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Exposições de Artur Barrio e Eduardo Matos inauguram no CIAJG
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Exposições de Artur Barrio e Eduardo Matos inauguram no CIAJG

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Exposições de Artur Barrio e Eduardo Matos inauguram no CIAJG

Vale do Ave

2023-03-22 às 17h15

Redacção Redacção

Inauguração é já este sábado, 25 de março, a partir das 18h00, e reúne público, artistas e instituições parceiras em torno das novas exposições "Interminável" e "Fabriqueta" no CIAJG

Citação

As inaugurações das exposições "Interminável", de Artur Barrio (n. 1945) – figura chave na arte contemporânea que ocupa um lugar central na história da arte brasileira – com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre, e "Fabriqueta", de Eduardo Matos (n. 1970), com curadoria de Inês Moreira, mergulham o Centro Internacional das Artes José de Guimarães numa ideia de "ficções de lugares", convidando-nos a todos para uma imersão coletiva a partir das 18h deste sábado, 25 de março.

As novas exposições do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) investigam os modos como artistas de diferentes gerações imaginam espaços de invenção, lugares que sobrepõem várias camadas de significado, escapando ao racional. Os próximos meses renovam assim a aura do CIAJG, contando, nomeadamente, com a presença de uma figura incontornável da arte contemporânea – Artur Barrio – que há mais de 50 anos vem alicerçando um trabalho que ecoa nos dois lados do Atlântico, entre Portugal e Brasil.

Nascido no Porto em 1945 (viajando com a família para Angola em 1952 e para o Brasil em 1955), Artur Barrio ocupa um lugar central na história da arte brasileira e portuguesa. Os seus primeiros trabalhos, no final dos anos 1960, realizados no contexto da ditadura militar no Brasil, comportam uma crítica implícita ao sistema político e artístico e ao processo de circulação e valoração da arte. Como artista, passa longas temporadas na Europa a partir dos anos 1970, visitando Portugal em 1974 para assistir de perto à Revolução dos Cravos. Hoje, Artur Barrio vive na Baía de Guanabara no seu barco "Pélagos". Esta brevíssima biografia traça um fluxo de trânsitos e atravessamentos onde o mar, na sua dimensão simbólica e real, assume um lugar central no seu trabalho: o do navegante solitário diante do oceano vazio. Artur Barrio foi galardoado com o Prémio Velázquez das Artes Plásticas 2011 e o Grande Prémio Fundação EDP Arte de 2016.

A exposição "Interminável", no CIAJG, constitui-se ao redor da instalação com o mesmo título que pertence à coleção do museu S.M.A.K. (Gante, Bélgica) – parceira do CIAJG, a par da Fundação de Serralves, nesta exposição. Juntamente com a instalação, e ocupando várias salas do museu, apresenta-se uma seleção de trabalhos provenientes do arquivo do artista e de coleções institucionais e privadas de Portugal.

Exibida pela primeira vez em Portugal (foi anteriormente apresentada na Bélgica e no Japão), a instalação "Interminável" evoca, segundo os curadores, “o princípio e o fim da arte”. À semelhança do restante trabalho do artista, "Interminável" desafia os protocolos museológicos e a objetualidade da arte. A instalação envolve materiais perecíveis e interfere na arquitetura do museu, deixando praticamente cobertas todas as paredes do espaço expositivo. A propósito da instalação, os curadores Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre mencionam que “O infinito e a contingência convivem no meio de palavras escritas nas paredes, café e odores espalhados no chão, fragmentos, vinho bebido e vertido. "Interminável" convoca o excesso e a poesia.”

Cobrindo um arco temporal desde os anos 1970 até ao presente, a lista de trabalhos tem como fio condutor a condição (i)material da produção de Artur Barrio. A dimensão política radical do uso de materiais perecíveis e abjetos; e a ideia de “inscrição” (riscar, submergir, escrever, perfurar, capturar...), as ações e traços do artista no mundo. Composta pela instalação “Interminável”, por “Registros” em fotografia, slide e filme das ações efémeras realizadas pelo artista na década de 70, a lista de trabalhos inclui também um núcleo dos seus “CadernosLivro”, trabalhos em tecido, e imagens reproduzidas a partir do arquivo pessoal do artista, relacionadas com o mar. A par de trabalhos icónicos como “Livro da Carne” (1979) ou “Áreas Sangrentas” (1975), este último realizado em Viana do Castelo no rescaldo do 25 de Abril, a exposição cobre ainda o interesse de Artur Barrio pelo mar, lançando luz sobre os trânsitos do Atlântico, e os abismos marinhos, que escrevem as várias moradas do artista.

A curadoria da exposição "Artur Barrio / Interminável" é da responsabilidade de Luiz Camillo Osorio (crítico de arte, ensaísta e professor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio, tendo sido curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e, em 2015, curador do pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza) e de Marta Mestre (diretora artística do CIAJG e Artes Visuais d’A Oficina).

Por seu turno, a "Fabriqueta", exposição individual do artista Eduardo Matos que inaugura simultaneamente no CIAJG, incide sobre o território fabril do Norte do país, em particular as memórias do trabalho e os elementos físicos (banais e prosaicos) que projetam tanto a melancolia quanto a força coletiva e laboral do Ave e do Minho. Com curadoria de Inês Moreira, a exposição é uma apresentação de fôlego do trabalho de Matos, artista que, nos últimos anos, tem vivido fora do país.


No centro da exposição, que ocupa todo o piso -1 do CIAJG, apresenta-se, em escala real uma “fabriqueta”. Expressão corriqueira para as oficinas que existem na região, e onde uma grande parte da população realizava, e ainda realiza, a continuação da jornada de trabalho, através das encomendas excedentes das principais fábricas da região, a “fabriqueta” de Eduardo Matos funciona na exposição como um espaço agregador das memórias de quem a visita. As palavras de Inês Moreira descrevem este espaço: "A fabriqueta é um fóssil humano que passou a integrar a paisagem, a par dos milenares penedos e das centenárias habitações de granito. Onde a produção do Ave e do Minho se viu pujante, restam, por entre lugares maiores, inúmeros destes sítios oficinais, rústicos e inacabados.”

A exposição pode ser entendida como uma grande instalação artística composta por núcleos, tais como um conjunto de desenhos (da série "Poesia Fabril"), objetos ready-made ou replicados que mimetizam elementos da arquitetura e contexto material das fabriquetas, um conjunto de esculturas e maquetes de cartão, papel e outros materiais que procedem do processo da exposição, trabalhos sonoros de voz e ruídos, e a "fabriqueta", propriamente dita. Especialmente concebidos para a exposição, estes trabalhos têm como caraterística o facto de “remeterem para um tempo anterior que aparenta ser rural”, sem deixar de considerar as grandes transformações económicas e sociais que o país atravessou nas últimas décadas.

O corpo de trabalhos da exposição distribuem-se no espaço como “achados arqueológicos” provenientes de um mergulho do artista pelo inconsciente e pelas memórias da sua infância passada na região. A “grade”, a “janela”, o “poço”, o “poste”, o “banco”, etc, são elementos de um extenso vocabulário, de “uma paisagem bucólica e inerte sobre as águas e as margens do Ave, que se envolve com a vida, o corpo, a voz e o movimento”, conforme descreve Inês Moreira.

A exposição “Fabriqueta” de Eduardo Matos desdobra-se também num Programa Público idealizado pela curadora Inês Moreira, em colaboração com Eduardo Matos e com Max Fernandes, artista convidado. O programa é composto por vários eventos gratuitos que decorrerão até ao fim da exposição, dia 3 de setembro de 2023, sendo um dos destaques a “Oficina de Voz e Trabalho”, desenvolvida com elementos da Associação Cultural Outra Voz, sediada na região de Guimarães, e que culmina com uma apresentação pública no dia 17 de junho, no CIAJG.

A curadoria da exposição "Eduardo Matos / Fabriqueta" é da responsabilidade de Inês Moreira, curadora, editora e investigadora principal (Lab2PT - Escola de Arquitetura Arte e Design, Universidade do Minho), tendo sido, entre outras iniciativas, curadora da exposição permanente da Casa da Memória de Guimarães (de 2014 a 2016), entidade gerida e programada pel’A Oficina, em Guimarães.

As 19h deste dia de inaugurações, "Shedding an iron skin" surge no CIAJG com a Deputada (Francisca Marques) a protagonizar uma performance-música em diálogo com uma "serpente" dos povos Baga (República da Guiné). No piso inferior do museu, os alicerces do CIAJG, acedemos a um lugar trêmulo, onde a presença de corpos e ruídos se torna indefinida. "Shedding an iron skin" convoca desta forma uma assembleia cerimonial, um ritual de escamagem de uma hipotética pele de ferro, que confronta o corpo e a máquina, através de música e performance.

Tudo isto acontece em convívio permanente com os trabalhos e as coleções de José de Guimarães que habitam o CIAJG, convidando todos a uma visita para conhecer "Heteróclitos: 1128 objetos", exposição que ocupa a todo o piso 1 do museu e que expõe a totalidade da coleção do CIAJG, composta por arte africana, europeia, pré-colombiana e chinesa antiga, e obras de José de Guimarães.

As novidades da programação de Artes Visuais d’A Oficina estendem-se também ao Palácio Vila Flor com uma nova mostra a surgir na mesma altura: a exposição "A prática do infinito pela leitura", dos artistas Catarina Domingues e Ricardo Ribeiro, a inaugurar neste mesmo dia 25 de março, às 16h. Tendo como núcleo e ponto de partida a intersecção de dois pontos, a obra "O Leitor" de Pascal Quignard e o trabalho de 31 artistas plásticos em torno da ideia de leitura, este momento inaugural a decorrer no espaço expositivo do Centro Cultural Vila Flor (a 10 minutos a pé do CIAJG) contará com um momento de interpretação/improvisação de vários textos pela voz do artista, poeta e performer António Poppe.

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