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“Não podem ser os bombeiros a suportar os custos com material de protecção”
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“Não podem ser os bombeiros a suportar os custos com material de protecção”

Braga

2020-05-21 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Presidente dos Bombeiros Voluntários denuncia o “alheamento” das entidades competentes no que diz respeito aos custos dos kits utilizados para o transporte de doentes Covid, papel assumido pela associação com a ajuda da câmara e beneméritos.

Desde que iniciaram o transportes de suspeitos e/ou infectados pelo Covid 19, a 1 de Abril, os Bombeiros Voluntários de Braga já utilizaram 330 kits de protecção individual, sendo que grande parte foram adquiridos pela própria corporação ou oferecidos à instituição pela câmara Municipal de Braga e por algumas empresas beneméritas que têm respondido aos apelo da direcção.
Cada kit custa 40 euros aos bombeiros, sendo que a tutela apenas financia com 11 euros.

No dia 14 de Maio, o presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários, capitão Miguel Ferreira, recorreu à página do facebook da instituição para denunciar a “estranha atitude passiva” da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) e do próprio Ministério a Saúde, através da Direcção-Geral da Saúde, nesta matéria, argumentando que “precisando tanto dos bombeiros para um serviço tão arriscado parece não se preocuparem convenientemente com a sua protecção”.

Contactado pelo CM, o capitão Miguel Ferreira diz que a situação está “diferente” desde então, não porque a tutela tivesse assumido as suas responsabilidades, mas porque a Câmara Municipal de Braga e empresas do concelho decidiram contribuir com a entrega de kits de protecção aos bombeiros voluntários.
“Três dias depois foi feita também uma pequena distribuição pela Liga de Bombeiros que nos entregou dez kits”, continua o dirigente.

A solidariedade dos beneméritos substituiu-se à responsabilidade das entidades competentes, denuncia o capitão Miguel Ferreira.
“Entendo que o Ministério da Saúde (Direcção-geral da Saúde), que tutela o INEM, entidade que acciona os bombeiros para o transporte deste doentes infectados, deveriam ser os responsáveis primeiros pela distribuição dos equipamentos que necessitámos”, avança o presidente da direcção dos Voluntários de Braga.
De acordo com o dirigente, aa ANEPC, entidade que tutela a nível nacional e operacional os bombeiros, tem estado também “um pouco alheada” deste processo.

“Não podem ser as associações a substituir as autoridades. Já basta o trabalho e as exigências que um serviço destes implica. Agora sermos nós a suportar, ainda por cima, a protecção dos nossos bombeiros não pode ser”, continua o dirigente, frisando que quem deveria assumir os custos destes equipamentos - ou responsabilizar-se pela sua distribuição - deveria ser o Ministério da Saúde, através da Direcção-Geral da Saúde e das direcções regionais . “Mas, não está a ser feito. Neste momento estamos mais aliviados, mas num segunda onda continuaremos com o mesmo problema”, conclui o presidente da direcção dos bombeiros voluntários.

Não há registo de nenhum bombeiro infectado até à data

Até à data não há registos de nenhum bombeiro voluntário infectado com a Covid-19, apesar dos “inúmeros serviços” já efectuados pelos 84 bombeiros ao serviço. Nenhum elemento da corporação foi testado para a Covid, mas o presidente da direcção diz que essa também “não seria uma boa solução para nós”, dada a forma como os voluntários gerem o tempo que dão à corporação, bem distinta dos bombeiros profissionais. “Como somos voluntários não temos grupos que entram e a sem como os profissionais. Os voluntários tem os seus empregos e sempre que podem vão para os bombeiros. Pode ser à noite, outras vezes de dia, umas vezes de manhã, outras à tarde, ao fim-de-semana, no feriado”, explica o presidente da direcção, acrescentando que “temos tido a sorte de não ter nenhum infectado. Mas, se os tivéssemos tinha algumas decisões graves para tomar. Todos teríamos de ser testados e, no limite teria que fechar a porta até obter o resultados. Espero que isso não aconteça para bem de nós e da cidade”, diz o presidente da direcção.

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