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Ensino

2021-02-19 às 20h21

Redacção Redacção

Vítor Espírito Santo apresentou o projeto nas XVI Jornadas de Engenharia Biomédica

Vítor Espírito Santo, formado na Universidade do Minho, está a desenvolver carne a partir de células, na Califórnia, EUA. Dirige o Departamento de Agricultura Celular na “Eat Just”, uma das 80 empresas no mundo dedicadas à carne cultivada em laboratório. Singapura foi o primeiro país no mundo a aprovar a comercialização destes produtos; são nuggets de frango, servidos num restaurante de luxo.

Vítor Espírito Santo apresentou nas XVI Jornadas de Engenharia Biomédica da UMinho, transmitidas online no YouTube. “A produção intensificada de animais tem tremendas questões éticas, ambientais, de segurança, de ineficiência e implica abater milhões de animais por ano. Propomos, por isso, alterar para métodos de produção de carne menos agressivos e com a qualidade do produto semelhante”, explica o bracarense. “Acredito que este projeto saudável e sustentável vai ter um impacto significativo na população mundial a médio prazo”, realça.

O investigador é mestre em Engenharia Biomédica (2007) e doutorado em Engenharia de Tecidos (2012) pela UMinho. Já trabalhou desde o Reino Unido ao Japão nas áreas de biologia celular, engenharia de tecidos, bioprocessos e empreendedorismo, o que o enriqueceu para o desafio atual. Vítor Espírito Santo coordena na “Eat Just” a escolha das células iniciais, as técnicas de isolamento daquelas a partir dos animais, a expansão de células em birreatores e, depois, o desenvolvimento do produto. É também responsável pela comunicação com investidores, media e agências reguladoras internacionais para a aprovação deste tipo de produtos.

Aquela start-up já havia criado uma alternativa ao ovo, que dispensa galinhas e ovos, baseando-se em proteínas extraídas do feijão mungo. Para produzir carne, a empresa optou por utilizar as próprias células do animal, como ponto de partida para desenvolver o produto. Agora está a reproduzir células extraídas dos animais até ter um número suficiente para criar um bife sobre uma estrutura que garante a consistência. “Nos motivos que levaram à pandemia atual, questionamo-nos como o consumo de carne tradicional, sem o devido controlo, pode ser prejudicial. Já a carne cultivada in vitro é produzida em fermentadores/reatores estéreis e com práticas de higiene acima da média”, refere.

Anteontem, o norte-americano Bill Gates defendeu, na apresentação do seu livro “Como evitar um desastre climático", que os países ricos devem comer apenas carne bovina feita em laboratório. A intenção é combater as emissões de gases que provocam o efeito de estufa, nomeadamente o metano, associado à criação de gado bovino, o qual se traduziu num aumento da temperatura até 4ºC neste século, segundo alguns estudos.


As XVI Jornadas de Engenharia Biomédica contam até sábado com 35 oradores e vão abordar também o desenvolvimento de um ventilador, a covid-19, um capacete inteligente à prova de vírus e a inteligência artificial na imagem médica, entre outros temas. A organização cabe ao Gabinete de Alunos de Engenharia Biomédica, com apoio da Escola de Engenharia da UMinho.

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