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Márcia e Sara Araújo: “O nosso grande objectivo é estar em Tóquio 2020”
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Márcia e Sara Araújo: “O nosso grande objectivo é estar em Tóquio 2020”

Desporto

2017-07-24 às 06h00

Redacção Redacção

“Olá gémeas! Lindo casaco!”. É assim que Márcia e Sara Araújo são recebidas por estes dias no centro de treinos de atletismo do SC Braga, no Estádio 1.º de Maio, numa alusão ao casaco do comité olímpico que vestem orgulhosamente. As duas irmãs, invisuais desde a nascença, foram convocadas para representar a selecção nacional no Campeonato do Mundo de Juniores, que se vai disputar em Nottwill, na Suíça, entre 30 de Julho e 7 de Agosto. Quando se podia pensar que a limitação visual das jovens atletas poderia ser um entrave à felicidade, o sorriso que elas carregam estampado no rosto atira logo essa ideia para fora da pista. Márcia, a mais faladora das gémeas, conta como lidaram com a doença que as afecta desde sempre.

“Olá gémeas! Lindo casaco!”. É assim que Márcia e Sara Araújo são recebidas por estes dias no centro de treinos de atletismo do SC Braga, no Estádio 1.º de Maio, numa alusão ao casaco do comité olímpico que vestem orgulhosamente. As duas irmãs, invisuais desde a nascença, foram convocadas para representar a selecção nacional no Campeonato do Mundo de Juniores, que se vai disputar em Nottwill, na Suíça, entre 30 de Julho e 7 de Agosto.

Quando se podia pensar que a limitação visual das jovens atletas poderia ser um entrave à felicidade, o sorriso que elas carregam estampado no rosto atira logo essa ideia para fora da pista. Márcia, a mais faladora das gémeas, conta como lidaram com a doença que as afecta desde sempre. “Nós, em bebés, nunca reagíamos a nenhum estímulo da nossa família e, aos cinco meses, fomos submetidas a um exame, onde nos detectaram uma doença muito rara na visão.

A partir daí, a nossa família ficou muito transtornada porque ninguém conhecia a doença, mas fomos sempre ultrapassando as barreiras que iam surgindo. A família e os amigos foram muito importantes neste processo e, hoje, somos muito felizes”. Ainda que dentro da pista corram sem obstáculos, muitos foram os que surgiram ao longo da vida das atletas.

“Aceitar a limitação que tínhamos foi a principal barreira que tivemos que ultrapassar, daí em diante tudo foi mais fácil. Também sempre tivemos medo em não sermos aceites pelas pessoas. Quando vamos a um sítio novo, há sempre esse receio. Nós só queremos mostrar que somos iguais aos outros. Não levamos a deficiência como uma coisa má, porque somos felizes assim”, acrescentou Márcia.

A entrada das atletas na equipa de atletismo do SC Braga deu-se por um mero acaso. “ Elas cantavam num coro de uma associação onde as minhas filhas também actuavam. E foi através das minhas filhas que conheci as gémeas… como eu sabia que elas gostavam muito de atletismo, convidei-as para virem experimentar a pista quando quisessem. No dia seguinte cá estavam elas e por cá continuam até hoje”, relata a treinadora, Ana Paula Pimentel, que vai acompanhar as jovens ao Campeonato do Mundo.

“Desde pequenas que nós gostamos de desporto, andávamos sempre a correr de um lado para o outro. Depois, no ciclo apareceram os corta-mato, em que nós participávamos sempre. E também tínhamos uma colega na escola que andava no atletismo e sempre quisemos experimentar. Quando conhecemos a Paula soubemos que era com ela que queríamos trabalhar e definimos logo o nosso objectivo: marcar presença nos Jogos Paralímpicos de 2020. Esta chamada para o Campeonato do Mundo é o primeiro prémio dessa caminhada”, desabafa Sara, com o sorriso de quem está a viver um sonho. “Embora o nosso grande objectivo seja Tóquio 2020, quando soubemos que íamos estar presentes no campeonato do mundo ficamos logo sem reacção. É muito gratificante”, acrescentou.

Vários atletas do SC Braga na elite nacional do atletismo de formação

O atletismo de formação do SC Braga conta com vários atletas que se destacam a nível nacional. Além das gémeas, há mais jovens orientados por Ana Paula Pimentel que são convocados para provas internacionais.
João Peixoto, participou no festival Ibérico de atletismo e prepara-se agora para ingressar no FOJE, o Festival Olímpico da Juventude Europeia. Por sua vez, João Pedro Oliveira vai participar no Campeonato Europeu de Autismo, prova promovida pela Associação Nacional para o Desenvolvimento Intelectual.

A treinadora congratula-se por ter a possibilidade de trabalhar com os mais distintos atletas. “É um grande desafio conciliar tudo. São eles que ajudam a manter o espírito. A socialização e a partilha de experiências entre eles é um dos principais objectivos. Temos aqui um grupo muito heterogénio, por exemplo, uma atleta que é surda-muda e que já trabalha connosco há muito tempo e o João Pedro, apurado para o Europeu de Autismo. São exemplos para os atletas mais novos, que ambicionam vestir as cores da bandeira nacional”, destacou.

Para os atletas, a importância da treinadora não tem medida. “Nunca pensei que um dia ia ter uma treinadora que fosse tão importante na minha vida e que puxasse tanto por mim”, comentou a Sara entre sorrisos. “O ombro amigo de um treinador é essencial. Além de nos ajudar nos treinos, também nos ajuda muito na escola. Ás vezes até nos vai lá visitar e saber se está tudo bem”.

Ana Paula Pimentel: “Temos que estar 200% presentes no treino”

“O treino de um atleta comum, difere bastante para o treino de um atleta com deficiência. No caso das gémeas, temos que estar 200% presentes no treino, porque o trabalho é muito específico e todos os pormenores são muito importantes. Por vezes os colegas mais velhos ajudam e possibilitam que elas corram na pista toda para que possam evoluir, porque sozinhas é complicado”, explica a treinadora, Ana Paula Pimentel, lembrando que as atletas, devido á deficiência visual, “não conseguem ver a pista, conseguem apenas distinguir as tonalidades das linhas e por isso não podem treinar numa zona da pista onde bate a sombra”.

“Quando as gémeas começaram a treinar connosco, explicamos à mãe delas que qualquer criança ia ser bem aceite no grupo, independentemente de ter alguma limitação. Nós não trabalhamos só para a competição mas também para que estes jovens adquiram os valores e os hábitos necessários para viver em sociedade. Aqui não há muletas, todos conseguem ser 100% autónomos”, concluíu.

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