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Humanização é um trabalho sem fim

Braga

2020-02-29 às 07h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Refletir sobre a humanização em saúde foi o objectivo da palestra proferida ontem por José Luis Poveda Andrés. Entusiasta da humanização, o farmacêutico especialista garantiu que este é um processo com “um caminho muito longo e sem fim”.

Ainda há “um caminho muito longo e sem fim” para a humanização na saúde. Para o director da Área Clínica do Medicamento e director dos Serviços Farmacêuticos do Hospital Universitário e Politécnico de La Fe, em Valência, que ontem esteve no Hospital de Braga, é “tempo de mudar” a forma como se cuida um paciente. Mas José Luis Poveda Andrés foi sincero: “não é só sobre o paciente, as organizações também têm que reflectir na forma como cuidam do profissional, porque se o profissional não tem condições também não vai conseguir humanizar mais os serviços.”
José Luís Poveda Andrés, que falava aos profissionais de saúde de várias áreas, incentivou à reflexão sobre o que podem e querem ser e fazer como profissionais de saúde ao serviço do ser humano, sem esquecer aqui a importância de cuidar também dos próprios profissionais. Porque ao formar para a humanização, os serviços de saúde vão ter “melhores resultados clínicos, organizacionais e financeiros”.
Um entusiasta da humanização José Luís Poveda Andrés começou por contar que quando o filho era pequeno lhe foi diagnosticado um linfoma. Quando o pequeno já tinha feito quimioterapia, os médicos assumiram que se tinham enganado no diagnóstico. “Percebi, nesse dia, que ao longo de todo o processo tive poucas palavras de consolo e a falta de empatia dos profissionais”, lamentou. Seis anos depois apresentou ao director do hospital onde trabalhava um plano para melhorar a saúde clínica, mas também para melhorar a humanização do serviço. “Não tenho grandes receitas, mas há coisas pequenas que se podem e devem fazer para humanizar os serviços”, observou.
E o primeiro passo, desafiou o farmacêutico, é “reflectir sobre o assunto e reconhecer as carências aos níveis profissional e pessoal”.
O ser humano é vulnerável e aqui surgem três dimensões. “A dimensão cultural coloca-nos num mundo globalizado, onde estamos mais conectados mas cada vez conhecemos, compreendemos e falamos menos e onde somos mais explorados, manipulados e instrumentalizados. Já a dimensão social apresenta-nos mais desigualdades sociais e económicas e somos excessivamente flexíveis, vivendo demasiadamente preocupados com o êxito, quando temos é que aprender a lidar com o fracasso”, explicou José Luis Poveda Andrés, referindo ainda aqui a dimensão antropológica, onde o ser humano “sente a falta do reconhecimento e tem medo do sofrimento, da doença e da morte”.
E apesar da compaixão “ser o principal instrumento para ultrapassar o sofrimento”, o palestrante questionou: “conhecem efectivamente a pessoa que estão a cuidar?”. E deixou o apelo: “devemos tratar as pessoas e não a doença. Tratamos os doentes como números, vivemos a coisificação do paciente”.
O farmacêutico deixou algumas pistas para escutar e olhar para o doente: “chamar pelo nome e não pelo número da cama, explicar com linguagem que possa entender, dar tempo para assimilar as más notícias, ter paciência com o doente, não enganar as pessoas, ser empático, eliminar processos burocráticos, humanizar as próprias instalações, porque não tem que ser tudo branco e verde”.
Mas o farmacêutico não se ficou por aqui, porque a humanização não pode ser só para os doentes, mas também para os profissionais. Quando o profissional sente desgaste tem que buscar mecanismos de defesa para não afectar a relação com o paciente, mas “o elevado número de pacientes, os horários, a aposta em conhecimento, a integração na equipa, o excesso de burocracia não ajudam”. O caminho passa, assegurou o responsável, “por reconhecer o problema e envolver-se na huma- nização”.
O Hospital de Braga assinou a carta de compromisso para a humanização dos serviços que envolve “tarefas imediatas, com baixo custo, mas que tivessem impacto imediato no tratamento e acolhimento do doente”, assegurou o presidente do Conselho de Administração. Para João Oliveira esta é uma “preocupação e trabalho que não têm fim”.

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