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Alto Minho

2011-02-10 às 10h27

Lusa Lusa

O jornal mensal galego Novas da Galiza está a aplicar desde janeiro o Acordo Ortográfico da língua portuguesa de 1990 no que um dos responsáveis pelo projeto considera ser o reconhecimento da importância da lusofonia para o próprio galego.

O jornal mensal galego Novas da Galiza está a aplicar desde janeiro o Acordo Ortográfico da língua portuguesa de 1990 no que um dos responsáveis pelo projeto considera ser o reconhecimento da importância da lusofonia para o próprio galego.

“Em termos de fortalecimento do idioma, aplicar o AO aproxima muito o português e o galego porque as pessoas começam a ver futuras mais valias económicas e políticas para o galego. Começam a ver a lusofonia como um mundo mais forte em que faz todo o sentido estarmos”, explicou à Lusa Eduardo Maragoto, coordenador da equipa de aplicação do AO no jornal.

O número de janeiro do jornal - que se considera “reintegracionista” - aplicou o AO numa nota editorial em que explica a decisão de adotar o AO em todos os textos de português padrão que sejam publicados no jornal.

A questão linguística na Galiza, e a defesa do galego, têm sido um dos aspetos mais polémicos para esta região a norte de Portugal, sendo que, em geral, quem usa o português na Galiza “fá-lo para defender o próprio galego”, como explica Maragoto.

“Poderá haver casos de pessoas, nas universidades e no meio científico que usam o português não por motivos políticos mas científicos. Que consideram que o galego e português são a mesma língua. Mas a maioria usa-o para defende o galego”, afirmou.

Maragoto explicou à Lusa que esta questão se torna crucial no seio do movimento que tenta proteger e preservar o galego e, nomeadamente, nos meios de comunicação “próximos a esse movimento”, como é o caso do Novas da Galiza.

“Há uma parte significativa, não maioritária da população, dos apoiantes do galego, que escrevem em português. Que editam jornais e paginas web. Dentro desse grupo há quem use o português padrão. E há quem use uma aproximação bastante grande ao português padrão. Tanto uns como os outros juntaram-se e decidiram aplicar o acordo”, afirmou.

Maragoto explica que é uma mudança progressiva que se formalizou agora no Novas da Galiza, o jornal generalista “mais importante” deste movimento.

Em termos gerais Maragoto reconhece ter havido “grandes avanços na aproximação do galego à lusofonia, ou no reconhecimento institucional do galego”.

Em paralelo, porém, “houve um grande recuo no número de falantes”, já que entre a população mais velha e rural se usa muito mais o galego, do que entre os jovens e urbanos.

“O mundo de dignificação do galego continua autónomo”, explicou.

Em termos técnicos, a aplicação do AO no jornal abrange, nomeadamente, a “supressão de muitos grupos consonânticos cultos”, que “já não eram pronunciados nas variedades populares galegas e cultas portuguesa e brasileira'.

O jornal reconhece que os novos hábitos gráficos poderão causar “certa surpresa inicial [que] será compensada com o contributo para um maior fortalecimento do galego a nível internacional”.

Para Maragoto, e depois de “duas décadas de intensos debates, designadamente no seio da sociedade portuguesa, deixou de existir a mais mínima dúvida de que (o caminho do AO) este será o caminho seguido por todos os países de língua oficial portuguesa”.

Apesar do AO já resolver muitas das discrepâncias entre as normas portuguesa e brasileira, “ainda falta bastante para a convergência total”, sendo que os apoiantes do Galego esperam poder participar na próxima fase desse processo.

“Esperemos que no próximo passo que os países lusófonos derem no mesmo sentido, a Galiza possa participar em igualdade de condições. Fazemos votos para que as instituições galegas saibam estar à altura e agir com responsabilidade neste âmbito”, disse.

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