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João Cepa sai do PSD

Cantinas escolares de Esposende não deitam sal a mais na sopa

Cávado

2011-08-20 às 06h00

Rui Serapicos Rui Serapicos

O presidente da câmara municipal de Esposende, João Cepa, vai desvincular-se do Partido Social Democrata — confirmou o próprio, ontem, em declarações ao ‘CM’.

“É uma decisão pessoal por circunstâncias que foram acontecendo. Estou no fim da carreira política e entendi que devia soltar amarras da militância partidária”, afirmou João Cepa em declarações ao ‘Correio do Minho’.
“Há deveres de um militante que estão sempre presentes e eu quero ser um pouco mais livre. Não é que não fosse. Sempre disse o que pensava”, salientou o autarca, que falava à margem da celebração do Dia do Município.

Questionado sobre alguma questão em concreto que possa ter suscitado a ruptura, responde com “um conjunto de circunstâncias a nível partidário”, considerando que o partido “nunca deu o devido valor a Esposende, atendendo a que é um concelho onde nunca perdeu um embate eleitoral nos últimos vinte e seis anos”.

João Cepa revela amargura por Passos Coelho ter declinado o convite para estar presente em Esposende, ontem, na celebração do Dia do Concelho. “Não é que tenha sido decisivo, mas fiquei triste porque pedi-lhe para estar aqui. Ele justificou com motivos de agenda. Mas, mais do que isso, fiquei triste por um conjunto de situações e neste momento não me sinto na obrigação da militância”, continua.

Não quer dizer que deixe de ser social democrata, antes pelo contrário. Retribuí ao partido várias vitórias eleitorais, fiz um trabalho que acho que dignifica o partido, mas acho que está na hora”.

“O meu partido é Esposende”

Ontem, já na sessão solene da comemoração do Dia do Concelho, João Cepa distanciou-se do partido e do governo. “Os esposendenses sabem que nunca fui, não sou, nem nunca serei seguidista partidário”.

“Apesar de militante de um partido sempre o critiquei quando este, no exercício de funções governativas, não foi justo com o meu concelho”, afirmou, prometendo ser com esta postura que os esposendenses “podem contar nos próximos dois anos, principalmente depois de liberto das amarras da militância partidária. O meu partido é Esposende”, acentuou.

Bússolas para alguns políticos

Numa alusão à declaração recente do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que remeteu para Setembro uma decisão sobre o TGV, João Cepa considerou que “já ninguém sabe com o que pode contar. Se ontem à palavra TGV reagíamos com um enérgico ‘nem pensar’, hoje já reagimos com um ‘vamos ver’.” “Já que se quer estimular a economia, talvez fosse boa ideia apostar na produção de bússolas para que alguns políticos consigam encontrar o Norte”, prosseguiu o autarca, que falava perante um salão nobre repleto de gente, entre os quais os distinguidos com medalhas de mérito municipal.

Para João Cepa, é provável que as famílias “continuem a ser surpreendidas com mais encargos, com mais sacrifícios, com mais impostos que, como no futebol, ontem era mentira, mas hoje já são verdade”.
“Já ninguém sabe com o que pode contar. Um dia adormecemos com despesas de 10, no dia seguinte acordamos com encargos de 12”, realçou.

O presidente da câmara de Esposende aludiu ainda à situação da administração local, considerando que esta está a avançar “a passos largos para o colapso financeiro”, advertindo que tal só não acontecerá se o governo “repensar muito rapidamente o sistema de financiamento das autarquias locais”.

Na perspectiva do autarca, com os cortes sucessivos das transferências do Orçamento de Estado, dos sucessivos PEC’s e com as principais receitas dos municípios associadas à actividade imobiliária, em “total declínio”, não demora a que se comecem a fechar serviços, a encerrar equipamentos e a não ter sequer dinheiro para pagar salários. Ainda assim, frisou que neste momento o município “não tem uma única factura para pagar com mais de 60 dias”.

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