Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Francisco Rodrigues dos Santos: Congresso Nacional da JP discute regresso do serviço militar
Sessão de Esclarecimento na ACIB

Francisco Rodrigues dos Santos: Congresso Nacional da JP discute regresso do serviço militar

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Entrevistas

2018-01-26 às 06h00

José Paulo Silva

A Juventude Popular realiza, sábado e domingo, em Braga, o seu XXII Congresso Nacional. Mais de 250 delegados votam alterações estatutárias, mas vão também debater ideias sobre o serviço militar não obrigatório e a sustentabilidade das Forças Armadas. Francisco Rodrigues dos Santos, o presidente da organização de juventude do CDS/PP, defende, em entrevista ao Correio do Minho, a adaptação dos partidos políticos à era da militância digital.

P - Foi escolhido pela revista Forbes como um dos 30 jovens europeus mais influentes na área Direito/Política. Foi uma nomeação que o surpreendeu?
P - Fui apanhado de surpresa. Nem nas minhas melhores expectativas imaginava ser escolhido. Fui abordado pela Forbes em diversas fases de entrevista, onde tive de fornecer informação sobre a minha vida pessoal, profissional e política.

P - Acha que foi nomeado mais pelo lado político ou pelo profissional?
R - A categoria é law & policy. Acho que foi pela síntese destas duas dimensões. Há uma ideia, cá e além fronteiras, de que a política está desqualificada e que os seus intérpretes não são capazes de criar empatia com as pessoas, nem ser objecto de esperança. A verdade é que este foi um reconhecimento de fora.?Nós somos um país com tanta qualidade que conseguimos exportá-la, tanto que eu e outros três portugueses fomos distinguidos em várias áreas.

P -?Recentemente afirmou que a juventude está divorciada da política.
R - Este divórcio acontece relativamente às estruturas político-partidárias. Em sentido mais lato da política, os jovens continuam a envolver-se no movimento associativo, nas instituições sociais ou em movimentos confessionais, e provam que a sua capacidade de mobilização existe. A fotografia do regime actual da República não engrandece os seus mais preciosos desígnios como a assistência às populações, a defesa de valores e a criação de um projecto aspiracional que permita o desenvolvimento, a redução das desigualdades e a criação de tecido económico que consiga promover oportunidades dentro da coesão territorial.

P - A escolha da sua pessoa pela revista Forbes não terá a ver com o desassombro com que aborda algumas questões??Às vezes surpreende por posições mais controversas ou radicais.
R - Eu não sou radical. Sempre ponderei a minha actuação por valores como a tolerância, o respeito pela diversidade, a moderação e o gradualismo da evolução das coisas. Eu não sei por que é que é polémico as pessoas dizerem aquilo que pensam. Mal vai a democracia quando se vê radicalismo em as pessoas poderem exprimir a sua opinião. Há um mainstream em Portugal segundo o qual os mais barulhentos têm sempre mais razão. Há uma maioria que pensa de uma determinada maneira, que hoje está coagida a silenciar-se. Eu não acredito no policiamento da consciência e na perseguição de quem afirma naquilo em que acredita. Os temas mais fracturantes da sociedade já estão resolvidos, o que não significa que eu não tenha opinião sobre eles. Aquando do debate destas questões, houve pessoas de um lado e do outro da barricada. Eu acompanhei o referendo sobre o aborto, o debate parlamentar sobre a coadopção e o casamento homossexual. Tenho para mim que ninguém deve ser discriminado em função da sua orientação sexual e do seu estilo de vida, mas não me quero coartar de emitir os meus juízos.

P - Continua a pensar que há racismo político contra as pessoas de Direita em Portugal?
R - Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas. Um post meu anti-racista, a propósito do encerramento da discoteca Urban Beach, foi transformado num postracista. Se eu fosse de Esquerda, era um paladino da igualdade. Como sou de Direita, mesmo usando a ironia e humor, já sou um tipo racista. O líder da CGTP-IN chamou escurinho a um membro do FMI, um deputado socialista chamou africanista de Massamá a Pedro Passos Coelho. Ouviu algum bruá ou celeuma na opinião pública? Claro que não. Um tipo de Direita perde densidade em Portugal. Isto não é razoável.

P - É membro da Assembleia Municipal de Lisboa e foi membro da Assembleia de Freguesia de Carnide. Já notou aí esse racismo político?
R - Gosto de pôr tudo o que sou no mínimo que faço. As pessoas da política não estão habituadas a que se fale a verdade, preferem o politicamente correcto, as ordens redondas, os eufemismos, a hiperbolização. Mas acha que as pessoas dos cafés, as famílias, usam essa roupagem? Não. Elas gostam de um político que lhes fale ao coração, porque estão fartas de políticos que dizem o contrário daquilo que pensam. Há uma cartilhado marxismo central em Portugal que quer transformar as mentes diferentes em decrépitas.

P - As posições que tem tido em relação a matérias fracturantes como a educação sexual são sound bites que perduram.
R - Perduram para minar a credibilidade e a boa fé e para caricaturar a pessoa. Sobre essa parangona da abstinência sexual... a JP não defende a abstinência sexual. O Governo abriu um referencial para a educação sexual das escolas, no qual pediu contributos a toda a sociedade portuguesa, e a JP foi a única juventude partidária que apresentou contributos para alterar esse documento. O que verificámos é que a abstinência sexual constava da proposta de plano de estudos aos 15 anos e que, aos 10 anos, não havia nenhuma referência a estes valores, mas sim sobre o aborto e os métodos contraceptivos. O que nós propusemos foi que a educação sobre a abstinência sexual e a relação centrada nos valores e nas opções deve ser feita aos 10 e não aos 15 anos. Ninguém, no seu perfeito juízo, considera normal que se inicie a vida sexual aos 10 anos. Eu não acho.

P - Se calhar muitos jovens não percebem a oposição do Francisco Rodrigues dos Santos ao casamento entre homossexuais? Se compreende as relações homossexuais...
R - Eu devolvo a pergunta. Não há jovens que acham que não se devia chamar casamento homossexual e sim união civil registada?

P - Não se trata só de uma questão de designação.
R - Eu acredito no amor entre duas pessoas do mesmo sexo e que o Estado coloque a sua chancela nesta relação e garanta os seus direitos. Trata-se apenas de uma questão de nome. Em Inglaterra, à união de pessoas do mesmo sexo chama-se união civil registada. Os ingleses são preconceituosos??São um povo pouco evoluído? Acho que o casamento é um instituto que precede o próprio Estado, que tem origem numa determinada concepção religiosa, que foi transcrito para o ordenamento civil e que tem determinados pressupostos que não estão todos preenchidos numa relação homossexual.

P - O congresso da JP, este fim de semana, em Braga, é estatutário. Há alguma proposta que venha a ter impacto na acção política?
R - A proposta da comissão política nacional procura colher as propostas da estruturas intermédias e de base da JP. É ambiciosa, moderna e arrojada. Procura colocar a JP na era digital. Pequenos exemplos: a convocatória das eleições ser feita por e.mail e não por carta registada; que os mandatos das concelhias terem dois e não apenas um ano; queremos criar um conselho fiscal que possa escrutinar a gestão orçamental da comissão política. Os partidos têm ainda mecanismos e estruturas muito rudimentares, que ainda não estão adaptadas à agilidade e à velocidade com que hoje circula a informação. Hoje há quase uma militância digital.

P - No segundo dia do congresso haverá debate político. Trazem os temas do serviço militar e da sustentabilidade das Forças Armadas. É uma matéria pouco discutida em Portugal?
R - Não vamos discutir o serviço militar obrigatório, sim o serviço militar. Achamos que devemos acompanhar a situação europeia quando a Alemanha pondera voltar ao serviço militar obrigatório e Macron diz que a França regressa ao serviço militar obrigatório.?Devemos questionar o que é que em Portugal deve ser feito para capacitar as nossas Forças Armadas no sentido de cumprir o conceito estratégico de defesa nacional. A breve trecho teremos uma proposta da JP para o serviço militar, criando uma terceira via, que não será o regresso ao serviço militar obrigatório, mas um ano cívico, ou meio ano, que seja estimulante para os jovens.

P - Tem apontado o crescimento de militantes da JP. O concelho de Braga acompanhou esse crescimento?
R - Braga tem sido um dos pulmões deste crescimento da JP. Braga tem a maior juventude partidária a nível de filiados, que tem elevado os padrões da política que se faz no concelho. Qual é a juventude partidária que tem mais eleitos no poder autárquico? É a JP, que tem núcleos em todas as freguesias. Este caminhar de fulgor projecta o CDS/PP para futuro. Em Braga, não se conformarem e transformaram a JP na principal força política de juventude. É isso que vai acontecer a breve trecho no panorama nacional. O CDS/PP vai governar o País de forma autónoma.

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