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Braga

2020-07-04 às 08h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

INVESTIGADOR da Escola de Engenharia da UMinho está a coordenar um estudo mundial sobre o impacto da Covid-19 na gestão de infra-estruturas críticas. Conclusões prévias já são conhecidas.

O impacto da Covid-19 na gestão de infra-estruturas críticas — como sistemas hospitalares, de transportes, de energia, de telecomunicações, de distribuição e financeiros — está a ser alvo de um estudo mundial coordenado por um investigador da Escola de Ciências da Universidade do Minho (UMinho), José Campos e Matos.
Em comunicado, a academia minhota avança que já são conhecidas as conclusões prévias desse estudo, onde se percebe que “a realidade difere entre os países face aos recursos e verbas alocados e à fase da curva da pandemia”.
“Portugal destaca-se pelo timing do confinamento e, neste âmbito, pela boa rede de saúde, energia e telecomunicações, por exemplo, que evitaram males maiores”, apontam as conclusões prévias.
O trabalho baseia-se num inquérito a que responderam operadores e gestores de infra-estruturas críticas ao longo das últimas semanas.
Este estudo é uma iniciativa da Associação Europeia de Controlo de Qualidade de Pontes e Estruturas (EuroStruct), presidida por José Campos e Matos e sediada na UMinho.
O investigador realça que “houve países mais bem preparados para riscos biológicos e o coronavírus, quer nos planos previstos como nas medidas adoptadas”.
“Vários territórios investiram nesta fase em certas áreas, sobretudo a saúde, e desinvestiram noutras, como a segurança viária, por haver menos movimento”, sublinhou
As telecomunicações “falharam em muitos países, face ao intenso tele-trabalho e tele-ensino, apesar dos avanços na rede 5G e dos reforços de sinal”, aponta o investigador.
Já relativamente ao fornecimento da energia (luz, água, gás), refere que a situação “correu melhor”, salvo blackouts “temporários”, na sequência da queda de duas pontes na Itália e de um sismo na Croácia, por exemplo.
“Já a dificuldade no abastecimento de combustíveis foi ultrapassada através da realocação de stocks, face à fraca procura. Nos aeroportos, após a redução de voos, alguns países e/ou companhias aéreas retomaram a sua estratégia e aposta em testes rápidos à Covid-19 antes do boar- ding”, avançou também.
Relativamente à gestão de sistemas financeiros, as conclusões prévias do estudo mostram que a capacidade económica do país influenciou: “em alguns países, o Estado apoiou empresas de várias áreas para não pararem, na expectativa de saírem mais fortes após a pandemia”.
“A resposta das infra-estruturas críticas dependeu dos picos e da fase de achatamento da curva epidémica em cada território, além dos recursos económicos, humanos e materiais ao dispor”, resume José Campos e Matos, citado no comunicado.
Relativamente à saúde, José Campos e Matos elogia “a qualidade do sistema público português” nesta resposta, “apesar das críticas ao desinvestimento dos últimos anos”.
O investigador refere ainda que a China também sobressaiu neste âmbito da saúde, “ao multiplicar hospitais de campanha e meios avançados de detecção de infectados, embora tenha questões éticas associadas”. Em contraponto, lamenta “o débil confinamento dos cidadãos em alguns países, que sobrecarregou o sistema de saúde”.
José Campos e Matos é investigador do Instituto de Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) e tem promovido debates semanais na EuroStruct com peritos da área, disponíveis no YouTube. Faz ainda parte do think tank ‘INFO | Covid-19’, que sensibiliza em fóruns e nos media para a recuperação gradual da economia e da confiança dos cidadãos.
Por outro lado, José Campos e Matos é vice-presidente da Confederação Europeia de Jovens Empresários e preside à assembleia-geral da Associação Nacional de Jovens Empresários.

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