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Expectativa e ansiedade marcam o regresso às instituições
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Expectativa e ansiedade marcam o regresso às instituições

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Expectativa e ansiedade marcam o regresso às instituições

Braga

2021-04-05 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Entre hoje e amanhã, os Centros de Actividades Ocupacionais (CAO) das instituições que acolhem pessoas com deficiência reabrem as portas. Todos estão ansiosos e com expectativas. Responsáveis lamentam ainda não estarem todos vacinados.

Ansiosos e com muita expectativa. É assim que estão utentes, famílias, colaboradores e direcções das instituições da cidade que acolhem pessoas com deficiência. Uns regressam aos Centros de Actividades Ocupacionais (CAO) hoje, mas há outras instituições que só abrem portas amanhã.
O CAO da Cerci Braga vai abrir só amanhã. “Os clientes e as famílias estão com bastante ansiedade e, neste segundo confinamento, há um desgaste maior. Os pais com mais idade acabam por ter uma sobrecarga maior e estão todos ansiosos que o CAO reabra”, contou a directora técnica da Cerci Braga, Tânia Crista, contando que têm recebido muitos telefonemas dos utentes “a manifestarem o desejo de voltarem ao CAO e das saudades que sentem”.

Durante a semana passada, a Segurança Social pediu a listagem dos utentes para serem testados pela delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa. “Temos a situação da testagem pendente e estamos a acertar com as famílias. Aqui acresce alguma dificuldade na preparação para o regresso”, admitiu Tânia Crista, constatando que “há utentes que é quase impossível fazerem o teste”.
Em relação à vacinação, a directora técnica tem insistido junto das famílias para “falarem com os médicos de família para perceberem como está a situação, até porque as pessoas com trissomia 21 foram consideradas prioritárias, mas ainda não foram chamadas”.

Entretanto, a instituição recebeu a pedido da Segurança Social a lista de todos os colaboradores para a vacinação, mas “ainda não se sabe quando isso vai acontecer, por enquanto é tudo muito incerto”, confessou.
A experiência de ano passado, confidenciou Tânia Crista, “dá aqui ferramentas para viver este regresso de forma mais calma”.
A maior dificuldade da instituição é o transporte. “Queríamos evitar que os utentes utilizassem transportes públicos, mas não vamos ter essa capacidade, porque temos 30 utentes, e não conseguimos transportar todos. Como as famílias também acabam por não ter recursos para os trazer não vamos ter outra hipótese e essa é a nossa maior dificuldade”, confirmou.

Muitas das actividades do CAO da CERCI Braga eram realizadas junto da comunidade e terá que haver aqui um ajuste. “Temos que diminuir ao máximo os contactos. Há medidas que não são comportáveis no CAO, por exemplo, um monitor estar toda a semana com o mesmo grupo é difícil. Há questões práticas que não se conseguem alterar”, confirmou a directora técnica, assegurando que as actividades vão ser feitas, sempre que possível ao ar livre e nas salas de maior dimensão.

Praticamente todos os clientes não tiram a máscara e isso é um “factor muito importante”. “Quase todos estão comprometidos e perceberam a importância da máscara no dia a dia”, sublinhou Tânia Crista.
É “com grande expectativa” que o CAO da Associação para a Inclusão e Apoio ao Autista (AIA) abre hoje as portas aos 13 utentes que acompanha. “Temos mantido o contacto e tem sido mais difícil para alguns”, confirmou a directora técnica, Inês Capela, admitindo que, “contrariamente ao primeiro confinamento, os utentes estão a ter mais dificuldades e há aqui algumas suspeitas de estados mais depressivos”.
A semana passada, foi tempo de preparar as actividades “mais leves e lúdicas, porque se perdeu muito ritmo e é necessário avaliar o estado de cada um e começar de novo”, defendeu Inês Capela, destacando que “muitos progressos se foram perdendo e há utentes que estão mais agitados”.

Os técnicos também estão ansiosos, porque também perderam “um pouco” o ritmo. “Tudo isto também nos afecta a cada um de nós. Os primeiros tempos vamos ter uma agenda mais leve e mais de convívio para começar de novo”, confirmou Inês Capela, admitindo que lhes faz falta as rotinas, que “para eles são fundamentais e foram perdidas”.
Inês Capela lamentou o facto da população ainda não estar vacinada, sentindo “alguma expectativa”.
Também o CAO do Centro Novais e Sousa reabre hoje as portas. “Estamos a contar com cerca de 30 utentes, porque normalmente na segunda-feira de Páscoa estamos encerrados”, contou a directora técnica, Carina Oliveira, esperando pelo regresso dos restantes 31 utentes amanhã.
“Este desconfinamento será mais tranquilo. Já temos o plano de contingência e o plano sem actividades extras e muito apertadinho”, confirmou.
As famílias e utentes, continuou a directora técnica, “estão ansiosos, porque todos estão a precisar de alguma normalidade”. Sem rotinas e sem actividades “há sempre perdas”, evidenciou.

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