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Faltam “competências culturais” para ajudar vítimas imigrantes
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Faltam “competências culturais” para ajudar vítimas imigrantes

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Faltam “competências culturais” para ajudar vítimas imigrantes

Braga

2020-10-22 às 07h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

OS PROBLEMAS que afectam as mulheres imigrantes foram levados, ontem, à III Semana Municipal para a Igualdade, onde se deixou o repto para que as instituições se munam de competências culturais.

A falta da rede de apoio certo e o desconhecimento dos seus próprios direitos enquanto imigrantes e enquanto vítimas no local onde estão inseridas são os principais factores que impedem as mulheres imigrantes de procurar ajuda quando sofrem na pele situações de violência e discriminação.
O tema da ‘Vitimação das Mulheres Imigrantes’ foi levado, ontem, à III Semana Municipal para a Igualdade, promovida pelo Município de Braga, onde foi deixado o repto para que as instituições locais adquiram mais “competências culturais” de forma a dar uma melhor resposta às mulheres imigrantes violentadas.
Mariana Gonçalves, investigadora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho (UMinho), foi uma das convidadas da Semana Municipal para a Igualdade de Braga, onde esteve ontem a falar sobre a ‘Vitimação Múltipla de Mulheres Imigrantes’, tema, aliás, que versou no seu doutoramento realizado há quatro anos, mas no qual continua a “investir” tempo, dedicando-se ultimamente aos temas mais relacionados com a “vitimação de populações especialmente vulneráveis” - e que integra também as mulheres imigrantes.
“É preciso que as instituições tenham a noção de que é muito importante que os seus técnicos desenvolvam conhecimentos sobre competências culturais, através das quais possam responder às necessidades efectivas das vítimas, tendo em conta o seu background cultural e social e que sejam capazes de responder às suas necessidades, sobretudo, em termos de linguagem, ao nível da procura de ajuda”, sublinhou a investigadora Mariana Gonçalves, que, no seu projecto de investigação inquiriu 200 mulheres imigrantes, no sentido de perceber o que mais as afecta e o que é preciso fazer para lhes dar também melhores respostas sociais, dando-lhes a possibilidade de terem uma vida melhor.
“As mulheres imigrantes são efectivamente vítimas de várias formas de vitimação, por exemplo, a situação do tráfico de seres humanos, e de discriminação e vitimação institucional”, disse, apontando para a necessidade premente de melhorar as respostas sociais que já existem, cujas equipas devem ter as suas competências reforçadas com vista a uma intervenção eficaz.
“É necessário que as estruturas de apoio se munam das competências culturais necessárias para melhor responder às necessidades das vítimas mulheres imigrantes, que são totalmente diferenciadas das nossas vítimas nativas, precisamente por todas as questões culturais que estão inerentes a todo este processo de vitimação”, frisou a investigadora da UMinho.
Na iniciativa esteve também representado o Município de Braga, através do Gabinete de Informação e Acolhimento para a Igualdade criado em 2017, onde a técnica Joana Araújo voltou a deixar informações e contactos desta resposta municipal, que além do atendimento diário à pessoa vítima de violência doméstica (das 9.30 às12 horas e das 14.30 às 17 horas) e tem também uma estrutura de acolhimento residencial - resposta dada com o apoio da BragaHabit.

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