Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Não há retenções no Agrupamento de Escolas André Soares desde o ano lectivo passado
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Não há retenções no Agrupamento de Escolas André Soares desde o ano lectivo passado

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As Nossas Escolas

2018-10-15 às 06h00

Paula Maia

Programa de retenção traduz-se no delineamento de um programa complementar específico para os alunos com dificuldades que permanecem integrados na mesma turma.

Desde o ano lectivo passado que não há retenções no Agrupamento de Escolas André Soares. Esta é uma medida que decorre do Programa de Autonomia e Flexibilidade Curricular, projecto para o qual o agrupamento tem trabalhado desde 2013, altura em que adoptou também programa de Autonomia das Escolas, então pioneiro a nível nacional (ver texto em baixo).
O combate ao insucesso é um dos planos traçados pelo agrupamento a nível interno e que faz já parte do seu ADN.

“Esta escola tem que acompanhar todos os alunos. Ninguém pode ficar para trás, embora haja alunos com dificuldades a todos os níveis”, aponta Graça Moura, directora do agrupamento, considerando que reter os alunos e fazê-los repetir o processo “não faz sentido” se não forem trabalhadas as competências necessárias. “Criamos um plano em que os alunos não reprovam, continuam com o seu grupo de turma, mas têm um programa de acompanhamento específico”, explica a dirigente escolar, avançando que o plano está a “correr lindamente” e que actualmente existe um grupo de alunos que, embora estejam integrados nas respectivas turmas e sigam o plano curricular comum, têm também, e como complemento, projectos específicos (de natureza distintas, como a arte) onde adquirem conhecimentos e competências.

“O que se pretende trabalhar com este ‘reforço’ é a motivação dos alunos. Têm de sentir que precisam de ajuda e que andar na escola é bom”, justifica Graça Moura, garantindo que neste agrupamento “não há mais lugar a retenções”. Este é um dos caminhos que o agrupamento tem trilhado ao nível da autonomia e flexibilidade curricular e que conduziu a um processo de conhecimento interno que dá conta das fragilidades e necessidades da comunidade educativa.
Trabalhar o insucesso e a indisciplina foi um das metas assumidas e que vem no seguimento do diagnóstico feito internamente.

Contrato de Autonomia deu “empurrão” para delinear a actual matriz

Autonomia e Flexibilidade Curricular é a palavra que esta na ordem do dia nas escolas, mas desde 2013 que o Agrupamento de Escolas André Soares tem desenvolvido um trabalho interno neste âmbito, facto que lhe permitiu desenvolver uma identidade muito própria e criar as bases necessárias à implementação de projectos que conferem a estas escolas características distintas, com práticas muito próprias tendo em vista o sucesso pessoal e educativo dos alunos. “O contrato de autonomia celebrado em 2013 foi um empurrão. Não trouxe mais recursos, nem nada disso. Foi um passo em frente para começar a assumir práticas que iam ao encontro do que a nossa comunidade precisava”, assume Maria da Graça Moura.

O caminho trilhado pelo agrupamento foi reforçado quando, pouco tempo depois, surge o designado Plano de Acção Estratégico que permitiu às escolas identificar as suas fragilidades, traçando estratégias para as colmatar. “As Ciências Experimentais, a Indisciplina, a Matemática foram as fragilidades que identificamos e para as quais traçamos um plano de medidas”, continua a directora.
Uma das medidas que revolucionou as práticas nesta escola foi a coadjuvação, permitindo a colocação de dois professores na sala de aula.

No momento em que o Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular chega às escolas - o ano passado em fase experimental e, este ano, para todo o país - o agrupamento conta já com um trabalho interno bem cimentado, traduzido num conjunto de práticas e saberes implementadas e que lhe permite tirar partido da medida governamental na sua plenitude. A coadjuvação é um desses exemplos. “Até aqui tínhamos o chamado Apoio Educativo para os que tinham mais dificuldades. Os alunos estavam na escola a semana toda e ainda tinha de vir mais uma tarde para ter apoio a Matemática ou a Português, por exemplo. Não concordo com isso. Não podemos aumentar a carga curricular dos alunos. Não dá resultado. A coadjuvação é diferente”, aponta como exemplo Graça Moura.
Este conjunto de práticas permitiu ao agrupamento melhorar os seus resultados e colocá-lo numa outra posição a nível nacional.

EB1 de S. Lázaro é o exemplo mais recente da requalificação do edificado escolar

Bem pode dizer-se que o Agrupamento de Escolas André Soares é um dos agrupamentos do concelho com o melhor parque escolar, pelo menos o mais intervencionado na última década. A EB1 de S. Lázaro, a maior escola do 1.º ciclo do concelho em número de alunos (perto de 300 este ano), e que foi inaugurada no início deste ano lectivo, é disso exemplo. Ao fim de um longo processo de requalificação, os alunos foram transferidos para uma escola moderna, funcional, adaptada aos tempos actuais. “A escola está fantástica, com muita luz natural”, afirma a directora do agrupamento, Maria da Graça Moura que ao longo dos seus mandatos à frente dos destinos deste conjunto de escolas já conduziu vários processos de intervenção, sendo o mais delicado o da EB 2,3 André Soares, a escola-sede, no ano lectivo de 2013/ 2014.
Ainda no que diz respeito à EB1 de S. Lázaro, refira-se que o novo edifício vai acolher uma nova valência, uma biblioteca escolar que vem juntar-se às três já existentes no agrupamento e que estão integradas na Rede de Bibliotecas Escolares.

De resto, este é um conjunto de escolas bem equipadas e bem localizadas, sendo que a maioria se concentra no perímetro urbano.
Maria da Graça Moura diz, no entanto, que há a ter em conta ainda algumas pequenas intervenções, nomeadamente no JI/ EB1 da Ponte Pedrinha e na EB1 do Carandá.
Na EB1 do Carandá será efectuada uma intervenção no recreio exterior que não está adequado aos mais novos. “Foi uma obra feita noutros tempos”, justifica a directora, adiantando que o projecto está pronto, restando agora agora a autarquia assumir o seu encargo. “Penso que poderá ficar concluída ainda neste ano lectivo”, diz.
Para 2019 esta prevista também a intervenção no JI/EB1 da Ponte Pedrinha numa tentativa de resolver a humidade que acomete aquele estabelecimento de ensino, dada a sua proximidade ao Rio?Este.

Aumento de alunos no pré-escolar e 1.º Ciclo

O Agrupamento de Escolas André Soares conheceu um aumento do número de alunos, sobretudo no 1.º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Pré-Escolar São mais 30 estudantes do que no ano transacto.
O aumento - que se traduz no número de alunos por turma e não no número de turmas - notou-se particularmente nas EB1’s de S. Lázaro e Fujacal.?Este aumento fez muito à custa não só do aumento da taxa de natalidade, sobretudo a partir de 2012, mas também do crescimento da comunidade brasileira em Braga, facto que se fez notar já no ano lectivo anterior.
Também a EB 2,3 André Soares está actualmente lotada, albergando 47 turmas e obrigando a uma “gestão equilibrada” por parte da direcção, conduzida há vários aos por Maria da Graça Moura. “Nos últimos anos e numa previsão próxima não temos falta de alunos. Não temos horários zero”, diz a propósito.

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