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Impacto dos fundos europeus demora tempo a aparecer

Braga

2022-06-04 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Sofia Terlica , economista, é co-autora do estudo ‘Fundos europeus- avaliação do impacto nas diferentes regiões em Portugal’, recentemente divulgado em Braga. Ao Correio do Minho, a investigadora da Universidade Nova BSE explica de que forma os apoios comunitários têm contribuído para a coesão territorial.

Citação

- Como é que as conclusões do vosso estudo de que os fundos europeia atenuaram as assimestrias regionais casam com a realidade de um país ainda muito desequilibrado entre o litoral e o interior?
R - O que nós mostramos no estudo é que os fundos europeus foram mais direccionados para os territórios de interior, o que não tem a ver com o facto de os fundos terem taxas de comparticipação maiores no interior. Concluimos que o peso dos fundos para esses territórios está a ser maior, porque alguém se candidatou a eles. Houve dinamismo e investidores privados que estão a captar fundos. Diz- -me que há ainda desequilíbrios entre o litoral e o interior. Claro que sim, mas o que nós mostramos é que, se não houvesse fundos europeus, a situação seria ainda pior. De facto, os fundos europeus, nestes período de 2015 a 2019, contribuiram para reduzir as divergências territoriais.

P - No discurso político passa muito a ideia de que estamos a divergir do resto da União Europeia. Há aqui alguma contradição?
R -?Não. Podia-se dizer que houve convergência interna e que todas as nossas regiões estão mais afastadas da Europa. Não é isso que acontece. O nosso estudo olha para dados municipais e regionais. Regista-se uma aproximação das regiões, não há uma comparação nacional com outros países. Nós sabemos que as regiões que mais convergiram são as que têm menos peso. Os fundos de coesão da União Europeia têm a ver com a coesão dentro de cada país, que é uma perspectiva muitas vezes ignorada.

P?- No vosso estudo usaram como elemento de base o Valor Acrescentado Bruto (VAB) de cada Município. Porquê?
R?- O indicador que temos mais próximo do Produto Interno Bruto (PIB) a nível municipal é o VAB. A nível municipal não existem indicadores tão ricos como o PIB.?O que demonstramos é que, se o VAB já cresce, o PIB então cresce também, porque os dois têm uma evolução muito semelhante. Se já temos resultados muito fortes no VAB dos municípios...

P - Há algum pioneirismo neste estudo pelo facto de fazerem uma análise dos impactos dos fundos europeus a nível municipal?
R - Sim. E também por ser uma avaliação empírica.?Nós analisámos os dados das operações do Programa Portugal 2020 e os seus efeitos nos municípios.

P -?Refere que as conclusões são, apesar de tudo, conservadoras, porque analisaram apenas o investimento com fundos efectivamente pagos.
R?- Tivemos a preocupação de isolar as variáveis de controlo, para não termos efeitos de contaminação. Além disso, usámos apenas os valores de fundos pagos. O nosso estudo vai até final de 2019 e as execuções dos programas comunitários intensificam-se nos últimos anos. Esse factor irá resultar num aumento dos resultados a que chegámos. Analisámos o que já está efectivamente na economia para sermos o mais rigorosos possível.

P - Na sua opinião, os resultados deste estudo de avaliação do impacto dos fundos europeus na diversas regiões de Portugal podem trazer alguns ensinamentos para a gestão do Portugal 2030?
R -?Estes resultados dão-nos muito conforto para continuarmos a fazer investimentos mais distruídos pelo território. O nosso estudo demonstra também que resultado do impacto dos fundos europeus demoram a aparecer. Os efeitos maiores vêm-se ao fim de três anos. Ao fim de um ciclo de programação como é o Portugal 2020, já começamos a ver efeitos.

P - O investimento público com fundos de coesão contamina o investimento privado?
R?- Nós considerámos todas as operações com fundos europeus, públicas e privadas. Quando medimos o VAB, só estamos a medir o efeito nas empresas. Sabemos que 50% do investimento é público e outro tanto é privado. O que medimos é que mesmo o investimento público está a trazer benefícios às empresas.?Nas zonas do interior isso é ainda mais evidente.

P - Há muitas críticas sobre o facto de o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) estar muito direccionado para o investimento público.
R?- Não se deve olhar para o PRR separadamente. O PRR surge ao mesmo tempo e em complemento com o Programa Portugal 2030. Ainda que o PRR?seja mais direccionado para o investimento público, existem uma série de outras para o sector privado. De facto, não temos razões para duvidar dos efeitos do investimento público. Este investimento está a traduzir-se em efeitos para o sector privado. Os dados revelam isso.

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