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Franquelim Neiva Soares: “Reformado, trabalho na mesma”
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Franquelim Neiva Soares: “Reformado, trabalho na mesma”

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Franquelim Neiva Soares: “Reformado, trabalho na mesma”

Cávado

2011-08-26 às 06h00

Rui Serapicos Rui Serapicos

Historiador natural da freguesia de Mar considera “merecido”o tributo público da câmara municipal de Esposende, que o distinguiu com medalha de mérito cultural, no ano em que celebra 50 anos de sacerdócio.

“Estou a acabar um livro como remate para as bodas de ouro sacerdotais. Estou reformado desde 2003, mas trabalho na mesma, ou se calhar ainda mais. É a mesma coisa e estou a fazer 50 anos de sacerdócio”, diz-nos António Franquelim Neiva Soares, distinguido a 19 de Agosto com a medalha de mérito cultural pelo presidente da câmara municipal de Esposende.

Doutorado em História Moderna e Contemporânea pela Universidade do Minho em 1993, publicou em 1997 a dissertação ‘A Arquidiocese de Braga no século XVII (1550-1700): Sociedade e mentalidades pelas visitações pastorais’, uma obra que continua a ser considerada referência de consulta para no-vos estudos relacionados com os processos diocesanos.
Em 2008, foi distinguido pela Academia Portuguesa de História por um livro para cuja publicação teve de ser o próprio autor a assumir o risco.

Perguntamos-lhe que significado atribui à medalha de mérito cultural agora atribuída pela câmara de Esposende.
“Significou o reconhecimento público do meu trabalho, que tenho feito de um modo discreto, mas acho merecido. Trabalhei sem interesse nenhum, mas acho merecido este reconhecimento”, responde, apressado, como quem tem imenso para fazer e pouco tempo para conversas.

“Encontrei uma doação: há lutas entre instituições”

Aposentado da carreira docente, dedicando grande parte dos dias e dos anos à investigação — o que implicou a redução da sua disponibilidade para a vocação sacerdotal, vai revelando que de momento “estou a fazer um estudo sobre Esposende, sobre a minha freguesia” mas também acrescenta que “resolvi, já no mês de Agosto, ampliar o tema: os sacrários, desde os mais recentes (o mais recente foi o da minha freguesia) até aos mais antigos. Encontrei uma doação de trezentos e setenta e dois mil reis, vindos não sei de onde, de 1870. Querem o dinheiro, o Convento de Palme ou a Confraria: há lutas entre as duas instituições, o processo vai para a Relação de Braga, depois vai para a Nunciatura de Lisboa, e ainda não lhe sei o destino”.
Um problema que o investigador vai procurar esclarecer. “Ando sempre à procura de novos documentos ”, acrescenta.
Ele é capaz de ler documentos antigos com a mesma facilidade com que qualquer uma pessoa lê um jornal, diz-nos quem lhe conhece o trabalho.

Premiado pela Academia Portuguesa de História

Em 2008, foi distinguido com o Prémio Joaquim Veríssimo Serrão, conferido pela Fundação António José de Almeida através da Academia Portuguesa da História, como reconhecimento de uma obra que lhe terá levado dez anos de investigação. “A falta de motivação dos investigadores por não terem os meios necessários de quem os deveria proporcionar e a mediocridade de parte dos estudos que são publicados estão a marcar a actualidade da investigação da História em Portugal”, afirmou então.

Neiva Soares é detentor de um dos mais cobiçados espólios documentais e bibliográficos que se conhecem na região. Segundo várias pessoas que lhe são próximas, possui em Braga dois apartamentos repletos de documentos e de primeiras edições, em quantidade tal que já não lhe será possível estudar tudo quanto possui em arquivo.

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