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Literatura: Morreu escritor argentino David Viñas
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Literatura: Morreu escritor argentino David Viñas

“Árbitro fraco, sem categoria e, acima de tudo, sem coragem”

2011-03-12 às 09h00

Lusa

O escritor argentino David Viñas, uma referência dos círculos intelectuais de Buenos Aires, morreu ontem de madrugada, aos 83 anos, após o agravamento de um quadro infeccioso resultante de pneumonia, indicaram fontes hospitalares citadas pela

O escritor argentino David Viñas, uma referência dos círculos intelectuais de Buenos Aires, morreu ontem de madrugada, aos 83 anos, após o agravamento de um quadro infeccioso resultante de pneumonia, indicaram fontes hospitalares citadas pela Efe.

Internado no Hospital Güemes de Buenos Aires desde 22 de fevereiro, David Viñas deixa uma prolífica obra como romancista, ensaísta e dramaturgo.

Nascido em Buenos Aires a 28 de julho de 1927, Viñas fundou, juntamente com o seu irmão Ismael Viñas, a revista literária Contorno, em 1953.

Doutorado em Letras pela Universidade de Rosario, o escritor recebeu em 1962 o Prémio Nacional de Literatura pelo romance “Dar la Cara”, galardão com que voltou a ser distinguido em 1971, por “Jauría”.

Em 1972, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Teatro pela obra “Lisandro” e no ano seguinte ganhou o Prémio Nacional da Crítica argentina com a peça teatral “Tupac-Amaru”.

Militante marxista e presidente da Federação Universitária de Buenos Aires, teve de exilar-se no México e em Espanha durante a ditadura militar (1976-1983). Os seus dois filhos, María Adelaida e Lorenzo Ismael, foram sequestrados e desapareceram nesse período.

“Foi tudo muito terrível, a morte dos meus dois filhos, demasiado duro. Cinco meses depois de me ter instalado na Europa, recebi uma carta de Adelaida, minha mulher, anunciando-me que tinha desaparecido a menina. E em 1979, uma mulher que eu conhecia telefonou-me para o bairro de El Escorial para me avisar de que tinham assassinado Lorenzo Ismael. Era uma loucura, andei a bater com a cabeça nas paredes”, contou numa entrevista.

Em 1981, durante o exílio no México, fundou a editora Tierra del Fuego juntamente com os escritores argentinos Pedro Orgambide, Jorge Boccanera, Alberto Ádelach e Humberto Costantini.

Com o fim da ditadura, regressou à Argentina em 1984 e no mesmo ano foi nomeado titular da Cátedra de Literatura Argentina da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, estabelecimento de ensino que em 1998 o nomeou “professor emérito”.

Em 1991, rejeitou a bolsa Guggenheim, no valor de 25 mil dólares, em “homenagem” aos filhos assassinados pela ditadura.

“Resolvi atirar 25 mil dólares pela janela. E para dizer a verdade, foi uma homenagem aos meus filhos. Custou-me 25 mil dólares”, justificou o escritor.

Os seus pares descrevem-no como um homem crítico e cuja obra é politicamente empenhada, como um ‘habitué’ dos cafés portenhos e um formador de intelectuais a partir do âmbito catedrático.

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