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Mais separação de resíduos recicláveis permitiria poupar dois milhões de euros
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Mais separação de resíduos recicláveis permitiria poupar dois milhões de euros

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Mais separação de resíduos recicláveis permitiria poupar dois milhões de euros

Braga

2021-11-28 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Braval recebe 300 toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia, sendo que 140 dessas toneladas eram passíveis de reciclar. Se esse lixo reciclável fosse colocado no ecoponto, os munícipes poupariam dois milhões de euros por ano na TGR.

Citação

Se os resíduos recicláveis que chegam à Braval misturados com o lixo indiferenciado fossem colocados nos ecopontos, além dos ganhos ambientais, seriam dois milhões de euros que os munícipes poupariam no pagamento da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR).
“As pessoas têm de perceber que são penalizadas por não separar os resíduos e colocá-los no ecoponto. Não é apenas o ambiente que é prejudicado, mas também são as próprias pessoas que ficam admiradas pelo valor das taxas de resíduos inseridas na factura da água”, refere Pedro Machado, director geral executivo da Braval, no âmbito de mais um Dia Aberto, promovido ontem no Ecoparque, uma iniciativa inserida na Semana Europeia da Prevenção de Resíduos.

Os números são claros e mostram que apesar de já ter sido feito muito em pouco tempo, ainda muito há para fazer em termos de reciclagem.
“Nós, por ano, separamos 17 mil toneladas de vidro, papel e embalagens, mas tínhamos a possibilidade de separar 45 mil toneladas. Isto é gravíssimo”, alerta Pedro Machado, apontando que das das 100 mil toneladas de resíduos indiferenciados que chegam à Braval por ano, 45 a 50 mil toneladas eram passíveis de reciclar.

“Além de estamos a estragar o meio ambiente por não reciclar, estamos a pagar uma TGR escusada”, sublinha, lembrando que actualmente TGR é de 22 euros por tonelada de lixo que vai para aterro. Nos seis municípios da área da Braval — Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde — a poupança estimada se todo o lixo passível de reciclar fosse para o ecoponto é de dois milhões de euros.
“A culpa não é dos outros. É nossa. Não é dos políticos, dos governantes. É nossa, quando em nossa casa decidimos onde colocar o lixo”, vinca Pedro Machado, realçando que “não há desculpas” para não reciclar.
Além de recolher os resíduos colocados nos 1300 ecopontos existentes na sua área de intervenção, a Braval também aceita, sem custos, pneus, equipamentos electrónicos e eléctricos e até recolhe, porta a porta, os óleos alimentares usados, que são um perigo quando despejados na rede de saneamento.

“É lamentar que depois de 25 anos a massificarmos a educação ambiental, apelando à reciclagem, reutilização e redução, ainda existam pessoas que continuam a não separar os resíduos para ecoponto”, remata.
Nesta sessão, Pedro Machado deu ainda nota de que os seis municípios da área de abrangência da Braval estão a estudar o lançamento de um sistema para recolha selectiva de biorresíduos, que na prática consistirá na distribuição, à população, de sacos verdes, para colocar restos de comida, e pretos, para o restante lixo indiferenciado. Os sacos deverão depois ser colocados no contentor dos resíduos sólidos urbanos (indiferenciado) e a triagem será feita na Braval.

Este método possibilitará que os biorresíduos não contaminem o restante lixo.
No entanto, alerta Pedro Machado, este sistema não terá impacto na TGR. Para baixar esta taxa só mesmo aumentando o lixo reciclável e reduzindo o indiferenciado.
A implementação de um sistema de recolha selectiva dos bioresíduos deverá ser concretizada pelos municípios até 2023, por determinação europeia e também nacional.

‘Dia Aberto’ cativa cidadãos com preocupações ambientais

A Braval abriu ontem, mais uma vez, as portas do Ecoparque Braval, na Serra do Carvalho, numa iniciativa inserida na Semana Europeia da Prevenção de Resíduos. Os participantes neste ‘Dia Aberto’ foram, recebidos pelo director geral executivo, Pedro Machado, e ficaram a conhecer “por dentro” todo o trabalho ali desenvolvido em prol do ambiente.
Elsa Mata, de Braga, participou pela primeira num ‘Dia Aberto’ da Braval. Inscreveu-se depois de saber desta acção por um familiar e deu a manhã de ontem como bem empregue.
“Eu já faço o máximo de reciclagem possível, mas é sempre bom vir e actualizar os conhecimentos e perceber em que é que posso melhorar”, contou ao ‘Correio do Minho’.
No final da apresentação feita por Pedro Machado, Elsa Mata mostrou-se surpreendida “com os dados estatísticos, tanto pela positiva, como pela negativa”.

“Ficou surpreendida pela positiva com o trabalho que a Braval tem vindo a fazer ao longo dos anos e com os números que apresenta, mas também fiquei surpreendida pela negativa por perceber que há ainda muita gente que não separa os resíduos para reciclagem”, contou.
Para Paula Peixoto, de Braga, separar os resíduos para reciclagem “já é instintivo”. Atenta às questões ambientais, confessa que não ficou surpreendida por perceber que ainda há muito lixo reciclável que acaba nos contentores do indiferenciado. “Não só faço reciclagem como também faço compostagem. Aliás, eu coloco o lixo indiferenciado no contentor apenas de duas em duas semanas porque reciclo tudo, mesmo os restos de comida já têm destino, seja para os animais ou para compostagem”, conta.

Ontem foi a primeira vez que Paula visitou o Ecoparque “por dentro”. Na semana passada “vim cá buscar um compostor e falaram-me desta acção. Achei interessante e inscrevi-me. Já tinha curiosidade há algum tempo para perceber como funcionam as coisas cá por dentro”, contou, realçando que esta acção foi também uma oportunidade para esclarecer algumas dúvidas que vão surgindo sobre os resíduos.
Também houve repetentes neste ‘Dia Aberto’. Foi ocaso do bracarense Júlio Silva. “Não fiquei propriamente surpreendido com o que ouvi aqui. Já conheço o trabalho a Braval e já participei noutras sessões porque sou muito sensível a esta questão dos resíduos”, contou.

Em cada Dia Aberto em que participa, Júlio Silva faz questão de levar um tema ou preocupação para expor. Desta vez manifestou-se muito preocupado com as lixeiras ilegais que vai encontrando nos montes, concretamente depósitos de detritos de obras. “Já questionei a Junta de Freguesia e o que em dizem é que depositam ali o lixo porque teriam de pagara para o levar para o aterro”, conta, apontando que este é o princípio do poluidor pagador que para muitos cidadãos ainda não está interiorizado e que acabam por cometer crimes ambientais para não gastar dinheiro.
Júlio Silva considera que esta questão “é grave” e que devia ser a própria Câmara Municipal a fazer alguma coisa para acabar com estas lixeiras ilegais: “A meu ver, a Câmara deveria implementar um programa para incentivar as pessoas que fazem obras a não depositarem o lixo ilegalmente. Poderia, por exemplo, ser a Câmara a recolher esses resíduos, evitando que acabem por ir parar aos montes, transformando estes locais naturais em lixeiras a céu aberto, como eu que vejo constantemente”.

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