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Forte de Bragandelo surpreende arqueólogos nas primeiras escavações
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Forte de Bragandelo surpreende arqueólogos nas primeiras escavações

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Cávado

2018-08-09 às 06h00

José Paulo Silva

Extremo foi local estratégico para a defesa de Portugal na Guerra da Restauração. Arqueólogos revelam primeiros resultados do estudos do Forte de Bragandelo, sítio que a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez quer valorizar com activo turístico e cultural.

Apenas um mês de sondagens arqueológicas permitiram já surpreender os especialistas sobre o excepcional estado de conservação do Forte de Bragandelo, na freguesia de Extremo, concelho de Arcos de Valdevez. Ontem, o final da primeira fase da intervenção nesta peculiar construção militar do século XVII, resultado de um protocolo assinado em Abril entre a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM), foi assinalado com uma visita-guiada que levou dezenas de pessoas a um dos cumes que dominam a Portela do Extremo.
Luis Fontes, da UAUM, e Rebeca Blanco-Rotea, da Universidade de Santiago de Compostela, deram nota das surpresas que as prospecções iniciais provocaram nos arqueológos que, durante todo o mês de Julho, realizaram também a limpeza do sítio e avançaram com o levantamento topográfico e de reconstituição fotogramétrica a três dimensões do Forte do Bragandelo.
“O Forte é mais complexo do que se pensava, foi uma surpresa”, declarou Luís Fontes aos populares que procuraram entender a posição geoestratégica do Extremo na Guerra da Restauração, durante a qual as fortificações de Bragandelo e de Pereira tiveram um papel decisivo de defesa de Portugal perante as investidas dos exércitos espanhóis.
“Em Extremo temos a grande sorte de conservar um forte que está num estado excepcional. Excepcional pelo seu estado de conservação e pela sua tipologia”, acrescentou Rebeca Blanco-Rotea, que orientou a visita- guiada a um estrutura que considerou “única pelo que conhecemos na região do Minho”.
A arqueóloga galega, especialistas em fortificações militares, adiantou que a intervenção que está a ser feita em Extremo “tem como objectivo a longo prazo valorizar este património maravilhoso”, apontando o Forte de Bragandelo como “uma das estruturas materiais que marcam na paisagem minhota o que foi a Guerra da Restauração”.
A investigadora admitiu que a intervenção arqueológica se iniciou com a expectativa de que o sítio “tinha menos potencialidades, que era uma estrutura mais pequena, de menos envergadura”. Com um mês apenas de prospecções e estudos preliminares, “o que vemos são muros muito potentes, restos dos pavilhões onde estariam os militares e uma possível cisterna”.
O trabalho de campo, que contou com a participação de alunos finalistas do curso de Arqueologia da Universidade do Minho, revelou para o posterior estudo dos historiadores estruturas de casernas militares e vestígios da vivência dos mesmos como são os restos de cerâmica e de faiança retirados do espaço do seria a cozinha da fortificação militar.
“Não é uma estrutura somente de terra como se pensava inicialmente, há edificios em pedra dede dimensão que vai ser necessário valorizar”, insistiu Rebeca Blanco-Rotea, adiantando que “todo o Forte está rodeado de um grande fosso”.
O escasso tempo de prospecção arqueológica ainda não permitiu chegar “ao solo que pisaram os soldados na Guerra da Restauração e em épocas posteriores”, pelo que a arqueóloga apontou a necessidade de “falar com a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez para ver do que necessitamos para restaurar isto e continuar com as escavações para estarmos perfeitamente conscientes do que temos aqui”.
Alegou Rebeca Blanco-Rotea com a convicção prévia de que o sítio “tinha menos potencialidades, que era uma estrutura mais pequena, de menos envergadura”. Só que o já está à vista “são muros muito potentes e restos dos pavilhões onde estariam os militares”.
Os participantes da visita-guiada de ontem à tarde, grande parte deles emigrantes da zona em gozo de férias, tiveram acesso, em primeira mão, a uma planta do Forte de Bragandelo criada a partir de fotos captadas através de drone, após a limpeza do terreno. Com recurso a um programa informático, foi possível fazer uma primeira reconstituição em três dimensões de um dos Fortes da linha de defesa da Portela do Extremo.

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