão desportivo, o Pavilhão Municipal de Ferreiros, que a União de Freguesias nos disponibiliza mediante pagamento mensal de aluguer, e que de certa forma nos tem apoiado de outras formas para que o BCR em Braga não desapareça. Ao nível de material desportivo, todos os nossos atletas estão bem equipados com cadeiras às suas medidas, por outro lado, estamos já com alguns problemas ao nível do transporte onde a nossa única carrinha com 22 anos e muitos quilómetros, começou a cansar e quase todos os anos é necessário efectuar reparações avultadas. Precisamos, por isso, que uma ou várias empresas se juntem ao nosso projecto, nos apoiem financeiramente para que possamos treinar mais e ter a possibilidade de adquirir uma carrinha nova por forma que satisfaça as nossas necessidades mínimas. 

“Neste momento o foco é ajudar os que vão à selecção”

P — Em termos desportivos já se começa a pensar a próxima época? A maior parte da equipa continua? Ou ainda é cedo para pensar nisto?
R — Nós tentamos sempre fazer programações longas. O nosso treinador, após a conquista da taça, já referiu que para o ano poderá ser diferente, é provável que alguns atletas parem ou façam uma pausa. Por outro lado, novos elementos estão a aparecer e a quem serão dadas oportunidades. Mas a época ainda não terminou, uma vez que teremos a participação como equipa, no 3X3 Internacional em Lisboa de 7 a 10 Julho e o Torneio da Covilhã de 16 e 17 de Julho. Aí sim a época terminará com uma pausa em Agosto e regresso aos trabalhos em Setembro.
Pelo meio de tudo isto, a APD Braga tem ainda a honra de fornecer à selecção nacional sénior de BCR, cinco atletas dos últimos 12 que vão representar Portugal no próximo Europeu de 12 a 22 na cidade de Sarajevo na Bósnia, são eles Márcio Dias, José Miguel Gonçalves, Hélder Freitas, Filipe Carneiro e Henrique Sousa. O nosso treinador, actual adjunto da selecção sénior, irá fazer parte desses trabalhos, assim como selecionador nacional de Sub-22 irá marcar presença nos Jogos Europeus da Juventude em Pahjulathi na Finlândia entre 27 Junho e 4 Julho.
Portanto, neste momento o foco é ajudarmos os atletas que vão estar com a seleção a continuar a desenvolver um trabalho de qualidade no treino por forma que cheguem nas melhores condições aos trabalhos da selecção nacional.

 P — Como é que se perspectiva o futuro próximo da equipa em termos de saídas e entradas? — Estamos a sair de uma fase de pandemia e deparamos com uma guerra que abala as economias da Europa. Isto pode perturbar a angariação de apoios?
 R — Fomos a única equipa em Portugal que num tempo difícil para todos que aumentou o número de praticantes / atletas, isso deixa nos orgulhosos pelo nosso trabalho, de certa forma, sinal de reconhecimento ao trabalho efectuado ao longo dos anos! Temos neste momento três atletas do sexo feminino determinadas e focadas nos seus trabalhos, contamos com dois jovens com idade inferior a 21 anos, incluímos três novos atletas aos existentes, ou seja, temos neste momento, 22 atletas!! Temos uma velha máxima “A porta está aberta para receber e deixar ir” felizmente temos recebido mais do que deixado ir. Penso que o trabalho sério desenvolvido pela instituição, pelos treinadores, staff técnico é sinónimo de orgulho e empenho num universo de pura carolice e voluntariado. Obviamente que a guerra, pandemia e outros problemas mundiais, servem de “desculpa” para recebermos “nãos” como respostas. Depois, por outro lado, vemos outras modalidades, como por exemplo, o futebol, a não ter esse tipo de problemas. Isso deixa-nos tristes, pois o facto de sermos uma instituição de Utilidade Pública estamos abrangidos pela Lei de Mecenato e majoração em sede de IRS (Singulares) e IRC (empresas), algumas vantagens fiscais que poderão ser uma das formas de apoio à nossa instituição.
Não podia, deixar de publicamente, agradecer a todas empresas, municípios, particulares, que nos apoiam. Começo a ficar sem palavras para agradecer o apoio ao longo dos anos, felizmente e de certa forma, pela nossa forma séria de trabalhar com elaboração de relatórios de execução física e financeira ao longo do ano, quem nos apoia tem continuado a apoiar ao longo dos anos, acreditamos que não é só pela conquista dos títulos nacionais, mas pelo que através do desporto conseguimos fazer na vida das pessoas com deficiência, usando o desporto para a sua capacitação e desenvolvimento pessoal e, sem dúvida, que mais que os títulos, enche-nos de orgulho trabalharmos directamente com 22 pessoas com deficiência motora e saber que os ajudamos a evoluir de treino para treino e de jogo para jogo, de forma física, psicológica e social.
Por isso, precisamos sim da continuidade dos apoios, precisamos de mais apoios por forma que possamos continuar a satisfazer quem nos procura e não termos de dizer “Pedimos desculpa mas não temos como ajuda lo (a)”.

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