Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +
Filme que é “carta de amor” a Braga tem antestreia no Fantasporto
Tiago Sá queria ser avançado...Paulinho sonha com selecção

Filme que é “carta de amor” a Braga tem antestreia no Fantasporto

IPCA na era da Covid-19: Balanço das aulas a distância é positivo

Filme que é “carta de amor” a Braga tem antestreia no Fantasporto

Braga

2020-02-29 às 08h00

Redacção Redacção

‘Os Conselhos da Noite’ tem antestreia mundial marcada para amanhã no Fantasporto. Filme de José Oliveira concorre ao Prémio de Cinema Português daquele festival.

O realizador José Oliveira fez uma “carta de amor a Braga” com o filme ‘Os Conselhos da Noite’ uma “necessidade” que sentiu depois de encontrar a cidade “em mudança para melhor”. A película é apresentada amanhã, às 16.45 horas, em antestreia mundial no Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto.
“É uma carta de amor, estive muitos anos fora. Quando regressei a Braga tive a necessidade de devolver qualquer coisa a esta cidade que está em mudança para melhor. A necessidade de homenageá-la, uma homenagem não só a dizer bem porque [o filme] tem ternura e violência. É uma relação conflituosa, como todas as histórias de amor”, apontou o cineasta.
A película – que concorre ao Prémio de Cinema Português do Fantasporto – conta com o actor Tiago Aldeia no papel principal, dando vida à personagem de Roberto, um jornalista doente que regressa às origens desiludido com o seu passado e encontra uma cidade vibrante, diferente da que deixou, mas que ainda mantém traços da originalidade.
“É uma pessoa que, apesar de ficar espantado com o que vê na cidade de cara lavada, tem uma família tradicional e não se conseguiu libertar das origens, do passado. Ao mesmo tempo, é uma atitude provocatória, quer viver de uma certa maneira, largar os telemóveis e ir para a rua ver o que se passa, ir ao cinema, dançar, é uma atitude que tem a ver com estes tempos, em que se liga mais aos telemóveis do que às pessoas”, indicou.
Essa originalidade é marcada, maioritariamente, por pessoas e José Oliveira fez questão de ter um elenco bracarense quase na sua totalidade, com as interpretações de Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, Camilo Silva, Marta Carvalho ou José Miguel Braga.
“Um dos maiores prazeres que tive a fazer este filme foi conseguir, além do Tiago Aldeia – que é o melhor actor da sua geração –, trabalhar com o Adolfo e com actores bracarenses. São actores que fazem uma ‘perna’ no cinema e televisão, mas são bracarenses, está lá o sotaque e a relação com a cidade desde o berço. O meu maior prazer foi fazer uma ficção com as pessoas de Braga”, referiu. O cineasta confessou também que a presença do músico e poeta Adolfo Luxúria Canibal “representa o que muitos anos esteve soterrado na cidade, que era católica e [estava] parada no tempo”, e simboliza a “clandestinidade e energia subterrânea” que “muita gente apreciava nas sombras”.
“O Adolfo foi uma das maiores inspirações, tanto a música como a atitude e a poesia representavam essa possibilidade de fazer coisas maiores, ousadas e radicais, numa cidade conservadora. Foi uma inspiração fundamental, foi muito bom ele ter aceitado o papel e foi um dos motivos que me deixou muito satisfeito no filme”, admitiu.
A ideia para esta longa-metragem surgiu em 2014, em conjunto com o argumentista bracarense João Palhares, numa altura em que o realizador estava a trabalhar em Lisboa e quando regressava a Braga reparava numa cidade em mutação, com uma nova “energia criativa e cultura” e uma outra “visão do mundo, a nível artístico e da sociedade”.
“Havia uma energia que conhecia de outras cidades mas não da minha cidade. Muita gente perguntava-me se Braga era retrógrada, então percebi que podia fazer alguma coisa dessa nova energia, nomeadamente algo nunca feito em Braga: um filme de grande fôlego, com narrativa intrincada, sobre uma personagem mas que rodopia sobre várias personagens e locais da cidade”, afirmou.
O realizador explicou ainda que este é um filme que “deixa espaço para o espectador criar a sua própria interpretação”, é uma história sobre uma “personagem em crise de valores” que viveu “várias utopias e acreditou que era possível mudar o mundo” e que procura inspiração no regresso a casa.
“Foi este paradoxo que me interessou. Como é que uma personagem que pode estar a morrer e com os próprios valores em causa desiste e que, nesse caos, consegue olhar para o lado, para o próximo, a sociedade, a arte, o que seja, e consegue retirar daí um motivo para criar. Mesmo nos momentos mais difíceis, se estivermos atentos há algo que nos pode puxar para cima novamente”, finalizou.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho